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À PF Torres diz que empregada colocou “minuta do golpe” em estante

Após 10 horas de depoimento, ex-secretário de Segurança do DF afirmou considerar “descartável” documento encontrado em sua casa

atualizado

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Rafaela Felicciano/Metrópoles
PF Anderson Torres
1 de 1 PF Anderson Torres - Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

O ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do DF Anderson Torres disse, em depoimento à Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (2/2), que uma empregada pode ter colocado a “minuta do golpe” em uma estante “ao arrumar a casa”.

“Não é por ter sido encontrado na estante que teria importância”, afirmou.

Após 10 horas de depoimento, Torres disse “expressamente” aos agentes que não levou ao conhecimento do então presidente Jair Bolsonaro (PL) a existência da minuta golpista, e que não encaminhou o documento a ninguém.

Leia abaixo a íntegra do depoimento de Anderson Torres:

Anderson (1) Ocultado by Metropoles on Scribd

Pastas conteúdo “descartável”

O ex-ministro acrescentou que acredita que a minuta foi entregue em seu gabinete no Ministério da Justiça, mas disse desconhecer quem a produziu.

Ele afirmou que, durante seu período à frente do ministério, sua assessoria costumava separar em duas pastas os documentos que eram recebidos “de diversas fontes”, e, por causa da “sobrecarga de trabalho”, levava o material para casa.

“Os documentos importantes eram despachados e retornavam ao ministério e os demais eram descartados”, disse. Ele acrescentou que “não tomou providências, pois ignorou completamente aquele escrito, eis que aquilo não tinha valor nenhum”, e que os papéis já deveriam ter sido descartados.

Sobre o texto da minuta, o ex-ministro afirmou que ele é “tecnicamente muito ruim, com erros de português, sem fundamento legal, divorciado da capacidade dos assistentes do Ministério da Justiça em produzir o documento”. E acrescentou considerá-lo “descartável”.

O que dizia a minuta

O texto da minuta golpista dizia que, instalado o Estado de Defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), seria constituída uma Comissão de Regularidade Eleitoral.

O grupo seria composto por oito membros do Ministério da Defesa (inclusive a presidência), dois membros do Ministério Público Federal (MPF), dois membros da Polícia Federal com cargo de Perito Criminal Federal e um membro cada dos seguintes órgãos: Senado Federal, Câmara dos Deputados, Tribunal de Contas da União (TCU), Advocacia-Geral da União (AGU) e Controladoria-Geral da União (CGU).

O documento cita ainda um suposto restabelecimento da lisura do processo eleitoral – apesar de as suspeitas de fraude sugeridas por Bolsonaro nunca terem sido provadas.

A minuta é uma espécie de rascunho de decreto, que só teria validade se fosse assinado pelo presidente da República e publicado no Diário Oficial da União após ter sido aprovado pelo Congresso Nacional.

Celular “perdido”

Também no depoimento à PF, Torres disse que não entregou o celular pessoal aos investigadores por ter perdido o aparelho.

Segundo ele, após ter tido a prisão decretada no Brasil, “passou a ser procurado por uma infinidade de pessoas, ocasião em que resolveu desligar o celular”. Depois disso, não soube mais onde o aparelho foi parar.

O ex-secretário preso afirmou, no entanto, que pode fornecer as senhas da nuvem para que a PF tenha acesso a todas as informações. “Se necessário for, se compromete voluntariamente a fornecer login e senha.”

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