“Agora posso ter paz”, diz irmã de vítima da chacina sobre condenações
Emocionada, Paula Graziane Belchior, irmã da vítima Renata Belchior (foto em destaque), disse estar aliviada com a condenação dos réus
atualizado
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Os últimos minutos do julgamento do caso que ficou conhecido como a maior chacina do Distrito Federal, nesse sábado (18/4), foi tomado por muita emoção. Na plateia, parentes das vítimas acompanharam com muita expectativa e nervosismo a sentença que, depois de três anos, condenou os cinco réus envolvidos no extermino de 10 pessoas pertencentes às famílias delas.
A decisão condenatória começou a ser efetivamente lida por volta de 22h50. Quando o relógio bateu 0h, Gideon Batista de Menezes, Horácio Carlos Ferreira Barbosa, Carlomam dos Santos Nogueira, Fabrício Silva Canhedo e Carlos Henrique Alves da Silva já haviam sido punidos com penas que variaram de 2 a quase 400 anos de prisão.
Emocionada, Paula Graziane Belchior, irmã da vítima Renata Belchior (foto em destaque), disse que agora “finalmente pode ter paz”. “Hoje eu me sinto aliviada sabendo que eles [réus] estão presos de verdade. Durante esses três anos, nós [familiares] nos sentíamos presos e com medo. Agora, graças a Deus, foi feito justiça”, declarou, com os olhos marejados.
“Eu tenho certeza que onde ela [Renata] estiver, vai estar feliz com o resultado. Eu me sinto muito feliz. Agora posso deitar minha cabeça sabendo que eles [réus] não serão soltos nunca mais. Agora posso ter paz”, pontuou.
Segundo Paula, ter de olhar para o rosto dos envolvidos na morte da irmã dela ao longo de seis dias de julgamento causaram nela sentimento de muita dor e raiva. “Foram dias de muito aperto no coração de saber que uma pessoa acabou com a sua família sem demonstrar qualquer tipo de arrependimento”, detalhou.
Quando o juiz leu a sentença, por outro lado, a mulher disse ter conseguido sentir alívio depois de tantos anos. “Foi uma sensação de muito alívio. De um peso saindo do peito. Mesmo com todas as provas, ficávamos com medo de que eles [réus] fossem absolvidos. Por isso nos sentíamos presos. Mas hoje eu estou saindo daqui com o coração muito feliz, alegre e aliviado” finalizou.
Tribunal do Júri
O julgamento teve início na segunda-feira (13/4) e durou seis dias. No total, foram ouvidos depoimentos de 18 testemunhas, declarações dos cinco réus e debates entre Ministério Público e defesas.
A sentença condenatória dos réus foi proferida nesse sábado (18/4), mais de três anos após a execução do crime bárbaro ocorrido entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023. Os cinco homens responderam pelo envolvimento no extermínio de 10 integrantes de uma mesma família.
Confira os crimes pelos quais os envolvidos foram condenados:
Gideon Batista de Menezes: apontado como o mentor do crime, Gideon foi condenado por 10 homicídios qualificados, ocultação e destruição de cadáver, corrupção de menores, sequestro e cárcere privado, extorsão mediante sequestro, constrangimento ilegal com uso de arma, associação criminosa e roubos.
A pena total estipulada a ele foi de 397 anos, oito meses e quatro dias de reclusão.
Horácio Carlos Ferreira Barbosa: considerado a segunda mente por trás dos crimes, Horácio foi condenado por 10 crimes de homicídio qualificado, ocultação e destruição de cadáver, corrupção de menores, extorsão mediante sequestro, sequestro e cárcere privado, constrangimento ilegal com uso de arma, associação criminosa, roubos e fraude processual.
No total, ele deverá cumprir 300 anos, seis meses e dois dias de reclusão.
Carlomam dos Santos Nogueira: segundo o Ministério Público, Carlomam teve participação direta nos sequestros e nas mortes. Ele foi condenado por 10 homicídios, extorsão mediante sequestro, corrupção de menor, ocultação e destruição de cadáver, sequestro e cárcere privado, ameaça com uso de arma, associação criminosa, constrangimento ilegal com uso de arma e roubos.
A pena determinada a Carlomam foi de 351 anos, um mês e quatro dias de reclusão.
Fabrício Canhedo Silva: condenado por cinco homicídios qualificados, extorsão mediante sequestro, ocultação e destruição de cadáver, corrupção de menores, associação criminosa, roubos, corrupção de menores e fraude processual.
A pena definida para Fabrício foi de 202 anos, seis meses e 28 dias de reclusão.
Carlos Henrique Alves da Silva: condenado por sequestro. Pena estipulada em 2 anos de reclusão.
Entenda o caso
- Entre outubro de 2022 e janeiro de 2023, os acusados se associaram para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã (DF), e também para obter dinheiro da família de Marcos Antônio Lopes de Oliveira. O plano inicial previa matar Marcos e sequestrar seus familiares.
- Em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo foi à casa da vítima, rendeu Marcos, a esposa e a filha, e roubou cerca de R$ 49,5 mil. As três vítimas foram levadas para um cativeiro no Vale do Sol, em Planaltina (DF), onde Marcos foi morto e enterrado.
- No dia seguinte, as mulheres foram ameaçadas e obrigadas a fornecer senhas de celulares e contas bancárias. Com os aparelhos, os criminosos começaram a se passar pelas vítimas para atrair outros familiares.
- Entre 2 e 4 de janeiro, a ex-esposa de Marcos, Cláudia da Rocha, e a filha Ana Beatriz foram atraídas, rendidas e levadas ao mesmo cativeiro.
- O grupo decidiu matar Thiago, filho de Marcos, e o atraiu ao local em 12 de janeiro. Ele também foi rendido e mantido em cárcere. Com acesso ao celular de Thiago, os criminosos atraíram a esposa dele, Elizamar, junto com os três filhos do casal.
- Eles foram levados a Cristalina (GO), onde foram mortos. Os corpos foram queimados dentro do carro da vítima. Em seguida, os acusados decidiram matar as demais vítimas para evitar que os crimes fossem descobertos.
- Renata e Gabriela foram levadas a Unaí (MG), onde foram mortas e tiveram os corpos queimados. Depois, Cláudia, Ana Beatriz e Thiago também foram assassinados e tiveram os corpos escondidos em uma cisterna.
- Após os crimes, parte do grupo incendiou objetos das vítimas para dificultar as investigações.
Disputa por terreno de R$ 2 milhões
Um terreno no Itapoã (DF), avaliado em R$ 2 milhões, teria motivado os assassinos a arquitetarem a morte de 10 pessoas. O local tem cachoeira privativa, ampla área de pastagem de gado e cerca de cinco hectares – equivalentes a 50 mil metros quadrados.
O plano seria assassinar toda a família e tomar posse do imóvel, sem deixar nenhum herdeiro vivo. O terreno, no entanto, nem sequer pertencia à vítima, o patriarca da família, Marcos Antônio Lopes de Oliveira, o primeiro a ser brutalmente morto. A chácara era alvo de disputa judicial desde 2020, na qual os verdadeiros donos tentam recuperar a área.
Veja imagens do local antes da invasão
Veja imagens do local após a invasão
Os integrantes da família foram atraídos para emboscadas e assassinados um a um. São eles:
- Marcos Antônio Lopes de Oliveira – patriarca.
- Renata Juliene Belchior – esposa de Marcos.
- Gabriela Belchior de Oliveira – filha do casal.
- Thiago Gabriel Belchior de Oliveira – filho do casal.
- Elizamar da Silva – esposa de Thiago.
- Rafael (6 anos), Rafaela (6) e Gabriel (7) – filhos de Thiago e Elizamar.
- Cláudia da Rocha Marques – ex-companheira de Marcos.
- Ana Beatriz Marques de Oliveira – filha de Marcos e Cláudia.
Execução do crime
A primeira ação ocorreu em 27 de dezembro de 2022, quando Marcos, a esposa dele, Renata, e a filha Gabriela foram rendidos dentro de casa. O grupo roubou R$ 49,5 mil das vítimas e levou os três para um cativeiro em Planaltina. Marcos foi morto logo depois, enquanto as duas permaneceram vivas.
A partir daí, os criminosos passaram a usar os celulares das vítimas para se passar por elas e atrair outros integrantes da família. Nos dias seguintes, Cláudia e Ana Beatriz foram enganadas, sequestradas e levadas ao mesmo cativeiro.
Depois, o grupo atraiu Thiago, filho de Marcos, que também foi rendido. Com acesso ao celular dele, os criminosos chegaram até a esposa de Thiago, Elizamar, que foi atraída junto com os filhos.








































