Advogado do DF lança livro com experiência de adoção homoafetiva

José Barreto Hotten, 46, casado com José Alexandre, 50, escreveu a experiência da adoção do primeiro filho. Lançamento aconteceu em março

atualizado 02/05/2021 12:16

Imagem cedida ao Metrópoles

Ter um filho para estreitar o elo e formar uma família é o sonho de muitos casais, incluindo os formados por homossexuais. A adoção tem se tornado um caminho cada vez mais comum. No Brasil, existe, hoje, milhares de crianças e adolescentes à espera de um lar, de acordo com o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), do Cadastro Nacional de Adoção (CNA).

Pela legislação brasileira, não existe qualquer diferença no processo de adoção por casais gays. Assim, não há estatística que mostre quantos casais formados apenas por homens ou apenas por mulheres adotaram crianças no país.

O ritual segue o mesmo protocolo: inscrição, curso de preparação, avaliação psicossocial dos pretendentes, entrevista técnica, inscrição na fila de adoção, estágio de convivência e adoção definitiva.

Sonho da paternidade

Ter um filho era o sonho de um casal natural de João Pessoa (PB) que mora na capital do país desde 1998. O advogado José Barreto Hotten, 46 anos, e o historiador e músico José Alexandre Lucena Barbosa de Arruda, 50, conseguiram se tornar pais em maio de 2019.

“Depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a adoção por casais homoafetivos, em 2011, decidimos começar a tentar efetivar o sonho da paternidade. Essa ideia já rondava as nossas vidas, mas nunca tínhamos engatado com a vontade. Depois do casamento, ficamos mais seguros para seguir esse caminho”, explicou Barreto.

Casados desde 2012, eles se inscreveram na fila da adoção, em Brasília, em 2013, e aguardaram cerca de cinco anos e meio até poderem adotar o pequeno Bernardo Lucena Barbosa de Arruda, que fará 2 anos na próxima semana.

Veja fotos da família:

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Segundo o advogado, ele e o marido acompanhavam a fila e faziam os cálculos, em média, para saber quando Bernardo chegaria à casa deles.

“O procedimento ocorre da mesma maneira para qualquer pessoa que deseja adotar. Não sentimos qualquer tipo de distinção ou discriminação e preconceito durante o processo. Nós tínhamos noção de quantas posições andávamos na fila por semestre, pois íamos à Vara da Infância e da Juventude (VIJ), com certa frequência, e isso diminuiu a ansiedade”, detalhou José Barreto.

“Quando ele chegou, no entanto, tudo o que havíamos programado como racional, mudou. O sentimento que ele trouxe foi lindo e intenso. A rotina ficou melhor”, relatou o pai.

As experiências da família, a cada novo passo do filho, fizeram com que o casal se reinventasse. “São diversos momentos de redescobrir a nossa criança interna. Uma verdadeira reviravolta. Muitas coisas acontecem de uma única vez. O filho nos coloca em um novo campo emocional e de comportamento. Isso é muito especial”, acrescentou.

Assista ao vídeo com momentos da família:

Receita de uma nova vida

A experiência da adoção do primeiro filho foi transformada em livro. O título “Master Pai – Receita de uma nova vida”, de autoria de Barreto, foi lançado on-line, devido à pandemia do novo coronavírus, em março deste ano.

Master Pai é um livro cuja simplicidade fala com pessoas diversas, numa linguagem que descreve o cotidiano dos novos pais e a pureza das emoções geradas por bebês nos adultos. Ele desperta o interesse de quem se conecta com o mundo da paternidade, da adoção e da curiosidade sobre o dia a dia de um casal homoafetivo na criação de seu primeiro filho.

Segundo Barreto, na obra estão reunidas publicações feitas em sua rede social privada, @jbhotten, desde a notícia da chegada de seu filho até o final do processo de adoção, com o recebimento da nova certidão de nascimento, e as descobertas posteriores. Tudo narrado pelo pai.

“A cada novo sentimento e descoberta, eu parava para escrever. A ideia era compartilhar com os amigos. As pessoas começaram a gostar e me incentivaram a colocar tudo em um livro. Eu entendi então que tinha um material ali, que eu poderia reunir em uma publicação”, contou o advogado.

Veja um dos posts publicados sobre a obra no Instagram:

O livro foi estruturado em duas partes. Para ambientar as publicações, a primeira contém um pequeno resumo de quem é o autor e seu marido e de como aconteceu a ideia da adoção por essa família, cujo perfil é cada vez mais comum no Brasil. Fala sobre o respeito que devem à genitora do seu primogênito, do amor da família estendida e da necessidade de ressignificar a adoção.

A segunda parte começa com a chegada de Bernardo à sua casa definitiva. O espaço de sentimentos e sensações que o autor nunca imaginou ter existido ou, quando muito, supôs estar escondido em um lugar já desconhecido em seu inconsciente.

“O objetivo é informar as pessoas sobre todo o processo e sobre a paternidade homoafetiva para diminuir o preconceito sobre esses temas. Os retornos foram no sentido de sentir junto comigo, pessoas que se emocionaram ao ler. Estou muito feliz. Com isso, eu consigo dar voz a esses temas importantes mas que ainda são tabus. Espero que o livro voe o mais longe que ele puder, que muitas pessoas possam ouvir o que ele tem para dizer, ver o que ele tem para mostrar e sentir junto comigo as experiências vividas”, completa José Barreto.

A obra está disponível no site da Arte Impressa Editora e em diversas plataformas de lojas on-line do Brasil, além de sua versão e-book na Amazon Kindle.

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