Não existe milagre: carteira forte é feita de equilíbrio

O equilíbrio nasce quando cada real aportado está alinhado com o perfil de quem investe, na medida e no momento certo

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Muita gente começa a investir torcendo para encontrar aquele produto milagroso, capaz de multiplicar o dinheiro quase sem esforço. Mas, passado o primeiro contato com o mercado financeiro, fica claro que não existe atalho para conquistar objetivos reais: o segredo está em equilibrar risco e retorno no processo de construção de uma carteira pensada para o seu perfil e para o devido prazo (que pode variar entre objetivos).

Assim, antes de tudo, é primordial compreender que: risco se refere a chance de algo sair diferente do planejado, seja para melhor ou para pior; já o retorno é aquilo que se espera ganhar ao investir.

O grande desafio é alinhar ambos à sua realidade e não cair em supostas soluções fáceis ou modismos passageiros.​

Quem busca apenas rentabilidade e ignora os riscos tende a tomar decisões precipitadas diante de eventos inesperados (na emoção do momento, no desespero), podendo incorrer em perdas que corroem os ganhos iniciais.

Por outro lado, “não tomar risco algum” pode significar uma rentabilidade aquém do potencial e a sensação de estar sempre correndo atrás do próprio prejuízo, sem dar passos concretos rumo aos objetivos sonhados.

O equilíbrio nasce quando cada real aportado está alinhado com o perfil de quem investe, na medida e no momento certo. Diligência, clareza na estratégia e revisões periódicas da carteira são aliados indispensáveis para manter esse caminho saudável.​ Além de, claro, paciência.

Afinal, o tempo é o principal componente da poderosa ferramenta dos juros compostos.

Mas, como saber qual sua tolerância ao risco nos investimentos? Aqui, vale trazer um aprendizado importante.

Como contamos neste relatório em mais detalhes, o investidor não deve entender o risco como a volatilidade dos ativos de sua carteira, mas sim como a possibilidade de não alcançar seus objetivos financeiros. E isso muda tudo.

Sim! A realidade é que não correr risco pode ser, ironicamente, o maior risco de todos – sempre considerando, claro, seu objetivo e horizonte de investimento (ou seja, quanto tempo você pretende manter esse dinheiro investido).

Imagine, por exemplo, que você tenha um objetivo para realizar no período de 15 anos – como a compra de uma casa. Limitar-se a investimentos que priorizem a liquidez e a baixa volatilidade frente a maiores retornos no longo prazo pode acabar no não atingimento dessa meta.

Em bom português: com tanto medo de perder, o investidor pode acabar garantindo apenas que não vai chegar lá. Por isso, o planejamento financeiro precisa ser centrado em objetivos, e não só no medo de perder.​

O investidor inteligente entende e respeita as diferentes facetas do risco, incluindo aqueles inerentes ao mercado (liquidez e crédito), e aqueles inerentes ao comportamento humano, como vieses comportamentais.

Por isso, ao construir uma carteira de investimentos, é essencial ser honesto sobre quanto de volatilidade você está disposto a enfrentar e qual retorno espera, sem a ilusão de dinheiro fácil ou ganhos espetaculares da noite para o dia.

O portfólio precisa refletir aquilo que faz sentido para seus projetos, levando em conta tanto segurança quanto crescimento.

Trata-se de um exercício contínuo de paciência, autoconhecimento e diligência, para afastar promessas duvidosas e focar no objetivo central: fazer com que o seu dinheiro trabalhe (da melhor forma possível) para você.

O ideal é ajustar expectativas, diversificar ativos e fazer escolhas embasadas, sem se deixar levar por armadilhas e vieses – como a própria aversão à perda. ​

Na jornada dos investimentos, entender que risco e retorno precisam conversar e que investir é um aprendizado constante pode ser o que separa o atingimento de suas metas de contínuos tropeços.

Quando você aposta no longo prazo, respeita seu perfil e faz ajustes quando necessário, está construindo, todos os dias, uma carteira realmente inteligente e preparada para o que vier. E é isso que faz toda a diferença entre quem só sonha e quem de fato conquista os objetivos.

No próximo artigo, vamos falar sobre como construir carteiras resilientes e proteger seu patrimônio em momentos de volatilidade.

Afinal, quando o mercado balança, é hora de redobrar a atenção e buscar oportunidades, sem perder a cabeça. Vamos conversar sobre estratégias práticas para atravessar esses períodos com mais tranquilidade e inteligência.

* Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP

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