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Todos os anos, em janeiro, uma pequena cidade nos Alpes suíços se transforma no epicentro das decisões globais. Em Davos, líderes políticos, executivos das maiores corporações do planeta e representantes do sistema financeiro internacional discutem caminhos para a economia, o clima, a tecnologia e a sociedade. Mas, historicamente, quem senta à mesa nem sempre representa quem vive os efeitos dessas decisões.
Em 2026, esse cenário começou a mudar de forma concreta.
Pela primeira vez na história, uma delegação latino-americana formada exclusivamente por mulheres líderes participa de uma agenda estruturada de debates paralelos ao Fórum Econômico Mundial, levando ao centro das discussões globais temas como liderança feminina, sustentabilidade, acesso a capital e economias emergentes, pautas que costumam ficar à margem do debate principal.
A iniciativa é liderada pela Plataforma Mulheres Inspiradoras, em parceria com o Banco da Amazônia, e marca um movimento que vai além da representatividade simbólica: trata-se de ocupação estratégica de espaços onde decisões globais são influenciadas.
Presença é histórica
Segundo dados do próprio Fórum Econômico Mundial, menos de 30% dos participantes em painéis de alto nível são mulheres, e a presença de lideranças da América Latina segue desproporcional quando comparada à Europa e à América do Norte.
Isso significa que regiões com realidades complexas como desigualdade social, biodiversidade estratégica e mercados emergentes raramente pautam as decisões globais a partir de quem vive esses contextos.
É nesse ponto que a delegação brasileira e latino-americana rompe um ciclo histórico.
Em vez de apenas assistir os debates, o grupo promove painéis próprios, reuniões estratégicas e encontros com líderes globais, conectando a realidade da América Latina às agendas que moldam o futuro da economia mundial.
Para Geovana Quadros, fundadora da Plataforma Mulheres Inspiradoras, a presença em Davos é uma resposta direta a esse desequilíbrio.

Debate global
A parceria com o Banco da Amazônia não é apenas institucional, ela carrega um peso simbólico e estratégico. Em um fórum que discute transição energética, clima e sustentabilidade, levar a Amazônia para o centro do debate é levar uma das maiores chaves do futuro do planeta.
A instituição financeira atua há décadas no fomento ao desenvolvimento sustentável da região amazônica e vem ampliando a atuação em finanças verdes, bioeconomia, inclusão produtiva e apoio a mulheres empreendedoras.
Para Ruth Helena Lima, executiva do Banco da Amazônia, a presença em Davos conecta territórios que raramente dialogam diretamente com o sistema financeiro global. “Participar dessa agenda global é uma forma de conectar a Amazônia, o Brasil e as mulheres líderes aos debates internacionais sobre desenvolvimento sustentável e impacto real.”
Em outras palavras, a floresta deixa de ser apenas um tema abstrato e passa a ser representada por quem atua diretamente no desenvolvimento.
Economia real
A delegação reúne executivas, empresárias e lideranças brasileiras em posições estratégicas, com vivência prática em setores como tecnologia, finanças, impacto social e sustentabilidade. Essa experiência concreta é o que diferencia o grupo dentro de Davos.
Enquanto muitos debates globais ainda permanecem no campo conceitual, a missão feminina latino-americana leva à mesa casos reais, desafios estruturais e soluções testadas em mercados emergentes, onde inovação e sobrevivência caminham juntas.
Entre os encontros de pauta promovidos pela delegação, estão painéis e reuniões com representantes de instituições como Bloomberg, BRICS CCI Índia e outros setores do Fórum Econômico Mundial.
A Plataforma Mulheres Inspiradoras, que atua há mais de dez anos conectando mulheres em posições de decisão, já é parceira de organizações como ONU Mulheres e BRICS CCI, e utiliza Davos como mais um ponto de articulação internacional.
A diferença, agora, é que essas articulações deixam de ser periféricas e passam a dialogar diretamente com os centros de poder global.
Além de Davos
A participação da delegação latino-americana em 2026 não termina quando o Fórum acaba. O objetivo é transformar essas conexões em ações concretas no Brasil e na América Latina, traduzindo debates globais em políticas, investimentos e projetos reais.
Em um mundo que enfrenta crises climáticas, desigualdade econômica e transformações aceleradas no mercado de trabalho, quem ocupa os espaços de decisão define não apenas estratégias, mas destinos.
E, desta vez, mulheres latino-americanas não estão apenas assistindo o futuro ser discutido — estão ajudando a escrevê-lo.

