Alerta no DF: sem chuvas, reservatórios de água voltam a baixar

Em outubro, choveu apenas 12% do esperado pelos meteorologistas. População deve economizar água

atualizado 14/11/2019 10:43

Michael Melo/Metrópoles

As chuvas registradas no Distrito Federal neste fim ano não foram suficientes para manter os principais reservatórios da cidade operando com sua capacidade plena. A época de precipitações, formada pelos meses de outubro, novembro e dezembro, até essa quinta-feira (14/11/2019), havia registrado números muito abaixo dos calculados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Com a escassez, as bacias que abastecem a capital começam a apresentar queda no volume de água, ligando o alerta para a necessidade de economia no consumo do recurso.

Para se ter uma ideia, o Inmet previa que, em outubro, tivesse chovido no Distrito Federal o equivalente a 159,8 mm de água – valor referente à média dos últimos 30 anos. Ocorre, no entanto, que o período registrou níveis surpreendentes: choveu apenas 19,8 mm, ou seja, 12% do esperado.

Em novembro, o cenário tem se repetido. Os especialistas calculavam 226,9 mm de chuva. Contudo, há quase 15 dias do final do mês, só 24% da meta havia sido cumprida, cerca de 54,2 mm.

A seca tem causado consequências aos reservatórios. Nessa quarta-feira (13/11/2019), a unidade do Descoberto, responsável por 60% do abastecimento da capital, registrou a pior porcentagem do ano, de 62,4%.

O cenário é um pouco melhor na reserva de Santa Maria, que também tem diminuído consideravelmente o seu volume. Atualmente, sua capacidade está 85,4% preenchida.

Os valores estão longe das médias computadas na maior crise hídrica do DF, quando o Descoberto atingiu 18,5% da sua capacidade e Santa Maria apresentou 30,1% do volume total. Mesmo assim, técnicos alertam que os números atuais apontam a necessidade de economia no consumo d’água.

“É preciso estimular a economia dentro de casa e nas instalações prediais. Isto não significa estocar água, mas ponderar o uso. O ideal seria a própria Caesb [Companhia de Saneamento Ambiental] iniciar uma campanha para estimular o consumo consciente, onde o consumidor saia premiado com descontos na conta, por exemplo”, explica o professor da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em gestão de recursos hídricos Demetrios Christofidi.

Christofidi aponta outra forma de economia. “Se você fechar um pouco o registro, a pressão já diminui e, consequentemente, a dosagem do consumo também. É uma alternativa simples e eficiente. Outro caminho seria a instalação dos chamados controladores de pressão, ou seja, instrumentos que propiciam menor consumo e desperdício, como as novas descargas e torneiras automáticas por exemplo”.

Racionamento no DF

Há dois anos, o DF sofreu com a maior crise hídrica de sua história. Nunca antes na capital os reservatórios haviam computado volumes tão baixos: o Descoberto baixou a 18,5%, enquanto o de Santa Maria chegou a 30,1%. Os baixos níveis levaram Caesb e a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Adasa) a adotar política de racionamento de água para reduzir o consumo do recurso.

Para contornar a crise, os órgãos contaram com a ajuda de dois novos sistemas de abastecimento para suprir a demanda: Lago Paranoá e Bananal. O primeiro tem capacidade para captar 700 litros de água por segundo no braço do Torto, no Lago Paranoá. A estrutura fica na ML 4, no Setor de Mansões do Lago Norte. Trata-se de uma estação compacta de tratamento de água com membranas de ultrafiltração, uma das mais modernas tecnologias.

Depois, a água vai para dois reservatórios: um no Lago Norte e outro no Paranoá. Os locais abastecidos pelo subsistema são Asa Norte, Itapoã, Lago Norte, Paranoá, parte de Sobradinho II e Taquari.

O Bananal, por sua vez, permitiu um reforço de 726 litros por segundo para o Sistema Produtor Santa Maria-Torto. O investimento foi de R$ 20 milhões, do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste, do Banco do Brasil.

Cerca de 170 mil pessoas foram beneficiadas com as intervenções, que incluem captação no Ribeirão Bananal e bombeamento para a Estação de Tratamento de Água de Brasília.

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