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Distrito Federal

Avó de comprador da Naskar e ex-donos da fintech têm contas bloqueadas

Juiz que determinou bloqueio entendeu que havia risco grave de investidores não terem mais acesso ao próprio dinheiro

23/07/2026 10:11, atualizado 23/07/2026 10:29
Arte Metrópoles
Avó de comprador da Naskar e ex-donos da fintech têm contas bloqueadas

Além do empresário Douglas Silva de Oliveira, 26 anos, comprador da fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda, outras pessoas ligadas à instituição financeira tiveram as contas bloqueadas pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Entre os alvos está a avó dele, Célia Fátima de Ferreira, 77, para quem Douglas passou a propriedade da Naskar um mês após anunciar a compra.

Os três ex-sócios da Naskar, Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, também tiveram contas bloqueadas. O trio foi preso nessa quarta-feira (22/7). O Metrópoles revelou o caso com exclusividade.

Outras sete empresas ligadas à Naskar, entre elas a 7Trust Finance e a Next Instituição de Pagamento, também estão proibidas de fazerem movimentações financeiras.

TJSP bloqueou as contas das empresas investidas de forma urgente após um investidor lesado mover ação judicial. O bloqueio visa assegurar os valores do cliente enquanto os processos continuam tramitando.

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Responsável pela decisão, o juiz Nelson Jorge Júnior, da 13ª Câmara de Direito Privado do TJSP, entendeu que havia um risco grave de o autor da ação judicial não ter mais acesso ao dinheiro por ele investido na Naskar.


Veja quem e quais empresas tiveram as contas bloqueadas:

  • Jose Mauricio Volpato (Maurício Jahu): ex-sócio da Naskar, é o rosto de maior projeção pública do grupo. Maurício é ex-jogador profissional de vôlei da Seleção Brasileira e atuou por 20 anos na imprensa como apresentador da ESPN Brasil;
  • Rogério Vieira: com perfil mais discreto, Rogério aparece em registros empresariais da Naskar e de outras empresas ligadas ao setor de soluções financeiras e participações;
  • Marcelo Liranco Arantes: ex-sócio da Naskar, atuava na retaguarda da administração e gestão da fintech e empresas ligadas ao grupo desde a formação da sociedade;
  • Douglas Silva de Oliveira Azara: surge como comprador da Naskar após o Metrópoles revelar o caso. Depois de promessas não cumpridas de que os clientes seriam pagos, repassou a responsabilidade da fintech para a avó;
  • Célia de Fatima Ferreira: avó de Douglas, assumiu o controle da Naskar em junho deste ano. A viúva é moradora de Uberlândia (MG) e aparece como sócia de outras empresas ligadas ao neto;
  • Naskar Gestão de Ativos Ltda: acusada de fraudar R$ 900 milhões de investidores, é a principal empresa do caso em tela;
  • Celcoin Instituição de Pagamento S.A.: atuava como banco garantidor da Naskar;
  • Nexco Consultoria de Valores Mobiliários e Planejamento Financeiro Ltda: atuava como distribuidora e intermediária de investimentos da Naskar;
  • Family Office Daytona Administracao e Participacoes S S Ltda: fintech que tem Rogério Vieira como sócio-administrador, é apontada em decisões judiciais como parte de um esquema de confusão patrimonial e possível blindagem de bens ligada à Naskar;
  • Volpato Administração e Participações S/S Unipessoal Ltda: empresa ligada ao ex-jogador de vôlei Maurício Volpato;
  • 7trust Finance Instituição de Pagamento S/A: funcionava como braço operacional de pagamentos para as operações da Naskar;
  • Next Holding Financeira Ltda: empresa que faz parte do grupo Naskar.

Prisão

Durante operação da Polícia Civil do DF (PCDF), o trio de ex-sócios da Naskar foi preso, nessa quarta-feira (22/7). em São Paulo (SP), por suspeita de envolvimento na fraude da fintech. Eles são acusados de terem causado prejuízo superior a R$ 900 milhões a cerca de 3 mil investidores em todo o país.

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Quanto ao bloqueio nas contas de Douglas Silva de Oliveira, o Metrópoles apurou que foram confiscados R$ 75 milhões. A decisão foi tomada na última terça-feira (21/7), um dia antes da prisão dos ex-sócios.

Douglas se mudou para Dubai, nos Emirados Árabes, na semana passada. Nas redes sociais, ele alega estar “de férias”.

Modus operandi

A investigação da PCDF aponta que a empresa captava recursos de clientes com a promessa de rentabilidade de 2% ao mês, percentual acima do praticado pelo mercado. A empresa atuou por cerca de 13 anos até interromper, em maio deste ano, o pagamento dos rendimentos aos investidores.

A Naskar chegou a ter sede no Distrito Federal e, posteriormente, passou a funcionar em um endereço fixo em São Paulo.

Na época, clientes passaram a relatar que não conseguiam contato com os responsáveis pela empresa e, dias depois, o aplicativo da fintech saiu do ar.