Armados, grileiros agiam como milicianos e extorquiam vítimas no DF

Grupo chegava a emitir boletos para ter o controle das pessoas que pagavam "mensalidades" em assentamento de São Sebastião

PCDF/DivulgaçãoPCDF/Divulgação

atualizado 20/05/2019 11:22

Grileiros presos em operação da Delegacia Especial de Proteção ao Meio Ambiente e à Ordem Urbanística (Dema) da Polícia Civil tinham práticas semelhantes à de milicianos que atuam no Rio de Janeiro. Armados, construíam barricadas nas entradas de um assentamento de São Sebastião, ameaçavam e extorquiam as vítimas. E ainda emitiam boletos para que elas pagassem taxas caso quisessem permanecer em área pública.

A nova fase da operação Grito da Terra foi deflagrada na manhã desta segunda-feira (20/05/2019). A ação dá sequência à investida da última sexta-feira (17/05/2019), quando sete pessoas foram presas. Um homem está foragido.

De acordo com a polícia, o grupo era tão articulado que chegava a emitir boletos de pagamento para ter o controle das pessoas que pagavam as “mensalidades”. Os criminosos diziam que os valores eram taxas correspondentes a cada lote ocupado no assentamento de São Sebastião.

A primeira fase da operação ocorreu em abril deste ano. Na ocasião, o homem considerado pela Polícia Civil como um dos maiores invasores de terras públicas do Distrito Federal foi preso em São Sebastião. Alexandre Luiz Xavier de Almeida (foto), 49 anos, é apontado como líder da quadrilha investigada pela PCDF e considerado “um criminoso de altíssima periculosidade”.

Além de Alexandre, outros quatro integrantes da associação criminosa foram presos no fim de abril. O líder do grupo responde por homicídio, tráfico de drogas e roubo nos estados de Minas Gerais e Goiás.

Após a primeira fase da operação, as vítimas da quadrilha procuraram a delegacia. Segundo elas, com a prisão de Alexandre, outros integrantes do grupo assumiram a liderança, retornaram ao Assentamento Grito da Terra Aguilhada, localizado na região do Pinheiral, em São Sebastião, intensificando as extorsões e as ameaças.

Os criminosos atuavam de maneira semelhante à de milícias, com uso ostensivo de armas e construções de barricadas nas entradas do assentamento para que permanecessem ali apenas aqueles que aceitavam as regras por eles impostas e efetuavam os pagamentos exigidos como uma espécie de mensalidade pelos lotes

Mariana Araújo Almeida, delegada-chefe-adjunta da Dema

Ainda de acordo com a Dema, todos os investigados são de alta periculosidade e já se tornaram réus pelos crimes de parcelamento irregular do solo, dano ambiental, extorsão majorada continuada, coação no curso do processo, corrupção de menores e associação criminosa armada.

No Distrito Federal, o grupo é investigado por envolvimento em roubos. Os criminosos também são suspeitos de praticar crimes nos Estados de Goiás e Minas Gerais, onde estão envolvidos em um homicídio.

Memória
O grupo liderado por Alexandre Luiz Xavier de Almeida atuava principalmente em São Sebastião. Os acusados extorquiam os moradores da região do Pinheiral, sob o argumento de que as terras, que são públicas e localizadas na Área de Proteção Ambiental do Rio São Bartolomeu, lhes pertenciam.

De acordo com a delegada Mariana Araújo Almeida, trata-se de um acampamento vinculado a alguns movimentos de luta pela reforma agrária. “Os suspeitos se diziam líderes, tomavam frente da situação e expulsavam as pessoas do local”, disse.

“Eles não atuavam com a venda de lotes, mas no assentamento de grupos relacionados a eles e depois passavam a extorquir pessoas ao cobrar taxas aleatórias para que os moradores pudessem permanecer ali”, acrescentou a delegada.

As investigações apontam que cerca de 200 pessoas ocupavam a área e as taxas mensais variavam de R$ 50 a R$ 100. A delegada Fernanda Lopes, da Dema, responsável por conduzir as investigações, explicou que a maior parte dos componentes do grupo tem diversas passagens por outros crimes.

 

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