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Literatura

“Cadeia: Relatos Sobre Mulheres” reflete sobre a população carcerária feminina

A obra de Debora Diniz mostra que, além da privação de liberdade, os presídios são “máquinas de abandono”

05/10/2015 05:30, atualizado 05/10/2015 13:31
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Agência Brasil
“Cadeia: Relatos Sobre Mulheres” reflete sobre a população carcerária feminina

Depois de passar seis meses no Presídio Feminino do Distrito Federal (Colmeia), ouvindo as narrativas de 700 mulheres, a pesquisadora e antropóloga Debora Diniz decidiu registrar parte daquelas histórias. Assim, nasceu “Cadeia: Relatos Sobre Mulheres”, livro que, em 50 capítulos, mostra as dores, as alegrias e a esperança das prisioneiras.

Apesar de cada uma carregar uma história distinta — há jovens, idosas, migrantes e estrangeiras –, existem características que ajudam a criar um perfil das detentas. Muitas já passaram por abrigos e reformatórios, e a maioria é preta, pobre, tem filhos e foi condenada por tráfico de drogas.

Esse é um dos méritos da obra: ao mostrar uma parte da realidade que está atrás das grades, ela grita sobre a urgência de políticas públicas que reestruturem o sistema carcerário brasileiro. A estrutura atual é machista, racista e ineficaz ao tentar reintegrar as mulheres que saem da cadeia.

O uniforme laranja das presidiárias é a única semelhança com a o seriado “Orange Is The New Black”. Afinal, existe um abismo entre a ficção norte-americana e a realidade brasileira. Todo descaso já citado soma-se à alimentação, à higiene e ao sistema de saúde, todos precários dentro das prisões.

Debora Diniz nos revela tantas situações adversas que seria injusto pensar num ranking e classificar o que é pior dentro da cadeia. Porém, após 224 páginas, é possível imaginar o que há de mais doloroso: a solidão. Ao atravessar o portão da penitenciária (em qualquer cidade do país), muitas mulheres são abandonadas pelas famílias. Pais, mães, companheiros. Até filhos cortam relações com as prisioneiras e nos fazem entender porquê as cadeias são chamadas de “máquinas de abandono”.