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Apenas 9 estados contabilizam queda no número de mortes por Covid-19

Das 18 UFs restantes, 11 passam por período de estabilidade. Região Sul e Centro-Oeste enfrentam tendência de alta nos óbitos

atualizado 03/08/2020 20:19

ilustração coronavírus brasilArte/Metrópoles

Dos 27 estados brasileiros, apenas 9 apresentam queda na média móvel do número de mortes por Covid-19 nessa segunda-feira (3/8). É o que mostram os valores divulgados pelo Ministério da Saúde e analisados pelo (M)Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles. 

Ceará, Pernambuco, Paraíba, Pará, Maranhão, Espírito Santo, Amapá, Amazonas e Alagoas são os únicos que contabilizam redução de mais de 15% na média em relação aos 14 dias imediatamente anteriores. O valor, segundo especialistas, indica tendência de queda.

Na contramão, estão outras sete unidades da Federação, principalmente as da região Sul e Centro-Oeste. É o caso de Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, que superaram aumento de 40%. Esta última, com o maior crescimento, chegou a 43,6% de variação para mais. Acre, Santa Catarina, Paraná, Tocantins e Goiás também passaram dos 15%.

Veja gráfico:

Os 11 estados restantes — como Rio de Janeiro e São Paulo, considerados há muito tempo os epicentros da doença — vivem um período de estabilidade, o famoso “platô”. Os números estáveis, no entanto, nem sempre merecem ser comemorados.

Durante webinar promovido pela Agência Fapesp e pelo Canal Butantan, o professor e pesquisador Eduardo Massad, da Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV), chamou a atenção para a situação, repetida em alguns estados, como São Paulo.

“Alguns dirigentes têm usado o platô como argumento para relaxar as medidas de isolamento social. Mas, na realidade, o platô é a assinatura do fracasso das políticas de contenção. Toda curva epidêmica que se preze tem de atingir o pico e começar a cair.”

Tendência

No início da pandemia no Brasil, o então secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson de Oliveira, afirmou em algumas coletivas de imprensa que o coronavírus se comportaria de maneira semelhante a outras doenças gripais também responsáveis por síndrome respiratória aguda grave (Srag), como a Covid-19. Historicamente, esses vírus (como o influenza da gripe) circulam em meses diferentes em cada região.

De acordo com dados do sistema InfoGripe, da Fiocruz, compilados pelo Metrópoles, os casos de Srag acontecem primeiramente no Norte e Nordeste. Depois, vai encaminhando para o Sul. Até o momento, a previsão foi correta: os estados ao sul do país vivem crescente número de mortes, enquanto os mais ao norte contabilizam queda, depois de grande aceleração nos meses iniciais.

OMS

Em entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira (3), Michael Ryan, diretor de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou que o Brasil vive uma situação “muito preocupante, com muitos estados relatando alto número de casos”.

Mais uma vez, Ryan alertou para a necessidade de o Brasil adotar medidas que evitem a transmissão comunitária. Para que isso seja possível, segundo ele, o governo deve atuar junto às comunidades locais a fim de “detectar e isolar casos, rastrear contatos, quando possível, e criar condições nas quais a doença não possa se espalhar facilmente”.

O diretor de emergências da OMS acredita que assim como o Brasil, alguns países vão ter que reavaliar como estão lidando com a pandemia da Covid-19 para traçar novas estratégias. “Eles estão fazendo todo o possível para suprimir o vírus e apoiar suas comunidades?”, questionou.

Média móvel

Acompanhar o avanço da pandemia da Covid-19 com base em dados absolutos de morte ou casos está longe do ideal. Isso porque eles podem ter variações diárias muito grandes, principalmente atrasos nos registros. Nos finais de semana, por exemplo, é comum perceber uma diminuição significativa dos números.

Para reduzir esse efeito e produzir uma visão mais fiel, a média móvel é amplamente utilizada ao redor do mundo. A taxa, então, representa a soma das mortes divulgadas em uma semana dividida por sete. O nome “móvel” é por que varia conforme o total dos óbitos dos sete dias anteriores.

Como analisar os números?

Por conta do tempo de incubação do novo coronavírus, adotou-se a recomendação dos especialistas: comparar a média móvel de hoje com a de 14 dias atrás. As variações no número de mortes ou de casos de até 15% para mais ou para menos caracterizam estabilidade da doença.

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