Nordeste se consolida como polo estratégico de desenvolvimento do país
Especialistas apontam durante a 3ª edição do Nordeste em Pauta como a região tem atraído investidores e tem ajudado no crescimento do Brasil

“Constatar que o Nordeste é a região que mais cresce no Brasil exige observar os números e compreender os fatores que impulsionam esse cenário. Durante muito tempo, foi visto apenas como uma promessa; hoje, consolidou-se como um polo estratégico para o desenvolvimento do país.” Com essa avaliação, o presidente do Banco do Nordeste, Paulo Câmara, abriu a 3ª edição do Nordeste em Pauta em Brasília, que teve como tema “Resultados e perspectivas da região que mais cresce no país”.
Nesse sentido, segundo o executivo, estamos diante de um Nordeste mais integrado, com um mercado de trabalho que acompanha essa transformação: a taxa de desemprego recuou para a casa dos 8%, impulsionada pela forte abertura de vagas formais.
Além disso, de acordo com Câmara, o Nordeste concentra cerca de 28% da capacidade de geração de energia limpa do país. Por isso, investidores e empresários estão olhando para a região de maneira diferente.

Já o secretário nacional de Fundos e Instrumentos Financeiros, Eduardo Tavares, afirmou que o Nordeste não é mais uma região do futuro, mas sim do presente. Está reposicionado no mundo global cada vez mais conectado, interdependente e multilateral.
“O Banco do Nordeste demonstra uma dedicação exemplar à região, sendo uma referência fundamental e um destaque para o nosso ministério no que tange ao desenvolvimento regional”, elogiou.
Tavares trouxe ainda para o debate a maior obra linear do país: a ferrovia Transnordestina. Com investimentos que já superam R$ 15 bilhões, “o projeto reforça o compromisso das instituições envolvidas em gerar desenvolvimento e prestar um serviço estratégico para todo o Brasil”.

Em continuidade, o secretário especial do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), Roberto Garibe, representante da ministra da Casa Civil da Presidência da República, Miriam Belchior, ressaltou que o volume de recursos emprestado aos entes federativos em um único ano equivale à soma de tudo o que foi liberado nos quatro anos anteriores.
E diante desse forte fluxo de investimentos, o Nordeste recebe uma atenção especial dentro das prioridades do Novo PAC. “A saúde tem sido o grande carro-chefe desses investimentos, a exemplo do projeto de universalização do SAMU, conduzido por meio da aquisição de equipamentos da indústria nacional.”
Do total dos empreendimentos do PAC, 17 mil estão no Nordeste, dos quais cerca de um terço já foi concluído.

A região que mais cresce no país
Nesse contexto, Maria Fernanda Coelho, diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), explicou que a região teve um crescimento acima da média.
“Vivenciamos uma decisão política que colocou o Norte e o Nordeste no centro das políticas públicas do país. O primeiro passo foi valorizar a extraordinária diversidade da região”, explicou.
“Além disso, motivados por provocações das instituições locais, reposicionamos a atuação do BNDES por meio de três pilares: o treinamento das instituições financeiras parceiras, a definição de um orçamento exclusivo para a região e a oferta de taxas diferenciadas, reconhecendo a necessidade de incentivar o crédito”, complementou.

Essa estratégia contou com a parceria essencial da Sudene e do Banco do Nordeste. Como resultado, no primeiro trimestre deste ano, as aprovações do BNDES para a região atingiram R$ 3,38 bilhões, um crescimento de 98% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
De acordo com o superintendente da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Francisco Ferreira Alexandre, o crescimento econômico do Nordeste está decolando.
“Atualmente, atraímos os olhares de investidores tanto de dentro quanto de fora do Brasil. Ao observar a expansão da região, notamos disparidades intraregionais, com a existência de polos mais dinâmicos. Por isso, a nossa missão na Sudene é equalizar esse desenvolvimento de forma justa e equilibrada”, ponderou.
Segundo ele, o Nordeste reúne todos os atributos para atrair investimentos, e mais do que atrair, o grande desafio é retê-los.
“O Nordeste responde hoje por 28% da capacidade instalada no país. E, quando olhamos para a frente, vemos que 90% do portfólio eólico em construção está na região”, destacou João Paulo Rodrigues, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Neoenergia.
Quanto a José Aldemir Freire, diretor de Planejamento do Banco do Nordeste, apontou que esse novo momento do Nordeste é fruto de decisões políticas. “Essa é a principal lição deste evento, mas há dois pontos que merecem destaque: o crescimento atual do Nordeste diferencia-se do padrão histórico e, além disso, apresenta-se de forma muito mais desconcentrada do ponto de vista das atividades econômicas. O desenvolvimento do Nordeste é mais dinâmico, pois envolve outros setores.”

Reajuste tarifário
A rápida resposta do governo federal diante do reajuste tarifário do ano passado foi crucial para proteger o agronegócio e a agricultura familiar, segundo avalia Maria Fernanda. De acordo com ela, o período de forte instabilidade exigiu ações imediatas para evitar prejuízos severos ao setor produtivo.
“Entre as principais medidas adotadas, destaca-se o lançamento de programas voltados ao fortalecimento do segmento, como o ‘Brasil Soberano’. Implementada em setembro, a iniciativa garantiu a estabilidade das operações e blindou o setor contra novas intercorrências econômicas”, observou.
O diretor de Planejamento do Banco do Nordeste destacou a importância de ampliar a oferta de crédito e apoiar a busca por novos mercados. Segundo ele, esse processo também depende da condução da política nacional pelo presidente da República.
“Precisamos ajudar o governo brasileiro a dar um bom direcionamento. O esforço que precisamos fazer é diversificar os mercados da região Nordeste”, constatou.
O superintendente da Sudene, por sua vez, citou que a conclusão da Ferrovia Transnordestina até Pecém, no Ceará, consolida-se como o principal projeto de infraestrutura logística da região, integrando a malha ferroviária aos canais de exportação marítima.
Além do avanço nos transportes, o gestor destacou a urgência de investimentos em projetos hídricos estratégicos. O desafio central da região reside em equilibrar a disponibilidade de água com a crescente demanda local. Segundo Francisco, o planejamento integrado desses recursos é o que garantirá um crescimento econômico sustentável e permanente a longo prazo.
Matriz energética
João Paulo Rodrigues alertou que o mercado de energia vive um novo momento, que exige um olhar estratégico tanto de investidores nacionais quanto estrangeiros, especialmente no que diz respeito à agregação de valor aos produtos locais.
Segundo ele, o país possui uma matriz renovável altamente competitiva, mas o foco do setor mudou de fase.
De acordo com o especialista, o setor elétrico se divide em dois grandes momentos históricos: “se no passado o desafio central era a universalização do acesso e a busca por um diferencial competitivo, o cenário atual impõe novas prioridades. Agora, mais do que expandir a geração, a agenda do setor exige foco em integração da rede, flexibilidade operacional e resiliência do sistema”.
“O combate à disparidade regional passa obrigatoriamente pela interiorização do desenvolvimento. É fundamental que as grandes cadeias produtivas e os fornecedores operem e se instalem localmente, gerando emprego, renda e novas oportunidades para a população regional”, assegurou Francisco.