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Você procura observar e se preocupa com a higiene da lanchonete, padaria, bar ou supermercado onde compra ou consome alimentos? Dados da Vigilância Sanitária do Distrito Federal servem de alerta para os consumidores, especialmente os mais desatentos. Em 2017, a cada dois dias, o órgão vinculado à Secretaria de Saúde fechou um estabelecimento comercial. O principal motivo é a sujeira.

Dos 162 comércios que foram lacrados no ano passado, 80% são bares ou restaurantes. No total, a Vigilância inspecionou 29.668 estabelecimentos no período analisado. Desses, 9.347 pertencem ao ramo de alimentação. Os números de 2018 ainda não estão disponíveis.

Para efeito de comparação, em 2016 foram realizadas 32.456 inspeções, sendo 10.893 em negócios ligados ao setor de alimentação. O número de interdições foi ainda maior, totalizando 220. Bares e restaurantes representam os mesmos 80% do total de ocorrências.

De acordo com a pasta, os problemas mais comuns encontrados nesses locais foram baratas e falta de higiene, incluindo o asseio das pessoas que manipulam os alimentos. Outras questões são: alimentos com prazo de validade vencido; conservação inadequada; e, por causa do racionamento, uso de água com origem desconhecida – e, provavelmente, não potável.

As exigências para funcionamento desses locais são regidas pela RDC 21, de 2004, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e pela Instrução Normativa 16, de 2017, da Divisão de Vigilância Sanitária do Distrito Federal.

Durante as inspeções, os fiscais verificam: a estrutura física do estabelecimento; a capacitação, os uniformes, os controles de saúde e as condições de higiene pessoal dos funcionários; as boas práticas de manipulação de alimentos; a documentação referente às boas práticas; higienização de reservatórios de água; controle de pragas; a presença de responsável técnico, quando for o caso; entre outros pontos previstos na legislação.

Desconhecimento
O Metrópoles conversou com a coordenadora de Tecnologia e Inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-DF), Alessandra Machado. Ela é nutricionista com especialização em segurança alimentar. Entre outros aspectos, a profissional acredita que o elevado número de ocorrências sanitárias em bares e restaurantes do Distrito Federal pode ser fruto de desconhecimento dos próprios funcionários responsáveis por manusear e preparar os alimentos.

“Não são critérios difíceis de serem seguidos e implantados. É necessário ter conhecimento sobre aspectos como tempo de refrigeração ou congelamento dos produtos, bem como o período que eles podem ficar expostos em temperatura ambiente”.

A nutricionista alerta para a gravidade da questão. “É uma situação muito séria, pois pode colocar em risco a saúde do consumidor e a reputação do próprio estabelecimento”.

Número não é significativo
Consultado, o Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes do Distrito Federal (Sindhobar) se pronunciou por meio do presidente do órgão, Jael Antônio da Silva, que classificou os dados apresentados como “não significativos”.

“Em um universo de 10 mil bares e restaurantes que temos no DF, o número de 162 interditados é muito pequeno. Obviamente, nos preocupamos que nossos estabelecimentos cumpram a legislação. Os funcionários desses locais são sempre orientados a seguir as normas de boas práticas e manipulação de alimentos, mas nem sempre o fazem. Esse é o grande problema”, argumentou.

Larvas em sanduíche do Burger King

 

Um caso recente de problema possivelmente relacionado à falta de higiene e conservação dos alimentos envolve a rede de lanchonetes Burger King. Nesta semana, um vídeo com uma pessoa mostrando larvas em um sanduíche circulou pelas redes sociais.

A filmagem foi feita por um casal na loja da 706/707 Norte, e muitos internautas se mostraram indignados com a situação, enquanto outros questionaram a veracidade do episódio. A suspeita é que possa ter havido sabotagem. De qualquer forma, segundo a rede, o caso será investigado por uma companhia internacional.