Ameaçada por extremistas de direita, professora da UnB deixa o DF

Debora Diniz chegou a registrar uma ocorrência na Delegacia da Mulher no início do mês, mas, temendo por sua vida, decidiu se mudar

atualizado 20/07/2018 7:36

Beto Monteiro/Secom UnB

A professora Debora Diniz, da Universidade de Brasília (UnB), deixou o Distrito Federal após sofrer ameaças de morte de grupos de extrema-direita na saída de um evento na quarta-feira (18/7). Defensora da descriminalização do aborto e dos direitos das mulheres, a pesquisadora é referência em bioética e foi reconhecida como uma das cem mais importantes pensadoras do mundo, devido ao seu trabalho sobre as grávidas que contraíram o zika vírus.

No início do mês, Denise registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Brasília, por conta das ameaças recebidas. A reportagem entrou em contato com a Deam para mais informações, mas a chefia de plantão não autorizou o acesso ao documento.

O caso provocou comoção nas redes sociais e diversas manifestações de indignação e solidariedade. A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou uma nota em que repudia as ameaças à defensora dos direitos humanos e da mulher.

O Sistema das Nações Unidas no Brasil expressa preocupação e repudia as manifestações de ódio e ameaças direcionadas à pesquisadora e professora da Universidade de Brasília (UnB) Debora Diniz. Ativista de longa data pela saúde pública e universal, é internacionalmente reconhecida por seu trabalho e ativismo em questões relacionadas à saúde e direitos sexuais e reprodutivos das mulheres

ONU

O Centro Acadêmico de Direito da UnB divulgou uma nota de apoio à professora (confira abaixo).

Políticos, entidades e militantes de direitos humanos também se manifestaram:

 

Convite do STF
As ameaças ocorreram poucos dias antes de uma audiência pública convocada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para discutir o aborto. Debora Diniz, a pedido da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, era uma das convidadas. As sessões estão marcadas para os dias 3 e 6 de agosto.

Também participarão da audiência representantes do Ministério da Saúde e grupos vinculados a igrejas evangélicas e católica, bem como entidades de saúde e conselhos profissionais. Cada expositor terá 20 minutos para sua argumentação.

O Metrópoles tentou contato com a doutora Debora Diniz por telefone e WhatsApp, mas ela não retornou os contatos até a publicação desta reportagem.

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