Acusado de tráfico de drogas, servidor do Senado se entrega à polícia

Com salário de R$ 28 mil, Rodrigo Santos Ramos é lotado na Assessoria Técnica da Diretoria-Geral e era considerado foragido da Justiça

MICHAEL MELO/METRÓPOLESMICHAEL MELO/METRÓPOLES

atualizado 04/07/2019 15:24

O servidor do Senado Federal investigado por envolvimento com o tráfico de drogas se entregou à Polícia Civil do Distrito Federal durante a noite desta quarta-feira (03/07/2019). Rodrigo Santos Ramos, lotado na Assessoria Técnica da Diretoria-Geral, desde fevereiro de 2019, era considerado foragido pela corporação, após não ter aparecido para prestar depoimento na Coordenação de Repressão às Drogas (Cord). Ele teve prisão preventiva decretada pela Justiça.

De acordo com o Portal da Transparência, o servidor recebe remuneração mensal de R$ 28 mil. Segundo a PCDF, Ramos e o servidor do Tribunal de Contas da União (TCU) Lucas Ribeiro Pereira, 32 anos, faturavam alto com a venda de uma espécie de maconha gourmet, geneticamente modificada e com alto poder alucinógeno.

De acordo com a Cord, boa parte da clientela dos suspeitos era formada por funcionários públicos dos dois órgãos federais. A operação foi desencadeada no último dia 19. Lucas Pereira foi detido em flagrante e transferido para o Complexo Penitenciário da Papuda. Rodrigo Ramos não havia sido localizado em casa no dia da ação e alegou estar de licença-capacitação remunerada.

Em nota, a defesa de Rodrigo Santos disse que o investigado se apresentou voluntariamente e que “não empreendeu fuga ou realizou qualquer tentativa de obstar a investigação”. No documento, os advogados responsáveis pela defesa de Rodrigo, Thiago Turbay e João Paulo Boaventura, defenderam a inocência do servidor do Senado. “Não há nos autos qualquer referência à venda e comercialização de drogas por parte dos investigados, o que foi atestado pelo próprio delegado que conduz a investigação”.

‘A defesa e o investigado reforçam sua crença nas instituições e agências persecutórias e no Judiciário, que devem zelar pela legalidade dos procedimentos e apuração isenta dos fatos”, completaram os advogados.

“Maconha gourmet”

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça, os policiais encontraram porções da conhecida “maconha gourmet”, muito consumida por usuários de alto poder aquisitivo. Cada grama da erva chegava a custar R$ 200. O quilo da droga saía por R$ 20 mil.

O servidor do TCU reside em uma casa de alto padrão no Lago Sul. Os pés do entorpecente eram cultivados no último andar do imóvel de três pavimentos. As equipes localizaram 30 plantas de maconha, além de skunk preparado para consumo, balanças, diversos fertilizantes e equipamento especializado para o cultivo.

Em um dos cômodos da residência, Lucas Ribeiro mantinha um laboratório artesanal usado para potencializar os efeitos da maconha. Após as diligências, o auditor do TCU foi preso em flagrante por tráfico de drogas.

Redes sociais

Os policiais apontam que os contatos com os clientes eram feitos por meio de redes sociais, pelas quais os dois servidores ofereciam a droga. O volume de venda era grande, principalmente por que esse tipo de maconha contém alto teor alucinógeno e não exala cheiro quando consumida.

Lucas está em período probatório, tendo sido nomeado em 2017, e recebe remuneração líquida de R$ 14 mil. Por meio de nota, o Senado afirmou que Rodrigo Ramos é servidor da Casa. “Até o momento não houve notificação da Polícia Civil ao Senado Federal”, diz o texto.

Clientes seletos

De olho no alto poder aquisitivo de usuários do Plano Piloto, Lago Sul e Lago Norte, traficantes do Distrito Federal passaram a apostar no tráfico de ervas geneticamente modificadas. Com diferentes aromas e sabores, as maconhas gourmet podem ter gotas de limão, framboesa, cereja e chocolate. As apurações policiais apontam que apenas um grupo seleto de usuários consegue ter acesso a esse tipo de droga, devido ao elevado valor do produto. Uma pequena porção chega a custar R$ 1,4 mil.

Ao contrário do entorpecente vendido nas ruas e em bocas de fumo, as substâncias especializadas são negociadas em rodas de amigos. Em quase 100% dos casos, quem vende e quem compra se conhecem. Portanto consideram a transação segura. Os grupos de WhatsApp tornaram-se um dos principais meios para os traficantes repassarem a oferta da maconha gourmet.

Cardápios com uma infinidade de ervas modificadas muitas vezes são expostos pelos criminosos. Apontada como a mais potente do mundo, a Super Lemon Haze, criada em laboratório, tem concentração de THC (tetraidrocanabinol) superior a 20% e sabor cítrico.

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