Assassino de Thalita Berquó é condenado a 29 anos de prisão no DF
João Paulo Teixeira foi condenado pelo Tribunal do Júri do Guará por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menores
atualizado
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O Tribunal do Júri do Guará condenou, nesta quinta-feira (14/5), João Paulo Teixeira da Silva a 29 anos 11 meses e 23 dias em regime fechado pelo assassinato de Thalita Marques Berquó Ramos, 36 anos. A mulher foi morta e esquartejada em 13 de janeiro de 2025 em uma invasão no Parque Ecológico Ezechias Henringer. O crime é considerado um dos mais bárbaros do Distrito Federal.
O réu foi condenado por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menores. Além de João, dois jovens envolvidos na morte de Thalita respondem por ato infracional análogo a homicídio.
Os jurados entenderam que João Paulo participou diretamente do homicídio e acolheram as três qualificadores apontadas pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT): motivo fútil, emprego de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
A sentença aponta que o crime teria sido motivado por uma discussão envolvendo drogas. Conforme o juiz Marcos Francisco Batista, Thalita reclamou da qualidade do entorpecente fornecido pelos envolvidos e exigiu a devolução do celular que teria sido entregue como pagamento.
Segundo a decisão, os jurados reconheceram que Thalita foi morta entre os dias 13 e 14 de janeiro de 2025, em uma área de mata próxima ao córrego localizado abaixo do 4º Batalhão da Polícia Militar, no Guará II. A vítima foi atingida com golpes de faca, pedras e pedaços de madeira.
Thalita teve a cabeça e as pernas arrancadas e jogadas pelos assassinos em um córrego da região. O tronco foi enterrado na área.
Nos dias que se seguiram ao crime, a cabeça e as pernas de Thalita foram encontradas na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Companhia Ambiental de Saneamento do Distrito Federal (Caesb), no Setor de Clubes Esportivos Sul (SCES), próximo à Vila Telebrasília.
Na dosimetria da pena, o magistrado destacou que o condenado é multirreincidente e estava em livramento condicional no momento do assassinato. O juiz citou condenações anteriores por furto qualificado, roubo e tentativa de homicídio, além de maus antecedentes.
Ao manter a prisão em regime fechado, o juiz afirmou que João Paulo demonstra “manifesta periculosidade” e que a soltura dele poderia causar “intranquilidade e insegurança à comunidade do Guará”.
A defesa de João havia pedido a absolvição do réu no crime de homicídio qualificado, alegando que ele não participou da morte de Thalita. O defensor público que o representou também solicitou a absolvição nos crimes de corrupção de menores, afirmando que as condutas atribuídas ao acusado não configuram esse tipo de crime.
Em relação à destruição e ocultação do cadáver, a defesa afirmou que João Paulo não participou da destruição do corpo, mas admitiu a participação dele na ocultação, com base na confissão apresentada no processo. Como pedido alternativo, os advogados requereram a retirada das qualificadoras do homicídio.
João Paulo confessou ocultação
Durante depoimento, João Paulo negou envolvimento direto no assassinato da vítima, apesar dos dois adolescentes envolvidos no crime terem apontado sua participação no homicídio.
O assassino disse que, no dia dos fatos, presenciou Thalita e os outros dois réus usando drogas na invasão. Horas depois, um dos jovens teria o abordado pedindo ajuda para enterrar o corpo da vítima.
“Cheguei no local e os adolescentes falaram que Thalita tentou esfaqueá-los e, por conta disso, mataram ela. O corpo estava todo cortado. Pegamos um cobertor, enrolamos partes do corpo e levamos no carrinho de mão para enterrar. Em momento nenhum agredi a vítima”, alegou.
Antes de ser esquartejada, Thalita foi esfaqueada pelos autores e atingida por golpes de pau e pedra. De acordo com os menores infratores, João Paulo teria participado da morte da vítima a golpeando com as pauladas e pedradas.
Segundo o criminoso, ele teria aceitado ajudar a ocultar o corpo da mulher para não atrapalhar o tráfico de drogas que ocorria na invasão, visto que um homicídio no local chamaria a atenção da polícia.
Briga por dívida de drogas
O primeiro autor identificado pelos investigadores foi um dos adolescentes, que revelou onde o tronco de Thalita havia sido enterrado. A partir das informações fornecidas, os policiais localizaram a parte do corpo da vítima na área da invasão.
Posteriormente, João Paulo Teixeira e um segundo adolescente foram apontados como participantes do homicídio.
De acordo com a investigação, Thalita teria usado drogas no local e entregado o celular como forma de pagamento. Em seguida, houve um desentendimento porque ela quis recuperar o aparelho e chegou a cuspir no rosto de um dos adolescentes envolvidos.
De acordo com o delegado responsável pelas investigações, os menores esfaquearam a vítima, enquanto João Paulo a teria agredido com pedaços de madeira e pedras.
Um dos menores envolvidos confessou que esquartejou a vítima com faca de açougueiro e descartou parte dos membros do corpo em um córrego.














