As dívidas das empresas ligadas a Daniel Vorcaro com a União
Vorcaro foi preso no âmbito de operação policial que apura suspeitas de crimes financeiros, suborno a agentes públicos e “milícia privada”
atualizado
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Preso em Brasília, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tem, pelo menos, quatro empresas ligadas a ele com registro na dívida ativa com a União. Somados, os débitos chegam a quase R$ 1 milhão.
Vorcaro foi detido durante operação policial que apura suspeitas de crimes financeiros, pagamentos indevidos a agentes públicos e a existência de uma estrutura paralela de monitoramento, descrita por investigadores como uma espécie de “milícia privada”.
O Metrópoles apurou que entre os CNPJs ligados ao ex-banqueiro e citados na lista de devedores está o Banco Master S/A, que encontra-se em liquidação extrajudicial. Ele acumula R$ 100.876,08 em pendências com o fisco. Segundo dados disponibilizados pela Receita Federal, Vorcaro é o presidente da instituição, registrada, inicialmente, com capital social de R$ 3,7 milhões.
O banco de Vorcaro é investigado por supostamente criar e tentar vender carteiras de crédito e fundos falsos, sem lastro. O montante chegaria a R$ 12 bilhões.

Uma segunda empresa ligada a Daniel e incluída na dívida ativa é a Pacific Realty SA. No CNPJ há, pelo menos, 41 inscrições por falta de pagamento. O valor, somado, chega a R$ 827.010,70. Desses, R$ 473,3 mil correspondem a débitos tributários e R$ 353,6 mil a débitos previdenciários.
Antes de ser preso, Vorcaro figurava como representante legal da companhia. Agora, Henrique Moura Vorcaro e Natalia Bueno Vorcaro Zettel – pai e irmã do ex-banqueiro, respectivamente, aparecem no quadro societário da empresa.
No contato principal da companhia é citado o nome “Grupo Multipar”, uma holding de investimentos com sede em Belo Horizonte e fundada há 35 anos pela família Vorcaro. A principal atividade da companhia, segundo dados públicos, é incorporação imobiliária.

A terceira empresa do ex-bancário registrada na dívida ativa é a Viking Participações LTDA. Uma das principais companhias utilizadas por Vorcaro para compra de jatinhos e imóveis milionários, a Viking tem Daniel como sócio e capital social de R$ 100 milhões. Apesar disso, foi colocada na dívida ativa por dever R$ 2.570,42 de tributos à União.
Uma quarta empresa vinculada Vorcaro e que aparece na lista de devedores é a Gestacar Gestão de Negócios LTDA, utilizada pelo banqueiro para intermediação e agenciamento de serviços e negócios. Encerrada, a Gestacar foi colocada na lista de devedores por não pagar ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) o valor de R$ 1.065,90
Veja:
Prisão
O dono do Banco Master foi preso em 4 de fevereiro no âmbito da “Compliance Zero”, da Polícia Federal. A operação foi deflagrada para coibir irregularidades na instituição financeira envolvendo a venda de títulos de crédito falsos.
A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O cunhado de Vorcaro, o empresário Fabiano Campos Zettel, também foi detido.
Entre as acusações que recaem sobre Vorcaro está o plano de silenciar, com violência, jornalistas e funcionários que ele via como opositores, além de espionar adversários e tentar cooptar dois diretores do Banco Central (BC).
Um dos pontos centrais de uma fala de Vorcaro à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) seria exatamente a divisão interna no BC durante o julgamento do Master e as “relações não institucionais” envolvendo os “donos do setor financeiro no Brasil” e os “donos das canetas”.
A prisão de Daniel ocorreu no mesmo dia em que o ex-banqueiro deveria prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, no Senado Federal. Ele foi detido e levado para a Penitenciária Federal de Brasília.
Prisão na PF
Nessa quinta-feira (19/3), Vorcaro foi transferido do Presídio Federal para a Superintendência da Polícia Federal (PF), também em Brasília.
A mudança foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, a pedido da defesa, e já integra as tratativas em torno de um possível acordo de colaboração premiada.
Nos bastidores, fontes ligadas à investigação indicam que o banqueiro sinalizou disposição para colaborar com as autoridades, oferecendo informações consideradas relevantes para o avanço do inquérito.
A transferência para a Superintendência da PF é vista como um movimento estratégico. No local, Vorcaro ficará mais próximo das equipes responsáveis pela investigação, o que deve facilitar a realização de depoimentos e a condução das negociações.
O outro lado
O Metrópoles tentou contatar a defesa de Daniel Vorcaro, mas não obteve retorno até a última atualização do texto. As defesas de Henrique Moura Vorcaro e Natalia Bueno Vorcaro Zettel não foram identificadas. O espaço segue aberto para futuras manifestações.




