O Crime da 113 Sul

Podcast Crime da 113 Sul: após prisão, assassinos negaram participação de Adriana

No 5º episódio do podcast Revisão Criminal, o Metrópoles mostra a repentina mudança nos depoimentos dos autores do triplo homicídio

atualizado 06/12/2020 15:28

O surgimento repentino da 8ª Delegacia de Polícia (SIA) nas investigações do Crime da 113 Sul provocou uma crise profunda na Polícia Civil do Distrito Federal, mas, apesar de ter sido considerada uma interferência polêmica, o fato é que foi essa a unidade policial responsável por prender os verdadeiros assassinos do ministro aposentado do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, da mulher dele, a advogada Maria Villela, e da funcionária da casa Francisca Nascimento Silva.

Na ocasião, os agentes da 8ª DP, então comandada pela delegada Déborah Menezes, foram até Montalvânia, em Minas Gerais, prender Leonardo Campos Alves. Seu sobrinho e comparsa no crime, Paulo Cardoso Santana, já estava detido por ter cometido outro delito.

Esses detalhes são contados neste quinto episódio do podcast do Metrópoles Revisão Criminal.

Ouça:

Trazido para Brasília, Leonardo respondeu algumas perguntas na delegacia. Aos repórteres, descartou veementemente a participação de mais pessoas na barbárie cometida no apartamento do Bloco C. “Não foi nada planejado. Não foi nada arranjado. Não foi nada encomendado nem mandado por ninguém”, disse Leonardo ao ser questionado por uma repórter se Adriana Villela seria a mandante do assassinato dos próprios pais.

Paulo Cardoso, nos seus primeiros depoimentos à polícia, também era enfático ao descartar qualquer participação de Adriana no crime. Nas oitivas iniciais prestadas à delegada Mabel de Faria, que dirigiu a última fase das investigações do caso, o acusado dizia que a intenção era roubar e que não agiram a mando de ninguém. “Foram só nós dois [Paulo e Leonardo]. Fomos para roubar.”

Mesmo estando presos em locais diferentes e, portanto, impossibilitados de combinar depoimentos, essa foi a versão apresentada por Leonardo e Paulo nos primeiros três interrogatórios. A partir do quarto, eles começaram a apontar Adriana Villela como mandante do crime.

Para a defesa de Adriana, tal mudança tem explicação: a pena para quem mata a mando de alguém é menor. Advogados de Montalvânia que atuaram na defesa de Paulo Cardoso Santana também contaram ao Metrópoles terem estranhado a insistência de Mabel para que Paulinho dissesse que assassinou os Villela e Francisca porque recebeu para isso.

“Ela [Mabel] chegou e me pediu para conversar com o preso, o Paulinho, e explicar para ele que, no crime de mando, a pena seria menor do que a de latrocínio. Eu falei com o Paulinho sobre isso e ele foi taxativo em dizer que não tinha mandante, que quem matou teria sido só ele e o Leonardo. Não citou nome de outra pessoa”, afirmou o advogado Geraldo Flávio, que representava o cliente no caso à época.

72 facadas

No episódio anterior, o podcast Revisão Criminal – Crime da 113 Sul contou a dinâmica do triplo homicídio.

Nos primeiros depoimentos logo após sua prisão, Leonardo narrou como assassinou os três. Pontuou ainda que Francisca só morreu porque chegou poucos minutos antes de eles deixarem o imóvel.

Num dos relatos mais chocantes, Paulo Cardoso diz aos policiais que José Villela já aparentava estar morto, mas, ainda assim, resolveu desferir mais alguns golpes para ter certeza de que o ex-ministro estava mesmo sem vida.

Os assassinos confessos também contam que Maria Vilella tentou correr, mas foi alcançada e esfaqueada na costela. Já ferida, teve de juntar todo o dinheiro e as joias da casa e entregar aos bandidos. Depois, os criminosos golpearam a advogada mais vezes.

Contradições

Já no terceiro episódio, o Revisão Criminal mostrou as contradições de Leonardo em diferentes oitivas, além do fato de os investigadores à época terem ignorado como suspeito do triplo assassinato um temido morador de Montalvânia.

Em um compilado de entrevistas dadas logo após sua prisão, Leonardo revela o motivo do ódio pelo casal Villela. “Pedi emprego para ele [José Guilherme]. Ele disse que se fosse arranjar emprego pra todo mundo que pede, teria que abrir uma agência de emprego.” 

Reviravoltas

Uma tragédia marcada por reviravoltas, erros, vaidades e mentiras. O crime da 113 Sul, um dos mais complexos e bárbaros ocorridos na capital do país, ainda desperta mais dúvidas do que certezas, mesmo após 11 anos do caso e de quatro pessoas terem sido condenadas pelo triplo assassinato do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, da esposa dele, a advogada Maria Villela, e da governanta do casal, Francisca Nascimento.

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A reportagem do Metrópoles, durante um ano, ouviu as 103 horas de áudios do julgamento de Adriana no Tribunal do Júri e conversou com importantes testemunhas que, até então, pouco foram exploradas na cobertura da mídia. O material coletado virou o podcast Revisão Criminal – Crime da 113 Sul.

Ouça o primeiro episódio aqui.

Ouça o segundo episódio aqui.

Ouça o terceiro episódio aqui.

Ouça ao quarto episódio aqui.

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