Após denúncia de abandono, GDF faz esforço para revitalizar Biblioteca Nacional de Brasília
Em regime de emergência, foi criado um grupo envolvendo diversos órgãos como Novacap, Secretaria de Turismo e Vice-Governadoria para tentar resolver os problemas do prédio
atualizado
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O abandono da Biblioteca Nacional de Brasília, mostrado pela reportagem do Metrópoles, motivou um esforço de diversos órgãos do GDF para restaurar o espaço – inaugurado em 2008. A Vice-Governadoria, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), a Secretaria de Turismo e a Secretaria de Cultura realizarão pequenos arranjos sem impacto orçamentário.
“O primeiro objetivo é recuperar o quanto antes o ar-condicionado e permitir o funcionamento dos computadores no prédio”, explica o diretor da instituição, Antônio Miranda.
Um dos andares será ocupado por algum setor da administração do GDF, para facilitar o pagamento de contas básicas, como luz, telefone e água. “Temos que manter funcionando o que ainda está de pé e, aos poucos, resgatar o que se perdeu”, diz o vice-governador, Renato Santana.No lado de fora do prédio, o plano prevê a recuperação da iluminação externa e o aumento da fiscalização de estacionamentos irregulares nos meio-fios próximos ao local. Todas as melhorias estão previstas para começar neste mês.
Descaso
Quem chega à Biblioteca Nacional se depara com um cenário de completo abandono. As catracas, que antes controlavam a entrada de pessoas (e saída de livros), estão desativadas e os corredores, famosos por terem imagens projetadas nas paredes, no escuro.
Para chegar ao segundo andar do prédio, onde ficam as primeiras salas de estudos e estantes de livros, o visitante deve subir 54 degraus de escadas, já que os quatro elevadores estão parados por falta de manutenção.

Sem ar-condicionado, o calor abafa o ambiente (ao meio-dia fica impossível permanecer no local por mais de uma hora). Água pra refrescar? Melhor levar a própria garrafa – filtro até tem, mas sem galão de água.
Quem vai ao local passa aperto na hora de ir ao banheiro. No masculino, existe apenas um mictório funcionando. No das mulheres, vê-se espelhos completamente mofados e pias quebradas.
As salas voltadas para inclusão digital, que um dia tiveram computadores para os visitantes utilizarem, foi desativada. No terceiro andar, uma nova surpresa. A coleção Brasiliana, composta por peças de pesquisadores estrangeiros e nacionais, encontra-se lacrada. Como as obras ainda não foram catalogadas por falta de servidores, elas não podem ser vistas.
Aliás, 70 mil obras do atual acervo de 100 mil livros da biblioteca não foram catalogadas por falta de servidores e, portanto, não podem ser colocadas à disposição do público. No quarto e último andar, o pavimento que seria dedicado a receber obras raras da instituição virou um grande salão de entulhos.
