Advogado acusado de decapitar cães apresenta laudos e alega inocência

Segundo documentos, gravação apresentada como suposta prova para o indiciamento seria "falsa" e teria sido "produzida artificialmente"

atualizado 23/12/2021 18:16

Cães decapitadosReprodução

Acusado pelo assassinato e decapitação de cinco cães, o advogado criminalista Augusto Oliveira, de 30 anos, afirma ser inocente e vítima de armação. A Polícia Civil de Goiás (PCGO) indiciou o jurista pelo crime de maus-tratos a partir de depoimentos e apresentação de gravação com a suposta confissão do crime. No entanto, com o respaldo de três laudos técnicos, Oliveira assegura que o áudio é falso.

A PCGO concluiu o inquérito do caso em 9 de novembro. Do ponto de vista da polícia, os depoimentos e os áudios mostraram que o motivo do crime seria uma suposta disputa patrimonial com a madrasta.

Em entrevista ao Metrópoles, o advogado apresentou os laudos produzidos pela fonoaudióloga clínica e forense, Maria Inês Beltrati Cornacchioni Rehder; pelo perito e engenheiro Carlos Roberto Fernandes e o mentalista Rodrigo Armani. Segundo os três documentos, a voz na gravação não pertenceria à Augusto Oliveira. A documentação também foi entregue para a avaliação do Ministério Público de Goiás (MPGO).

Segundo o parecer técnico pericial produzido por Maria Inês Rehder, a estrutura harmônica da gravação seria bem diferente da voz de Oliveira. A análise também flagrou indícios de divergências espectrográficas, a exemplos de diferença na quebra de sonoridade. De acordo com a especialista, inclusive, o áudio teria origem de um gravador. Ou seja, não teria partido de qualquer meio de comunicação ou smartphone, mas gravado artificialmente.

Conforme o laudo produzido por Carlos Roberto Fernandes, a dicção e a pronúncia de diversas palavras na gravação também não pertenceriam ao advogado. O estudo percebeu diferenças em fonemas e no espectro da voz. O “r” e o “a” pronunciados no áudio não bateriam com a voz de Oliveira. Segundo o laudo, as diferenças com saltos de intensidade nos fonemas corroboram com a tese de que o advogado não teria protagonizado a gravação.

Rodrigo Armani empregou conceitos de neurolinguística a técnica do Espelhamento Verbal para analisar a gravação. O especialista identificou sinais de diferenças na velocidade da fala, no tom de voz e na pronúncia.

“Em minha análise as características citadas apresentam diferenças que se destacam, demonstrando que não há conexão com a pessoa do Dr. Augusto Oliveira”, concluiu o especialista.

Diferenças na voz

Além de entregar os três laudos, Oliveira se colocou a disposição do MPGO para participar de um novo teste independente a fim de avaliar a veracidade da gravação. “A voz não bate com o meu espectro de voz. E dá para perceber que a poluição sonora evidencia alguma barulho de caminhonete ou de algum maquinário por trás. Aquele áudio é decantado”, comentou.

“Nós agora queremos saber quem forneceu esse áudio. Qual é a fonte do áudio. Quem criou esse áudio. E quem cometeu esse crime. Porque agora, nós vamos até o fim dessa história”, assegurou o advogado.

A Polícia Civil de Goiás instaurou inquérito para investigar a decapitação de cinco cães na cidade de Formosa (GO), localizada no Entorno do Distrito Federal, em março de 2021. O caso foi classificado com maus-tratos. Os animais viviam na fazenda do falecido pai de Augusto. As cabeças foram encontradas na porta da casa onde a madrasta do advogado residia. O advogado também foi acusado de retirar bens e dinheiro do imóvel.

Oliveira argumenta ter certeza de que está sendo alvo de um armação. “Eu gostaria de deixar bem claro que nessa situação eu sou vítima. Sou um ser humano que nunca fez mal para nenhum animal”, ponderou.

Flagrante

Segundo Oliveira, a fazenda seria de sua propriedade. Ele admite ter entrado na casa, mas negou ter levado qualquer coisa do local. Argumentou inclusive que notou a falta de diversos itens na residência. Oliveira, atualmente, mora em Curitiba (PR). Durante o curso das investigações, em uma ação conjunto da PCGO com a Polícia Civil do Paraná (PCPR), foi preso em flagrante por posse de armas de uso restrito.

Agentes recolheram armas e munição na residência de Oliveira e na fazenda do falecido pai do advogado. Segundo o jurista, as armas recolhidas na propriedade rural não são dele. Fariam parte do espólio. “Minha prisão em flagrante foi por 4 balas de calibre 44”, esclareceu. A munição pertenceria ao irmão do jurista.

Oliveira alega ainda que é atirador esportivo e tem CAC, possuindo autorização para calibre 44 Winchester. No entanto, a documentação estaria em seu telefone, o qual não teve oportunidade de apresentar inicialmente à Polícia Civil. Oliveira também comentou os depoimentos das testemunhas. “Nenhuma me acusou. Extinguindo a autoria e materialidade do crime”, argumentou.

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