Ultraprocessados: quase 70 mortes diárias estão ligadas ao consumo

Para apoiar a regulamentação desses produtos, o Idec, em parceria com outras entidades, lançou a campanha Publicidade que Adoece

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Fotografia colorida mostrando sanduíches e frituras em uma mesa-Metrópoles
1 de 1 Fotografia colorida mostrando sanduíches e frituras em uma mesa-Metrópoles - Foto: rawkkim/Unsplash

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Atualmente, de acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 68 mortes por dia no Brasil estão ligadas ao consumo de ultraprocessados. Afinal, são produtos com alto teor de sódio, açúcar e gorduras. Além disso, a composição inclui aditivos como corantes, edulcorantes e aromatizantes. Tudo isso faz com que o consumo esteja comprovadamente associado a doenças crônicas graves como obesidade, diabetes e hipertensão.

Apesar disso, a indústria continua investindo pesado em estratégias publicitárias, muitas vezes direcionadas a crianças e adolescentes. Por esse motivo, a propaganda de ultraprocessados deve ser regulamentada, assim como já ocorre com o tabaco e o álcool.

Segundo a coordenadora do programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idec, Laís Amaral, o intuito dessa regulamentação é que os ultraprocessados tenham regras mais rígidas. “Isso é essencial para proteger a saúde da população, especialmente do público infantil.”

Para apoiar a regulamentação da publicidade de produtos alimentícios ultraprocessados, o Idec (Instituto de Defesa do Consumidor) se uniu à ACT Promoção da Saúde, ao Instituto Desiderata e à Fian Brasil para desenvolver a campanha “Publicidade que Adoece“.

Riscos

A publicidade enganosa e abusiva é proibida pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC) e também por algumas outras normas, como a Resolução nº 163 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL).

Apesar disso, não existe no Brasil uma regulamentação específica sobre a publicidade de produtos que prejudicam a saúde, como é o caso dos ultraprocessados.

Inclusive, segundo estudo feito pelo Idec em conjunto com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 83% dos familiares e responsáveis afirmam que os filhos consomem produtos ultraprocessados diariamente.

“Isso acontece porque a indústria investe uma enorme quantidade de recursos financeiros em estratégias de publicidade dos ultraprocessados justamente porque o efeito é a fidelização das marcas desde a infância”, salienta Amaral.

Esses dados explicam outro dado grave: uma em cada três pessoas de até 19 anos está acima do peso considerado saudável, de acordo com o Panorama da Obesidade Infantil do Instituto Desiderata e Umane.

“A indústria vende a ideia de saúde, sustentabilidade, bem-estar, pertencimento e glamour a partir da publicidade, o que atrai consumidores desde muito cedo.”

Laís Amaral, coordenadora do programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idec

Na visão de Amaral, a regulação é importante e urgente porque, com ela, a publicidade de ultraprocessados terá mais limites e controle. “Isso significa que não atingirá a população, especialmente a infantil, da maneira agressiva, rápida e fácil que atinge hoje.”

Regulamentação

Atualmente, 70% das campanhas de ultraprocessados no ambiente digital são direcionadas para menores de 18 anos, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Além disso, para a coordenadora do programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Idec, a sociedade vive imersa em um ambiente que facilita e estimula o consumo de ultraprocessados com preços baixos, acesso fácil e publicidade exacerbada.

“A partir da regulação desses ambientes, pais, mães e responsáveis terão uma tarefa mais simples na hora de alimentar os filhos. Além disso, é importante que os ultraprocessados não estejam disponíveis no ambiente doméstico e que o uso de telas seja monitorado”, alerta a profissional.

Ultraprocessados

Os produtos ultraprocessados têm altas quantidades de açúcares, gorduras e sódio. Eles são caracterizados pela presença de aditivos alimentares cosméticos, que imitam cor, sabor, aroma e textura de alimentos de verdade, mas sem os benefícios.

Também são produzidos para serem comidos sem atenção e em excesso, além de substituírem a comida de verdade. Alguns exemplos campeões são barras de cereais, biscoitos integrais, granola com açúcar, iogurte adoçado e com sabor.

Por esse motivo, é preciso que a sociedade conheça os malefícios do consumo de ultraprocessados e as reais intenções das empresas que os produzem.

campanha entre Idec, ACT e Instituto Desiderata coloca a regulação da publicidade de ultraprocessados no centro do debate para que a população possa fazer escolhas verdadeiramente informadas.

Idec

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O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) é uma associação de consumidores sem fins lucrativos, independente de empresas, partidos ou governos.

Fundado em 1987 por um grupo de voluntários, a missão do Idec é orientar, conscientizar, defender a ética na relação de consumo e, sobretudo, lutar pelos direitos de consumidores-cidadãos.

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