Após nascimento prematuro, mãe espera 22 dias para conhecer o filho
Natanael nasceu em abril, quando a mãe teve pré-eclâmpsia grave e precisou de uma cesárea de urgência. Novembro é o mês da prematuridade
atualizado
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Após um parto complicado e 22 dias longe do recém-nascido, Arlete Lima de Oliveira, 37 anos, comemorou a chegada do filho em casa. Natanael Feitosa de Sousa só recebeu alta em maio, depois de ficar quase um mês internado no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), pois precisava do balão de oxigênio para respirar. A criança chegou a ter uma parada cardiorrespiratória e precisou permanecer isolada da família.
A história de Arlete e Nataniel marca o Novembro Roxo, mês em homenagem aos recém-nascidos. Dia 17, é celebrado o Dia Mundial da Prematuridade.
Conheça o pequeno:
O parto de emergência de Arlete ocorreu na 34ª semana de gestação, quando ela começou a sentir fortes dores abdominais e teve diagnóstico de síndrome de HELLP, uma pré-eclâmpsia grave, além de sintomas da Covid-19. Com as complicações, a diarista precisou passar por uma cesárea.
“Quando eu cheguei ao hospital, eles perceberam que eu estava muito mal. Tive de fazer uma cesárea com corte vertical. Não é normal, mas foi necessário, porque tanto eu quanto o bebê corríamos risco”, relembra a moradora de Águas Lindas.
Arlete e o bebê tiveram vários problemas. O pequeno Natanael saiu da barriga direto para a incubadora, enquanto a mãe teve hemorragia pós-parto e ficou com líquido nos pulmões. Ela precisou ser transferida para o Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib) e passou 14 dias internada em uma unidade de terapia intensiva (UTI), sem nunca ter visto o rosto do filho.
Com a recuperação, a diarista recebeu alta do hospital e voltou para casa, mas ainda sem o pequeno. O bebê continuava internado em estado grave no Hran, e a mãe só podia vê-lo por chamada de vídeo devido ao risco de infecção pela Covid-19.
“Eu sabia que meu filho estava sendo bem-cuidado, e eu precisava me cuidar também, para ser melhor para ele. O mais difícil foi, após a alta, voltar para casa sem meu filho nos braços. Quando a gente sai de casa com o filho no ventre, você espera voltar com ele nos braços. Mas, de alguma forma, Deus me confortou”, emociona-se Arlete.
Prematuridade em números no DF
A 34ª semana é a penúltima semana em que o nascimento de um bebê é considerado prematuro. Nesse momento, as complicações ou a falta de desenvolvimento podem estar associadas ao parto antecipado. De acordo com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, de junho a setembro de 2020, 1.388 crianças nasceram prematuras de 32 a 36 semanas de gestação. Em 2021, foram 1.131, no mesmo período.
Da 28ª semana de gravidez até a 31ª, o número é menor no DF. Em 2020, foram 136 crianças, de junho a setembro. Neste ano, no mesmo espaço de tempo, a quantidade foi ainda menor: 121 bebês prematuros.
Em casa
Arlete contou ao Metrópoles que se emocionou muito ao finalmente levar o filho para casa. Mas o sentimento de apreensão ainda não acabou. Apesar de prematuro, o bebê Natanael nasceu com 2 kg, considerado grande para a idade gestacional.
De acordo com Arlete, os médicos suspeitam de que a criança sofra de macroglossia, conhecida como síndrome da língua grande e síndrome de Beckwith-Wiedemann (BWS), doença genética caracterizada por sobrecrescimento e má-formação congênita.
Apesar das suspeitas, a mãe explica que o filho é saudável e tem bom desenvolvimento. “Ainda não temos um diagnóstico, mas, se tiver mesmo, ele vai ser um bebê grande, uma criança grande e um adulto grande. A língua também se desenvolve fora da boca, é muito grande”, explica Arlete.
Agora, a mulher espera ser chamada pela rede Sarah Kubitschek para realizar os exames de genética na criança e receber um diagnóstico das possíveis síndromes. “Meu filho renasce todos os dias. É uma criança saudável. Não foi um bebê planejado, mas é muito amado, cuidado e é um milagre para nós”, afirmou ao Metrópoles.
Novembro Roxo
No Distrito Federal, 3.770 crianças nasceram antes da hora em 2020. Até setembro deste ano, o número era de 3.376. De acordo com o médico neonatologista do Hospital Universitário de Brasília (HUB) José Alfredo Lacerda, a causa do parto prematuro está associada à má assistência pré-natal, hipertensão, diabetes e, eventualmente, trabalho de parto prematuro por causas inespecíficas.
“Os riscos são diversos para a mãe e o bebê. A criança pode adquirir uma doença respiratória grave, processos infecciosos, problemas gastrointestinais e até morrer. A questão do peso varia muito, o prematuro nasce bem menor, porque o crescimento acontece na 38ª semana de gravidez e, óbvio, o prematuro não chega lá para se desenvolver tanto”, explica o médico.
O neonatologista ressaltou que as más-formações congênitas, em geral, não estão associadas à prematuridade. Além disso, a macroglossia pode se manifestar de maneira isolada ou em mães diabéticas. Mesmo com os riscos, é possível que o prematuro se desenvolva bem e seja completamente saudável.













