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Avanço do fitness impulsiona mercado e abre espaço para franquias

Busca por conveniência tem transformado academias em negócios mais flexíveis e tecnológicos

Divulgação
Área de musculação da academia, com equipamentos e pesos organizados no espaço. A iluminação em tons escuros e vermelhos reforça a identidade visual da unidade.
01/09/2026 12:13

O Brasil ocupa a segunda posição mundial no ranking de academias, atrás apenas dos Estados Unidos, de acordo com dados da Health & Fitness Association (HFA, antiga IHRSA), além disso, em uma década, o número de estabelecimentos fitness no país triplicou. É nesse cenário, que movimenta R$ 17 bilhões anualmente, que empresas do setor passaram a disputar não apenas alunos, mas também investidores.

De serviço a oportunidade de negócio

O crescimento do mercado fitness não pode ser medido apenas pelo número de pessoas matriculadas. Ele também é percebido na quantidade de negócios criados, franquias abertas, equipamentos vendidos, sistemas contratados e serviços desenvolvidos para tornar essas empresas mais eficientes.

No franchising, por exemplo, o segmento de Saúde, Beleza e Bem-Estar registrou crescimento de 14,6% no faturamento em 2025, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). No mesmo ano, o mercado brasileiro de franquias ultrapassou os R$ 300 bilhões em faturamento e chegou a mais de 200 mil operações.

O dado mostra, que existe um ambiente de expansão e profissionalização que vem atraindo empreendedores.

Para Gustavo Almeida, diretor executivo da plataforma Fitness Brasil, a pandemia foi crucial para o crescimento do mercado. “A crise da Covid-19 alterou a percepção de muitas pessoas sobre saúde, atividade física e qualidade de vida. Uma parcela considerável da população passou a olhar para os próprios hábitos de maneira diferente depois de experimentar, direta ou indiretamente, os efeitos de uma emergência sanitária”, avalia.

Retrato de Gustavo Almeida, diretor executivo da Fitness Brasil, sorrindo e olhando para a câmera. Ele aparece em primeiro plano, com fundo neutro.
Gustavo Almeida, diretor executivo da Fitness Brasil: “Consumidores buscam no mercado fitness modelos mais flexíveis”

A mudança não significa que a pandemia, sozinha, explique o avanço do setor, mas ela ajudou a acelerar uma transformação que já encontrava espaço em outros movimentos sociais e econômicos. Um deles é o envelhecimento da população.

Para o executivo, viver mais também aumenta a preocupação sobre como viver melhor. “A atividade física passa, nesse contexto, a ser associada não apenas à estética, mas à autonomia, à disposição e à qualidade de vida”, diz.

Há ainda uma transformação no comportamento de parte dos jovens.

O imaginário tradicional da academia, associado exclusivamente a corpos extremamente musculosos, treinos intensos e uma estética “hardcore” vem dividindo espaço com uma comunicação mais ampla sobre bem-estar.

Quando o horário vira produto

É dentro dessa transformação que o funcionamento 24 horas ganha importância. A lógica é parecida com a de outros serviços que passaram a disputar a conveniência do consumidor. Se um supermercado, aplicativo ou banco consegue se adaptar à rotina de diferentes públicos, uma academia também pode tentar eliminar uma barreira de acesso: o horário.

“Os negócios se adaptam às dores dos clientes”, afirma Almeida.

Para quem trabalha durante a madrugada, começa o expediente muito cedo ou tem uma rotina irregular, a diferença entre uma academia que fecha às 23h e outra que permanece aberta durante toda a noite pode ser decisiva.

E uma das empresas que construiu sua identidade em torno desse diferencial foi a Academia Gaviões 24h, que existe desde 1974 e começou em uma pequena garagem.

A CEO Priscila Aguiar conta que a ideia partiu de seu pai. Naquele momento, estabelecimentos que funcionavam durante toda a madrugada ainda eram pouco comuns e o horário acabou se tornando uma forma de diferenciação, permanecendo associado à identidade da marca.

Retrato de Priscila Aguiar, CEO da Academia Gaviões 24h. Ela aparece em pé, sorrindo, com os braços cruzados, em um ambiente corporativo.
Priscila Aguiar, CEO da Academia Gaviões 24h, acompanha a expansão da rede, que transformou o funcionamento ininterrupto em parte de sua identidade

A própria Priscila pondera que não é possível afirmar que o comportamento das pessoas tenha mudado exclusivamente por causa do modelo 24 horas. Para ela, o principal efeito foi criar uma possibilidade que passou a ser valorizada pelo consumidor: saber que a academia não fecha.

A empresa não criou a necessidade de treinar em horários alternativos. Ela criou uma resposta empresarial para pessoas que já tinham rotinas diferentes.

Academia desembarca no Distrito Federal

A transformação mais importante para entender o atual momento da Gaviões, entretanto, não está apenas no funcionamento 24 horas e sim, no crescimento do modelo de franquias.

Segundo Priscila, a rede já ultrapassou a marca de 100 unidades inauguradas. A executiva afirma ainda que existem mais de 100 unidades em processo de implantação ou com contratos assinados e que a empresa trabalha com a meta de chegar a 300 operações, até o fim de 2026.

“A gente tem que continuar afiando o machado”, brinca, sobre a necessidade de aprimorar os processos, equipes e estratégias, mesmo quando os resultados são positivos.

E para Priscila, chegar em Brasília tem um peso simbólico e comercial. Depois de nascer em São Paulo, chegar à capital representa, na avaliação dela, mais um passo na construção de uma marca nacional.

“Antes de escolher uma praça, uma rede precisa avaliar população, renda, concorrência, localização, perfil do consumidor e potencial de demanda. Na Gaviões, utilizamos sistemas e pesquisas de mercado para mapear cidades consideradas promissoras”, explica. E Brasília está no radar.

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Unidade da Academia Gaviões reúne equipamentos modernos e estrutura voltada a diferentes perfis de treino
Espaços para aulas coletivas fazem parte da estratégia das academias para ampliar as opções de treinamento e fortalecer a experiência dos alunos
A expansão das academias 24 horas acompanha uma mudança no comportamento do consumidor, que busca cada vez mais conveniência para encaixar o exercício na rotina
Além da estrutura de treino, a experiência do aluno passa por espaços de atendimento e convivência dentro das unidades
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Além da estrutura de treino, a experiência do aluno passa por espaços de atendimento e convivência dentro das unidades

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Unidade da Academia Gaviões reúne equipamentos modernos e estrutura voltada a diferentes perfis de treino
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Unidade da Academia Gaviões reúne equipamentos modernos e estrutura voltada a diferentes perfis de treino

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Espaços para aulas coletivas fazem parte da estratégia das academias para ampliar as opções de treinamento e fortalecer a experiência dos alunos
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Espaços para aulas coletivas fazem parte da estratégia das academias para ampliar as opções de treinamento e fortalecer a experiência dos alunos

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A expansão das academias 24 horas acompanha uma mudança no comportamento do consumidor, que busca cada vez mais conveniência para encaixar o exercício na rotina
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A expansão das academias 24 horas acompanha uma mudança no comportamento do consumidor, que busca cada vez mais conveniência para encaixar o exercício na rotina

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Crescer sem perder a identidade

Para a Gaviões, o próximo desafio é transformar a expansão em escala sem transformar a marca em uma operação padronizada apenas no papel.

“O crescimento precisa ser acompanhado por uma elevação constante da qualidade. No caso da Gaviões, a resposta passa por uma combinação de legado, expansão, gestão e diferenciação. O funcionamento 24 horas continua sendo uma parte importante da identidade, mas, à medida que outras empresas também ampliam horários e oferecem maior flexibilidade, o diferencial precisa ser acompanhado por outros elementos como equipamentos de alta qualidade, atendimento, experiência do cliente e tecnologia”, aponta Priscila.

Gustavo Almeida chama atenção para uma diferença importante: não existe um único “mercado fitness brasileiro”.

Há cidades e bairros onde a concorrência já é intensa, com diferentes redes disputando praticamente o mesmo público. Em outras regiões, especialmente no interior, ainda há espaço para novos modelos.

O executivo cita como exemplo a evolução do segmento low cost, caracterizado por preços mais acessíveis e operações de maior escala.

Segundo ele, há cerca de 15 anos, existia uma percepção de que determinadas redes precisavam estar em cidades com pelo menos 300 mil habitantes para que o modelo fosse viável. Com o amadurecimento do setor, esse limite foi diminuindo e hoje existem operações relevantes em municípios muito menores.

A mudança revela outra característica do mercado: a escala deixou de depender exclusivamente das grandes capitais.

Para Almeida, em cidades menores, ela pode assumir inclusive uma função social. A diferença é que, ao contrário de um restaurante ou shopping, a academia cria uma rotina de frequência e o aluno volta várias vezes por semana.

Essa recorrência pode criar vínculos sociais e também aumentar a importância da experiência oferecida pela unidade.

Em um país que já ocupa uma das primeiras posições mundiais em número de academias, a próxima corrida talvez não seja simplesmente para abrir mais portas. Será para descobrir o que fazer depois que elas estiverem abertas e a Gaviões já sabe o que faz.

Academia Gaviões 24h

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