Após humilhação, garis são convidados para almoço em outro restaurante

Ao saber do caso, donos do Faz Bem Casa Vegana decidiram receber os trabalhadores do SLU que "não puderam sentar" para se alimentar

atualizado 22/08/2020 17:24

Arquivo pessoal

Sensibilizado com a história dos garis Jackson Gabriel Dias Ribeiro e Cláudia Gomes Batista, que, com a fiscal do Serviço de Limpeza Urbano (SLU) Maria Fátima Dias, teriam sido impedidos de almoçar no Restaurante Brasil na última terça-feira (18/8), um outro estabelecimento na Asa Sul convidou o trio para uma refeição. O convite partiu do Faz Bem Casa Vegana, cuja uma das unidades fica na 311 Sul, quadra vizinha ao do restaurante onde ocorreu o caso.

Thiago Dutra Vilela, um dos fundadores da Casa, considera a situação pelo qual os garis dizem ter passado inaceitável em qualquer lugar. “Mas, quando vi que era do lado da Faz Bem, percebi que podia fazer alguma coisa real para demonstrar solidariedade a essas pessoas”, destaca Vilela. O Restaurante Brasil fica na 312 Sul.

“Até pela proximidade do local [onde os trabalhadores não puderam sentar] e o tipo de trabalho que os garis efetuam, acredito que eles possam estar sempre pela região e queremos mostrar que há locais ali onde eles serão muito bem recebidos”, destaca o empresário.

Segundo Vilela, em conversa com um dos sócios foi lembrado que duas garis não veganas costumam almoçar sempre na unidade da Asa Norte do restaurante. “É muito triste pensar que talvez elas frequentem o espaço porque nos outros estabelecimentos não permitam a sua presença”, ressalta Thiago Dutra Vilela.

“É um problema que eu vejo também acontecendo com entregadores de aplicativo, né? Às vezes o trabalhador presta um serviço para o restaurante e não deixam nem ele usar o banheiro”, lamenta.

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O caso

Durante o horário de almoço, na última terça-feira, os trabalhadores do SLU Jackson Gabriel Dias ribeiro, Cláudia Gomes Batista e Maria Fátima Dias foram até o Restaurante Brasil, na quadra 312 Sul, para almoçar. Segundo o relato dos profissionais de limpeza, uma mulher informou que eles não poderiam sentar-se à mesa “para não constranger os outros clientes que chegassem lá para comer.”

“Eu comprei três marmitas e um refrigerante. Perguntei: ‘Posso sentar aqui’? A mulher informou que não, pois, se outros clientes que fossem comprar vissem a gente sentado não iriam querer sentar lá, algo assim que ela quis falar”, relata a fiscal do SLU Fátima Dias.

Procurada pelo Metrópoles, a dona do restaurante, Vânia Costa, contou que tudo não passou de um “mal-entendido”. “Ontem (terça), às 10h30, chegaram três pessoas aqui no restaurante perguntando se tinha marmitex, pois foi colocado uma promoção a R$ 10. A ideia é que a pessoa leve a marmita para viagem”, contou.

O intuito da promoção, ainda de acordo com Vânia, é evitar aglomeração no estabelecimento, por conta da pandemia do novo coronavírus. No entanto, o restaurante abre somente às 11h. “Foi perguntado para a funcionária se havia como fazer três marmitas, pois os trabalhadores estavam trabalhando no fim da quadra e ficaria longe para retornarem depois”, conta.

Logo depois, a funcionária verificou com a cozinha se havia como preparar os pedidos e levou para os garis. Ainda segundo Vânia, logo depois, o trio perguntou se poderia consumir no local e a funcionária respondeu: “Não, pois a marmita pronta é apenas para viagem”.

Ela disse que Fátima teve uma “reação estranha”. E teria dito: “Você não quer que nós comemos aqui, porque somos garis, por causa da nossa roupa”.

Vânia conta que procurou a fiscal posteriormente para falar que poderia comer no estabelecimento. Entretanto, ela recusou. “Eu nenhum momento foi falado que ela não poderia sentar aqui por que os clientes se sentiriam constrangidos. Nunca que a menina [funcionária] falou isso”, destaca.

“A marmita é para viagem, ela entendeu errado. Não foi por discriminação. Em nenhum momento, discriminamos qualquer pessoa. Nunca tratamos nenhum cliente mal”, frisou a empresária.

Ameaças

Após o caso tomar grande proporção nas redes sociais, Vânia afirma que procurou a Polícia Civil do Distrito Federal e registrou um Boletim de Ocorrência. “Falaram que iriam entrar aqui e dar um tiro na cara do gerente. Eu fiquei com medo e fui na delegacia”, revela.

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