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O Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) lançou, nessa segunda-feira, 16 de março, a plataforma Infra-BR. O índice avalia, estado por estado, as condições de infraestrutura do país em seis dimensões, além de 20 componentes e 67 indicadores.
A decisão considera o fato de que a ausência de mapeamento da infraestrutura local pode levar à falta de investimentos necessários para o crescimento econômico e melhora na qualidade de vida da população.
Inclusive, um relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), apontou que o Brasil investe apenas 2% do PIB em infraestrutura, quando seriam necessários pelo menos 4,5% em aplicação no setor.
Em paralelo, o relatório de “Revisão da Integridade da OCDE sobre o Brasil 2025” apontou a falta de transparência relacionada ao tema como um dos gargalos para o crescimento.
Ou seja, ampliar o investimento de forma eficiente exige diagnóstico e informação qualificada sobre a realidade de cada território, o que significa saber onde estão os maiores problemas, quais estados têm mais urgência e quais segmentos oferecem maior retorno social e econômico.
Foi justamente para atender a essa necessidade que o Confea desenvolveu o Infra-BR – Índice Confea de Infraestrutura do Brasil; e, para entender mais sobre a ferramenta, a plataforma será tema de um bate-papo exclusivo do Metrópoles com o presidente do conselho, o engenheiro Vinicius Marchese, nesta quinta-feira, 19 de março, às 15h, com transmissão pelo YouTube do portal.
Infra-BR
De acesso público e gratuito, a plataforma reúne dados sobre as 27 unidades da Federação em uma escala de 0 a 100, organizados em seis dimensões, 20 componentes e 67 indicadores.
O índice, elaborado em parceria com a mesma equipe que desenvolveu o Índice de Progresso Social (IPS-Brasil) e seguindo o da American Society of Civil Engineers (ASCE), utilizado há décadas nos Estados Unidos, permite que os estados sejam classificados em notas relacionando o que já foi feito com o que precisa ser feito.
O intuito é alcançar melhores resultados. Por isso, esse mapeamento cria ferramentas que possibilitam ao gestor saber em quais áreas destinar mais verbas.
O mapa mostra por exemplo que a diferença entre regiões e estados puxa a média nacional para baixo. De um lado, o Distrito Federal, com 74,83 pontos; e, do outro, o Acre, com apenas 28,63.
Enquanto isso, dos oito estados com nota acima da média nacional, seis pertencem ao Sul e Sudeste. No extremo oposto, cinco dos sete estados com as piores notas estão na região Norte.
No Nordeste, o saneamento básico se destaca como o maior gargalo: Pernambuco registra 31,02 pontos nessa dimensão; o Maranhão, 18,85; e o Acre chega a apenas 11,28 pontos em saneamento.
Para efeito de comparação, o Paraná marcou 76,29 na mesma dimensão enquanto o DF chega a 80,19.
Os indicadores podem ser utilizados para transformar políticas de Estado e modernizar a gestão com informações padronizadas e atualizadas ano a ano.
O que o índice mede
O Infra-BR cobre os eixos em que a engenharia tem capacidade direta de atuação, organizados em seis dimensões:
- Energia e Conectividade – telecomunicações, geração, transmissão e distribuição.
- Mobilidade – deslocamento intramunicipal, portos, escoamento de carga, rodovias e aeroportos.
- Água – qualidade e distribuição (dimensão separada pela criticidade para a vida humana).
- Bem-Estar Social e Cidadania – saúde, educação, moradia, assistência social, cultura e esporte.
- Meio Ambiente e Resiliência – adaptação climática, cobertura vegetal e conservação.
- Saneamento Básico – resíduos sólidos e esgoto.
Ao estabelecer métricas padronizadas e comparáveis ao longo do tempo, o Infra-BR permite monitorar avanços e identificar tendências estruturais além de ciclos de gestão.
Entrevista sobre o Infra-BR
Data: 19 de março
Horário: 15h (horário de Brasília)
Transmissão: YouTube do Metrópoles

