Anemia hemolítica: entenda doença rara que matou jovem chef de cozinha

Atresia biliar, transplante e anemia hemolítica foram a sequência que levou à morte de Igor Ataíde

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Arte/Metrópoles
sangue (2)
1 de 1 sangue (2) - Foto: Arte/Metrópoles

A morte do chef de cozinha Igor de Paula Ataíde, de 30 anos, nessa quinta-feira (17/7), em Brasília, chamou atenção para uma doença rara e grave: a anemia hemolítica autoimune. Nessa condição, o sistema imunológico — que normalmente protege contra infecções — passa a atacar e destruir as próprias células vermelhas do sangue, responsáveis por levar oxigênio aos tecidos.

Embora incomum, a anemia hemolítica já causa centenas de mortes todos os anos no Brasil. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (DATASUS) mostram que, entre 2017 e 2022, foram registrados 4.798 óbitos pela doença.


Entenda o caso:

  • Nasceu com um defeito raro chamado atresia biliar – o fígado não estava conectado corretamente ao sistema digestivo.
  • Passou por cirurgia ainda bebê para tentar corrigir o problema.
  • Precisou de transplante de fígado após a cirurgia inicial, obtido por doação cadavérica.
  • Após o transplante, viveu cerca de 10 anos com o novo órgão.
  • Anos depois, desenvolveu anemia hemolítica autoimune, doença que faz o corpo destruir suas próprias células vermelhas do sangue.
  • Passou a precisar de transfusões frequentes, chegando a precisar de pelo menos duas bolsas de sangue por dia.
  • Uma campanha foi lançada para mobilizar doações de sangue O+ para ajudar Igor.
  • Foi internado na UTI do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, onde faleceu na tarde de 17 de julho de 2025.

Segundo o médico hepatologista Adriano Moraes, especialista em transplantes do Hospital Sírio-Libanês, a anemia hemolítica que matou o chef tem relação direta com o transplante de fígado que ele havia feito anos antes, por causa de outra doença rara: a atresia biliar.

A atresia biliar é uma má formação congênita dos canais que ligam o fígado ao intestino, chamados vias biliares. Esses canais transportam a bile, substância essencial para a digestão. Quando a bile não escoa para o intestino, acumula-se no fígado, causando inflamação progressiva, fibrose e, eventualmente, falência do órgão.

“É uma condição genética rara, mas não tão incomum para quem trabalha em transplantes. O bebê já nasce com esses canais entupidos ou malformados. A cirurgia inicial tenta corrigir o problema, mas em cerca de 80% dos casos o fígado acaba sendo destruído e o transplante se torna necessário”, explica Moraes

A cirurgia inicial, chamada Kassai, é feita nos primeiros meses de vida para criar um desvio e permitir que a bile chegue ao intestino. No entanto, com o tempo, o fígado geralmente vai se deteriorando, e um novo órgão é necessário.

A complicação após o transplante

Depois do transplante, o corpo do paciente precisa ser impedido de rejeitar o novo órgão. Para isso, são usados medicamentos chamados imunossupressores, que diminuem a atividade do sistema imunológico. O problema é que esse mesmo efeito pode desregular as defesas do corpo, fazendo com que ele ataque células saudáveis, como as hemácias, as células vermelhas do sangue.

Essa reação é chamada anemia hemolítica autoimune. Segundo Moraes, a doença destrói as hemácias mais rápido do que o corpo consegue produzir, levando a uma anemia grave.

“Para impedir que o corpo rejeite o fígado novo, precisamos reduzir a atividade imunológica. Mas isso pode desequilibrar a defesa do organismo, que começa a destruir as próprias hemácias”, explica o médico.

Os sintomas típicos são cansaço extremo, falta de ar, tontura, palidez e, em casos graves, icterícia (pele e olhos amarelados). O tratamento combina corticoides para tentar reduzir a reação autoimune e transfusões frequentes para repor as células do sangue destruídas. Em casos como o do chef, transfusões diárias são necessárias para manter níveis seguros de hemoglobina.

“É uma complicação rara, mas conhecida por nós que trabalhamos com transplantes. O tratamento é difícil, e os casos mais graves podem ser fatais”, completa Moraes.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comDistrito Federal

Você quer ficar por dentro das notícias do Distrito Federal e receber notificações em tempo real?