Avó de comprador da Naskar e ex-donos da fintech têm contas bloqueadas
Juiz que determinou bloqueio entendeu que havia risco grave de investidores não terem mais acesso ao próprio dinheiro

Além do empresário Douglas Silva de Oliveira, 26 anos, comprador da fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda, outras pessoas ligadas à instituição financeira tiveram as contas bloqueadas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Entre os alvos está a avó dele, Célia Fátima de Ferreira, 77, para quem Douglas passou a propriedade da Naskar um mês após anunciar a compra.
Os três ex-sócios da Naskar, Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, também tiveram contas bloqueadas. O trio foi preso nessa quarta-feira (22/7). O Metrópoles revelou o caso com exclusividade.
Outras sete empresas ligadas à Naskar, entre elas a 7Trust Finance e a Next Instituição de Pagamento, também estão proibidas de fazerem movimentações financeiras.
TJSP bloqueou as contas das empresas investidas de forma urgente após um investidor lesado mover ação judicial. O bloqueio visa assegurar os valores do cliente enquanto os processos continuam tramitando.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles DFResponsável pela decisão, o juiz Nelson Jorge Júnior, da 13ª Câmara de Direito Privado do TJSP, entendeu que havia um risco grave de o autor da ação judicial não ter mais acesso ao dinheiro por ele investido na Naskar.
Veja quem e quais empresas tiveram as contas bloqueadas:
- Jose Mauricio Volpato (Maurício Jahu): ex-sócio da Naskar, é o rosto de maior projeção pública do grupo. Maurício é ex-jogador profissional de vôlei da Seleção Brasileira e atuou por 20 anos na imprensa como apresentador da ESPN Brasil;
- Rogério Vieira: com perfil mais discreto, Rogério aparece em registros empresariais da Naskar e de outras empresas ligadas ao setor de soluções financeiras e participações;
- Marcelo Liranco Arantes: ex-sócio da Naskar, atuava na retaguarda da administração e gestão da fintech e empresas ligadas ao grupo desde a formação da sociedade;
- Douglas Silva de Oliveira Azara: surge como comprador da Naskar após o Metrópoles revelar o caso. Depois de promessas não cumpridas de que os clientes seriam pagos, repassou a responsabilidade da fintech para a avó;
- Célia de Fatima Ferreira: avó de Douglas, assumiu o controle da Naskar em junho deste ano. A viúva é moradora de Uberlândia (MG) e aparece como sócia de outras empresas ligadas ao neto;
- Naskar Gestão de Ativos Ltda: acusada de fraudar R$ 900 milhões de investidores, é a principal empresa do caso em tela;
- Celcoin Instituição de Pagamento S.A.: atuava como banco garantidor da Naskar;
- Nexco Consultoria de Valores Mobiliários e Planejamento Financeiro Ltda: atuava como distribuidora e intermediária de investimentos da Naskar;
- Family Office Daytona Administracao e Participacoes S S Ltda: fintech que tem Rogério Vieira como sócio-administrador, é apontada em decisões judiciais como parte de um esquema de confusão patrimonial e possível blindagem de bens ligada à Naskar;
- Volpato Administração e Participações S/S Unipessoal Ltda: empresa ligada ao ex-jogador de vôlei Maurício Volpato;
- 7trust Finance Instituição de Pagamento S/A: funcionava como braço operacional de pagamentos para as operações da Naskar;
- Next Holding Financeira Ltda: empresa que faz parte do grupo Naskar.
Prisão
Durante operação da Polícia Civil do DF (PCDF), o trio de ex-sócios da Naskar foi preso, nessa quarta-feira (22/7). em São Paulo (SP), por suspeita de envolvimento na fraude da fintech. Eles são acusados de terem causado prejuízo superior a R$ 900 milhões a cerca de 3 mil investidores em todo o país.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles DF
Frequência de envio: Diário
Ver todasQuanto ao bloqueio nas contas de Douglas Silva de Oliveira, o Metrópoles apurou que foram confiscados R$ 75 milhões. A decisão foi tomada na última terça-feira (21/7), um dia antes da prisão dos ex-sócios.
Douglas se mudou para Dubai, nos Emirados Árabes, na semana passada. Nas redes sociais, ele alega estar “de férias”.
Modus operandi
A investigação da PCDF aponta que a empresa captava recursos de clientes com a promessa de rentabilidade de 2% ao mês, percentual acima do praticado pelo mercado. A empresa atuou por cerca de 13 anos até interromper, em maio deste ano, o pagamento dos rendimentos aos investidores.
A Naskar chegou a ter sede no Distrito Federal e, posteriormente, passou a funcionar em um endereço fixo em São Paulo.
Na época, clientes passaram a relatar que não conseguiam contato com os responsáveis pela empresa e, dias depois, o aplicativo da fintech saiu do ar.



