Águas Claras: médica acha em casa inseto transmissor da Doença de Chagas

Vigilância Sanitária visitou o apartamento e confirmou tratar-se de um barbeiro. No DF, mais de 200 são encontrados por ano

atualizado 23/10/2020 22:26

barbeiro águas clarasReprodução/Redes sociais

Moradora de Águas Claras, a médica Eridan Stefanelli levou um susto ao passar pela sala do apartamento da família, na quinta-feira passada (15/10). Caminhando pelo cômodo, a residente do Instituto de Cardiologia do DF deparou-se com um inseto semelhante a um barbeiro, propagador da doença de Chagas, que pode causar desde febre a arritmia cardíaca.

Com cuidado, Eridan capturou o animal e acionou a Vigilância Ambiental, que confirmou se tratar de um barbeiro. Após o ocorrido, a agência realizou exames e, nessa segunda-feira (19/10), descobriu que o bicho carregava o Trypanosoma cruzi, protozoário causador da doença. Os moradores do apartamento fizeram exames sorológicos para saber se houve contaminação e aguardam os resultados.

Em publicação feita em uma página de moradores do bairro numa rede social, Eridan conta morar num andar alto e próximo ao Parque de Águas Claras. A experiência na área de saúde foi crucial para que ela reconhecesse o inseto, que, segundo a Vigilância Ambiental, pode ter aparecido, justamente, da zona de mata próxima ao prédio da médica.

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Hábitos noturnos

Cinco espécies de barbeiro podem ser encontrados em quase todas as cidades do DF. De 2007 a 2019, houve o registro de 2,7 mil desses insetos, sendo que 97% dos casos foram registrados em zona rural, segundo a Secretaria de Saúde do DF (SES-DF). Isso significa que, em média, 225 barbeiros são encontrados por ano na capital federal.

De acordo com o Programa de Vigilância Entomológica dos Triatomíneos, da Vigilância Ambiental, os barbeiros têm hábitos noturnos e são atraídos às residências pela luminosidade. A alimentação consiste, basicamente, de sangue, humano ou animal, e a infecção ocorre, normalmente, quando o inseto deposita as fezes na pele da vítima, enquanto se alimenta. Por causa da picada, a pessoa coça a área, arranhando a pele, que é quando o protozoário presente nos excrementos do inseto entram na corrente sanguínea.

A SES-DF destaca, contudo, que esse é um processo complexo, e não é porque o barbeiro tem o parasita que a pessoa picada será infectada pela doença de Chagas. O nome da doença é atribuído ao seu descobridor, Carlos Chagas, cientista brasileiro indicado duas vezes ao prêmio Nobel de Medicina.

Caso encontre um barbeiro, a Vigilância Ambiental orienta a não esmagar o animal, o que pode ajudar a espalhar as fezes contaminadas no ambiente. De preferência, tente a captura do inseto e entre em contato com a Vigilância Ambiental, pelo telefone 2017-1344.

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