São Paulo lidera eletrificação e revoluciona o transporte público

São Paulo avança na descarbonização da frota de ônibus, melhora a mobilidade e se torna referência em transporte sustentável

Fábio Vieira/Especial Metrópoles
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1 de 1 talk-mobilidade-sustentavel - Foto: Fábio Vieira/Especial Metrópoles

atualizado

metropoles.com

A descarbonização do transporte urbano tem se tornado uma das principais estratégias para enfrentar os desafios ambientais e melhorar a qualidade de vida nas grandes cidades. Em São Paulo, maior metrópole do Brasil e uma das mais populosas do mundo, a substituição gradual dos ônibus movidos a combustíveis fósseis por veículos elétricos representa um passo importante rumo a uma mobilidade mais sustentável.

Com isso, o ônibus elétrico surge como uma nova alternativa energética capaz de reduzir significativamente a emissão de gases poluentes, diminuir os níveis de ruído urbano e promover maior eficiência no sistema de transporte público.

Além dos benefícios ambientais, a eletrificação da frota está relacionada a avanços tecnológicos, políticas públicas de sustentabilidade e busca por soluções inovadoras para os problemas de trânsito e saúde pública.

Nesse contexto, o secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte de São Paulo, Celso Jorge Caldeira, afirmou que a capital do estado já conta com mais de 1.200 veículos movidos a energia limpa, formando a maior frota de ônibus elétricos do Brasil.

O dado foi apresentado durante o painel “Descarbonização da frota de São Paulo: ônibus elétrico, a nova energia do transporte urbano”, parte do talk “Mobilidade Sustentável: a transformação da mobilidade urbana em direção a uma cidade mais sustentável”, promovido nesta quinta-feira, 28 de maio, em São Paulo.

Segundo Caldeira, os benefícios já são perceptíveis na saúde pública, na preferência evidente da população pelos veículos elétricos e na redução significativa da poluição.

O secretário também ressaltou que se trata de uma tecnologia que veio para ficar e de uma política pública bem-sucedida, que permitiu à Prefeitura de São Paulo captar cerca de R$ 6,5 bilhões junto a bancos nacionais e internacionais, garantindo subsídios para manter e ampliar a frota de ônibus elétricos.

Já Harald Peter Zwetkoff, assessor estratégico no Consórcio Transvida, destacou que os resultados são percebidos diretamente na operação do transporte público.

“Há mais garantia no cumprimento das viagens programadas. Tanto passageiros quanto motoristas demonstram maior satisfação; e existem outros benefícios menos visíveis, ligados à redução dos impactos causados pelo diesel e à cadeia de melhorias gerada pela eletrificação”, explicou.

Também presente no painel, Alexandre Baldy, vice-presidente da BYD no Brasil, ressaltou que a adoção dos ônibus elétricos representa um avanço incomparável em qualidade.

Ele citou como exemplo as baterias da BYD, apontadas entre as mais seguras do mundo. “Só quem utiliza percebe a diferença”, frisou.

Baldy ainda ponderou os ganhos ambientais, lembrando que cada ônibus elétrico deixa de emitir cerca de 130 toneladas de carbono por ano.

Para Alexandre Baldy, São Paulo vem conduzindo essa transição de forma muito competente e já se tornou referência mundial em mobilidade elétrica, superando inclusive localidades pioneiras, como o Chile

Sustentabilidade

De acordo com Caldeira, a redução da emissão de poluentes tem contribuído para a diminuição de problemas respiratórios e pulmonares, reforçando os benefícios sociais da adoção dos ônibus elétricos.

Para ele, a escolha pela mobilidade elétrica é uma decisão acertada não apenas para o presente, mas principalmente para o futuro das cidades.

Caldeira acrescentou que a transição para a eletrificação também tem sido uma oportunidade para qualificar mão de obra e gerar melhores oportunidades de emprego, além de reduzir custos operacionais.

Inclusive, Alexandre Baldy informou que a BYD conta atualmente com mais de 122 mil engenheiros no ecossistema global, desenvolvendo soluções inovadoras para a mobilidade urbana.

O vice-presidente da BYD no Brasil ainda projetou que, no futuro, tecnologias como direção autônoma poderão ser incorporadas ao transporte de passageiros.

Além disso, os ônibus já oferecem recursos como câmeras de segurança, Wi-Fi e entradas USB, ampliando a experiência e o conforto dos usuários.

“Assim como os carros evoluíram tecnologicamente ao longo dos anos, o transporte público também caminha nessa direção, e São Paulo demonstra estar na vanguarda desse processo”.

Alexandre Baldy, vice-presidente da BYD no Brasil

Os avanços mostram que São Paulo vem dando passos importantes rumo à sustentabilidade, mas, acima de tudo, à melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Celso Caldeira destacou que o município destina cerca de R$ 7,2 bilhões em subsídios para garantir a operação e a qualidade do transporte coletivo

Atualmente, as empresas já contam com quatro garagens equipadas com infraestrutura de quatro megawatts, suficientes para atender a uma frota de aproximadamente 500 veículos elétricos.

Zwetkoff observou que houve um grande aprendizado operacional ao longo do último ano, incluindo a reorganização do layout das garagens e a adaptação da programação das linhas para ampliar o tempo disponível para recarga dos ônibus.

Além disso, foram estabelecidas parcerias com empresas que concentram alto consumo de energia durante o dia, mas possuem baixa demanda no período noturno, justamente o horário ideal para a recarga da frota elétrica.

Zwetkoff destacou que o consumo médio atual do sistema gira em torno de 94 gigawatts-hora e afirmou que, mesmo em um cenário de eletrificação total da frota de carros e ônibus, o Brasil ainda teria capacidade energética disponível para atender essa demanda.

Segundo ele, mais de 60% da eletricidade necessária poderia ser suprida pela atual matriz energética nacional.

O assessor também ressaltou o potencial do Nordeste brasileiro na geração de energia limpa. A região produz cerca de 175% da energia que consome, sendo mais de 100% dessa geração proveniente de fontes renováveis e sustentáveis.

Para ele, esse cenário demonstra que o Brasil possui condições estratégicas e competitivas para avançar na eletrificação da mobilidade urbana com base em energia limpa.

Modelo saudável

Caldeira ponderou que uma das responsabilidades do Poder Público é manter um diálogo constante com as concessionárias, garantindo um ambiente de segurança jurídica.

Segundo ele, os contratos do sistema de transporte de São Paulo contemplam tanto situações ordinárias quanto eventos extraordinários, permitindo que cada questão seja tratada de acordo com a devida importância e complexidade.

“O que temos hoje é um ambiente absolutamente saudável. O modelo contratual adotado em São Paulo é sólido justamente por permitir previsibilidade, estabilidade e capacidade de adaptação diante dos desafios operacionais.”

Celso Jorge Caldeira, secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte de São Paulo

Zwetkoff reforçou que a determinação da prefeitura e a qualidade do modelo contratual adotado em São Paulo fazem com que o sistema seja referência nacional em segurança jurídica e financeira.

Conforme ele, operadores de outras cidades frequentemente procuram entender como funciona o contrato paulistano e o relacionamento estabelecido com a SPTrans.

O assessor também destacou os desafios econômicos da transição para os ônibus elétricos.

Ele explicou que os contratos de transporte público operam historicamente com margens financeiras muito apertadas e que a chegada da tecnologia elétrica trouxe um novo cenário, já que um ônibus elétrico pode custar até três vezes mais do que um modelo a diesel.

Por outro lado, ele ressaltou que os veículos elétricos possuem maior vida útil: enquanto um ônibus a diesel opera, em média, por 10 anos, os elétricos podem chegar a 15 anos de utilização.

Futuro

Caldeira afirmou que o objetivo da cidade é alcançar uma frota integralmente movida a energia limpa, ao mesmo tempo em que novos modais e alternativas sustentáveis seguem em estudo.

Atualmente, São Paulo concentra cerca de 80% da frota de ônibus elétricos em operação no Brasil, consolidando-se como referência nacional no setor.

Harald Zwetkoff afirmou que a evolução da eletrificação no transporte público já é perceptível desde o início da transição e compartilha da visão de que São Paulo continuará avançando nesse processo

Para Zwetkoff, um dos maiores desafios da mobilidade urbana sustentável está em incentivar a migração dos usuários do transporte individual para o transporte coletivo.

Segundo ele, essa transformação depende de uma equação com dois lados: de um lado, é necessário tornar o transporte público mais atrativo e eficiente para que o cidadão queira utilizá-lo; de outro, também é importante implementar políticas públicas que facilitem essa migração e priorizem a mobilidade coletiva.

Ele destacou como avanços importantes a ampliação dos corredores e faixas exclusivas de ônibus, fundamentais para melhorar a velocidade e a eficiência do sistema.

Baldy acrescentou o esforço da Prefeitura de São Paulo em investir fortemente na qualidade do transporte público, buscando reduzir a pressão tarifária sobre a população. Para ele, os benefícios da eletrificação vão além da mobilidade e alcançam áreas como saúde pública e qualidade de vida.

Ele lembrou ainda que, historicamente, o Brasil privilegiou o transporte individual em detrimento do coletivo ao longo dos últimos cem anos. Nesse contexto, São Paulo passa a representar uma nova visão de mobilidade urbana.

O talk “Mobilidade Sustentável: a transformação da mobilidade urbana em direção a uma cidade mais sustentável” foi uma realização do Metrópoles com oferecimento da Prefeitura de São Paulo e da SP Negócios.

Assista o talk completo:

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