Cyberbullying: como pais e escola podem lidar com essa ameaça?

Brasil é o segundo país com mais casos de bullying virtual. Casos envolvem principalmente crianças e adolescentes: saiba como protegê-los

IStock/Reprodução

atualizado 17/10/2019 13:15


A palavra bullying resume o ato de intimidar ou amedrontar pessoas indefesas. Ela ganhou destaque mundial na última década por representar uma nova forma de violência, especialmente no ambiente escolar. O problema que já era considerado grave, pelo risco de causar danos físicos e psicológicos à vítima, tornou-se gravíssimo com o acréscimo da tecnologia na equação. Levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Ipsos em 28 países revelou que o Brasil é o segundo em casos de cyberbullying contra crianças e adolescentes.

A advogada Alessandra Borelli, especialista em direito digital, explica que o termo cyberbullying se aplica à intimidações praticadas em ambiente virtual. “Ele não tem fronteiras ou limites. Justamente pelo ambiente que a prática ocorre, na maioria das vezes via redes sociais, rapidamente os agressores se multiplicam, assim como as testemunhas”, detalha.

Segundo a especialista, esse tipo de agressão (seja física, moral e/ou material) é sempre intencional e repetida várias vezes sem uma motivação específica. A vítima, que pode ser qualquer pessoa, não tem descanso e vê sua privacidade invadida. Pelo fato de o agressor se valer de um pseudo anonimato garantido nas redes sociais, não se sabe de início quem é o responsável pelos ataques virtuais e tampouco a razão de sua atitude.

A vitima chega a sentir dificuldade de dimensionar o dano e seus traumas, já que o agressor passa a estar em todos os lugares e a todo instante. Isso faz com que o sofrimento do alvo seja potencialmente maior, com os desdobramentos repercutindo, inclusive, em sua saúde física e também mental

Alessandra Borelli, advogada especializada em direito digital

Como identificar? 
Um dos maiores problemas do cyberbullying é que ele não fica restrito. Um simples desentendimento com colegas de classe, por exemplo, pula da sala de aula para a internet e viraliza em instantes. Assim, os ataques podem acontecer o tempo todo, além de se agravarem com mais rapidez por conta do uso intenso de celular e internet pelos jovens. Por isso, a atenção dos pais devem ser redobrada. A família deve se atualizar sobre o uso das novas tecnologias e estabelecer limites, como tempo máximo, local e forma de uso.

Também é preciso estar alerta para possíveis sinais de que o filho é vítima de bullying, como:

  • queda do rendimento escolar,
  • apatia,
  • tristeza,
  • medo,
  • perda ou aumento de apetite,
  • aversão a atividades antes prazerosas. 

Caso os responsáveis identifiquem o problema, devem agir imediatamente para evitar mais sofrimento à criança ou ao adolescente, procurando gestores da escola e de outras atividades praticadas pelo jovem para discutir o assunto. Juntos, educadores e famílias podem concluir que o caso exige auxílio de um profissional: psicólogo e/ou terapeuta.

O papel da escola
Ainda que esse tipo de violência não se restrinja ao ambiente escolar, as instituições de ensino não devem se omitir. Levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Unicef, publicado no ano passado, revelou que metade dos adolescentes entre 13 e 15 anos, cerca de 150 milhões de meninos e meninas em todo o mundo, sofre violência corporal ou psicológica por parte dos colegas, dentro e no entorno das unidades de ensino. As vítimas tendem a se tornarem mais isoladas e, consequentemente, não querem ir para a escola.

Em entrevista ao Metrópoles, a professora doutora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB) Angela Uchoa Branco afirma que pais, professores e diretores devem trabalhar em conjunto para combater casos dessa natureza. Enquanto os pais precisam estar atentos ao comportamento do filho em relação à escola, docentes devem ficar de olho na dinâmica da sala de aula, intervir cuidadosamente e ter tolerância zero com o bullying. É papel dos professores conversar, ouvir e argumentar com os alunos sobre cultura de paz. Aos diretores, cabe orientar os educadores e buscar a resolução pacífica de conflitos.

Por fim, os gestores precisam estimular trabalhos em conjunto com orientadores e pedagogos para que o bullying seja coibido. “Em se tratando de crianças e adolescentes, se de um lado a vítima precisa ser ouvida, acolhida e providências serem tempestivamente adotadas para cessar as ofensas, do outro o agressor também precisa conhecer os desdobramentos que sua atitude pode ganhar e dispor da mesma oportunidade para expressar suas motivações”, finaliza a advogada Alessandra Borelli. 

Educação do Amanhã 2019
Lançado em 2018 pelo Metrópoles, o projeto Educação do Amanhã tem o objetivo de discutir novas metodologias e conceitos do processo educativo, além de estimular novas habilidades nos jovens do século 21.

Neste ano, ao longo de duas semanas, o portal publicará uma série de conteúdos relacionados às mudanças na área da educação: o que esperar da escola do futuro, o universo tecnológico e as tendências no processo de aprendizagem. Além, é claro, do novo papel do professor diante deste cenário repleto de desafios.

A iniciativa tem patrocínio da Casa Thomas Jefferson, Colégio Ideal, Colégio Objetivo, AISEC e Colégio Marista João Paulo II.

O encerramento do projeto será marcado com a realização de um seminário no auditório do Edifício Íon, na SQN 212, Asa Norte (DF), que incluirá palestras inspiracionais, impactantes e reflexivas sobre como o processo educacional está em transformação nos dias atuais.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo Sympla. Confira as palestras:

Educação para o século XXI
Palestrante: Rui Fava

A sala de aula inovadora
Palestrante: Fausto Camargo

Culturas de pensamentos e investigação na escola
Palestrante: Clarissa Bezerra

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