Após 76 dias fechado, comércio de rua reabre no DF com pouco movimento

Mesmo tomando uma série de medidas para os clientes poderem comprar com tranquilidade, lojistas dizem que demanda não voltou ao normal

atualizado 26/05/2020 15:23

Retorno do comércio de rua no DF com pandemia do coronavírusHugo Barreto/Metrópoles

Com a reabertura de mais atividades no comércio do Distrito Federal, o Metrópoles foi às ruas da capital nesta terça-feira (26/05) e constatou baixa procura por parte de clientes. A suspensão do setor foi definida como medida para evitar a disseminação do novo coronavírus.

Na 308/309 Sul, a maioria das lojas estava de portas abertas. Os compradores só podem entrar usando máscara de proteção facial. Os comerciantes disponibilizam álcool em gel e há limite de pessoas dentro dos estabelecimentos.

Rilary Mota, 22 anos, é vendedora em uma loja de embalagens e presentes. “Nós estávamos ansiosos para reabrir. Infelizmente, o movimento ainda é fraco e não sabemos quando irá voltar 100% ao normal”, assinalou.

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A alternativa, segundo ela, é vender on-line e fazer entregas. “Aqui na loja só entra um cliente por vez. E apenas eu estou trabalhando, justamente para não corrermos risco de contaminação.”

Por volta das 12h, a aposentada Elizabeth Burgardt, 57, foi ao estabelecimento a fim de adquirir um produto. “Não estou frequentando o comércio de forma alguma. Vim excepcionalmente para comprar esse presente e já estou indo embora. É a primeira vez que vou em uma loja desde o início da pandemia”, disse.

Aos shoppings, afirma Elizabeth, ela não pretende ir tão cedo. Mas pontua que o comércio local passou no teste. “Fui muito bem atendida. Se eu tivesse chegado e houvesse outras pessoas dentro do estabelecimento, não teria entrado. Nem no mercado estou indo”, frisou.

Delivery

Vendedora de uma loja de chocolates, que preferiu não se identificar, disse que as unidades da rede estavam funcionando em regime delivery e, a partir desta terça, voltaram a receber os clientes pessoalmente.

“Fixamos um compartimento de álcool em gel na porta e limitamos a entrada das pessoas. O movimento está bem atípico. Pouquíssimos entraram no recinto desde a hora que abrimos”, relatou a mulher.

De acordo com a vendedora, apenas duas funcionárias estão trabalhando no local. “Também limitaram o nosso contato aqui dentro. Estamos em duas. Eu já fiz o teste rápido para a Covid-19 e a nossa outra funcionária vai fazê-lo ainda hoje.”

Anésio Neri Santana, 63, trabalha na comercial da 308/309 Sul como sapateiro há 30 anos. Ele conta que, após dois meses de isolamento social, resolveu voltar ao seu ponto na segunda-feira (25/05).

“É triste ver esta quadra assim. O movimento caiu mais de 90%. Esse vírus trouxe a decadência financeira para a nossa cidade. Enquanto não tiver saída, teremos que conviver com os danos.”

Shoppings

A partir desta quarta-feira (27/05), os shoppings da cidade também serão reabertos. A situação trouxe um problema: fila gigantesca de comerciários se forma na Quadra 504 Sul para testes gratuitos de coronavírus nesta terça (26/05).

Pessoas próximas uma das outras, com máscaras, esperam para serem atendidas na unidade do Serviço Social do Comércio (Sesc). A fila dá volta no quarteirão. O teste é uma exigência para a retomada das atividades. A instituição informou que a Federação do Comércio (Fecomércio) fez parceria com o GDF para disponibilizar 500 testes rápidos e gratuitos, diariamente, aos funcionários de todo o comércio da capital da República.

Por causa da alta procura, será realizado um total de 1 mil testes nesta terça, segundo informou o diretor-regional do Sesc, Marco Túlio Chaparro. “No entanto, se houver uma demanda um pouco maior, por dia, será possível realizar o exame. A Fecomércio também oferta outro tipo de teste em parceria com um laboratório na 913 Sul, com desconto de 50%”, destacou.

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