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Distrito Federal

Aparelhos de guerra encontrados em GO foram comprados em leilão no DF

Aparelhos da década de 1960 foram encontrados em um ferro-velho de Anápolis (GO). A versão sobre a origem dos equipamentos será apurada

20/06/2026 14:21
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Paulo de Tarso/Prefeitura de Anápolis
Aparelhos de guerra encontrados em GO foram comprados em leilão no DF

Uma denúncia anônima levou autoridades a isolarem um ferro-velho em Anápolis (GO), nessa quinta-feira (18/6), após a localização de equipamentos de guerra com aparelhos de raio-X. O local foi interditado por precaução, mas a suspeita inicial de emissão de radiação foi descartada após avaliação técnica da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen).

De acordo com a Prefeitura de Anápolis, os proprietários do ferro-velho informaram que os objetos foram adquiridos em lote de um leilão realizado em Brasília há cerca de 10 anos. A versão fornecida pelos donos da sucata é investigada.

Veja fotos dos equipamentos de guerra:

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O caso será encaminhado ao Exército, à Polícia Civil e à Polícia Federal, que irão atuar no rastreamento da origem e do percurso feito pelos equipamentos militares até o ferro-velho.

A Vigilância Sanitária e o Corpo de Bombeiros foram acionados pela Defesa Civil e, no local, encontraram quatro caixas equipadas com aparelhos de raio-X portátil, provavelmente da década de 1960.

De acordo com a prefeitura, a área foi isolada até a chegada de um físico da Cnen, seguindo o protocolo de segurança. Técnicos do Cnen também aferiram o local e constataram que os equipamentos não emitiam radiação.

Nessa sexta-feira (19/6), os materiais foram recolhidos e isolados em uma sala da Vigilância Sanitária de Anápolis.

A prefeitura também informou que os proprietários do ferro-velho terão até 15 dias para apresentar documentação de origem dos raios-x.

Origem norte-americana

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), tranquilizou a população do município e explicou as medidas adotadas pelo município.

Segundo ele, o equipamento encontrado é um antigo aparelho militar fabricado nos Estados Unidos na década de 1960. À época em que foi produzido, o aparelho teria como destino o Vietnã.

A inspeção preliminar apontou a presença de inscrições industriais e códigos de inventário de uso militar nas caixas, entre eles o número 6525-601-3680.

O prefixo 6525 é comumente associado a sistemas logísticos de catalogação de defesa voltados a equipamentos de imagem médica e hospitalar, como aparelhos de raio-X. Esse tipo de codificação faz parte de padrões internacionais de controle de materiais utilizados por forças armadas, incluindo aqueles adotados em sistemas da Otan.

Também foram encontradas as inscrições “Control Unit & Tube Trans” (Unidade de Controle e Transmissor de Tubo) e o brasão do Medical Corps (Corpo Médico), com as iniciais “U.S.”. As marcações são compatíveis com equipamentos de raio-X portátil de uso militar, historicamente empregados em hospitais de campanha a partir da década de 1950.

Ainda de acordo com Correia, assim que a prefeitura tomou conhecimento da situação, os órgãos competentes foram acionados para realizar os procedimentos de segurança e avaliação técnica.

As primeiras verificações indicaram que os equipamentos possuem tecnologia capaz de detectar radiação gama, mas dependem de alimentação elétrica para funcionamento.

Acidente com Césio-137

O caso despertou preocupação por remeter à memória do acidente com o Césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987, considerado o maior acidente radiológico do mundo fora de uma usina nuclear.

À época, um aparelho de radioterapia abandonado foi retirado do antigo prédio do Instituto Goiano de Radioterapia e levado para um ferro-velho.

Ao desmontar o equipamento, trabalhadores tiveram contato com a cápsula que continha Césio-137. O material radioativo foi fragmentado e acabou sendo levado para diferentes locais.

A desmontagem do aparelho abandonado provocou a contaminação de mais de mil pessoas e resultou na morte de quatro vítimas.

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