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O Banco de Brasília (BRB) fechou o balanço do terceiro trimestre de 2017 com lucro líquido de R$ 70,1 milhões, um crescimento de 13,6% se comparado ao mesmo período de 2016. A saúde financeira do banco público e o crescimento devem-se a políticas adotadas que também renderam nos meses de julho, agosto e setembro o menor índice de inadimplência do banco com relação ao mercado. Os percentuais saíram de 4,3%, em 2015, para 3%, em 2017. A média do Sistema Financeiro Nacional (SFN) é de 3,6%.

Com 2,2 mil superendividados entre os 500 mil correntistas, o BRB intensificou a política de crédito consciente. As regras para a concessão de empréstimos ficaram mais seletivas. “Renegociamos as dívidas e fizemos um trabalho de reeducação financeira, com cursos presenciais tanto para os funcionários do GDF, quanto para o público em geral”, afirmou o presidente do BRB, Vasco Cunha Gonçalves, em entrevista ao Metrópoles. Desde 2008, 25 mil pessoas foram treinadas.

Com o endurecimento das regras, a carteira de crédito apresentou redução de 5%. Mas como a inadimplência caiu, a receita atrelada aos empréstimos aumentou e o resultado final foi positivo, com 18% de crescimento.

Entre as iniciativas que contribuíram para a recuperação financeira do BRB, estão medidas como a liquidação das dívidas com previdência, a diminuição de despesas com pessoal (foram implementados dois planos de Programa de Demissão Voluntária, que alcançaram quase 200 empregados) e a redução de diretorias (de 14, o corpo diretivo passou a reunir oito representantes).

O mais recente balanço do BRB apresentado na última segunda-feira (13/11) à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) demonstra que, nos últimos três meses, o banco estatal alcançou o índice mais baixo nas Despesas de Intermediação Financeira, com redução de 39,7%, se comparados o terceiro trimestre de 20117 com o mesmo período do ano passado. Essas despesas estão relacionadas com recursos obtidos no mercado local por meio de Depósitos a Prazo (CDBs e DPGEs), Depósitos Interfinanceiros, entre outras operações.

Em entrevista ao Metrópoles, o presidente do BRB, Vasco Cunha Gonçalves, repercutiu os resultados do balanço, comentou sobre as ações para recompor a retirada do Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev) e falou sobre os próximos desafios da instituição. Confira:

No acumulado do ano, o BRB cresceu?
Sim. Crescemos 6% nos últimos nove meses. O lucro acumulado foi de R$ 162,1 milhões. Neste mesmo período do ano passado, somávamos R$ 150 milhões.

Qual a importância de um banco estatal ser financeiramente sadio?
Com resultados positivos, podemos atender melhor a população, ir até onde for necessário. Hoje, somos os primeiros a chegar ao Riacho Fundo, Estrutural e Vicente Pires. Além disso, 96% das ações do BRB são do GDF. O lucro acumulado, que nos últimos nove meses já soma R$ 162,1 milhões, será dividido entre os acionistas. Temos a obrigação legal de distribuir, no mínimo, 25% desse saldo, mas no ano passado, chegamos a partilhar 50% do lucro líquido. Significa dizer que o GDF já pode contar até agora com R$ 40 milhões do BRB referentes ao exercício de 2017.

Tony Winston/Agência Brasília
Como o BRB atuou para reduzir a inadimplência e o número de superendividados?
As regras para empréstimos ficaram mais rígidas, por isso perdemos um pouco nas operações de crédito, que recuaram em 5%. No entanto, nosso índice de inadimplência é o mais baixo do mercado. Está menor do que o previsto pelo Sistema Financeiro Nacional. Chegamos a 3% – a média do SFN é de 3,6%. Em 2015, para se ter uma ideia, o percentual atingiu 4,5%, considerado muito alto. Não podíamos continuar com aquela política de deixar o cliente acumular empréstimos, cheque especial, isso não se sustenta. Era preciso ter uma seleção, educar o nosso cliente, foi o que fizemos.

O crédito imobiliário teve um crescimento de 5% no trimestre. Isso significa uma recuperação da economia?
Sim. A economia começa a dar sinais de crescimento. Já observamos clientes que estão planejando construções para daqui a dois anos. As demandas voltaram. Trabalhamos com financiamento de construções e com a compra do imóvel.

O BRB reduziu despesas internas, como custo com pessoal e administrativo?
 De 2015 até os dias atuais, foram 200 desligamentos. Fizemos dois planos de demissão voluntária (PDVs). Além disso, reduzimos as diretorias do banco, de 14 para oito. Isso significou 40% a menos na folha de pessoal. Hoje, temos 3,2 mil funcionários. Também diminuímos a quantidade de horas extras dos servidores, revimos os contratos com fornecedores e realizamos novas licitações.

A instabilidade na folha de pagamento do GDF, especialmente nos dois primeiros anos de governo, impactou o banco estatal?
Hoje, 44,5% dos nossos clientes são servidores públicos e 55,5%, espontâneos. A perspectiva de parcelamento de salário, por exemplo, nos obrigaria a readequar a negociação de empréstimos, por exemplo, com cada cliente. O fato é que este fantasma está cada vez mais distante de nós.

Quando as ações do BRB – previstas para recompor a retirada de R$ 493,5 milhões do Iprev – serão incorporadas ao instituto?
Tivemos que contratar uma empresa por meio de licitação para avaliar quanto vale o banco. Entregamos documentos, fizemos todos os trâmites legais. O resultado desse trabalho está previsto para sair na primeira quinzena de dezembro. O GDF tem 96% das ações e vai repassar ao Iprev o percentual correspondente ao montante autorizado pela Câmara Legislativa. Assim, teremos um novo sócio, o que considero bastante positivo.

Quais são os desafios do BRB daqui para frente?
Com números tão positivos, considero que nosso maior desafio é não ficar para trás no quesito mobilidade. Em agosto, o banco lançou a versão atualizada do aplicativo para mobile; aumentou a segurança e a eficiência dos parques tecnológicos com a troca de mais de 700 máquinas em todo o país. Em 2013, o banco ficou uma semana fora do ar, até hoje tem gente que me aborda lembrando de um fato tão antigo. Isso não pode acontecer, porque mancha a reputação da instituição. Temos a meta de nos tornarmos cada vez mais eficientes e seguros. E a tecnologia é a chave para essa evolução. O sistema financeiro passa por um momento de transformação nesse sentido e estamos nos adequando a essas mudanças. Em breve, trabalharemos também com a biometria.

Arte/Metrópoles  

 

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