Mais de 5 milhões dos consumidores de delivery pertencem à Geração Z
51% dos pedidos em delivery são desse público. Praticidade é um dos principais fatores para a escolha desse modelo de consumo

A Geração Z tem transformado a forma como os brasileiros consomem por delivery. Para esse público, formado por pessoas nascidas entre 1997 e 2012, que cresceu com o celular na mão, pedir refeições por aplicativos já faz parte da rotina.
Para a brasiliense Giovanna Leles Rocha, de 28 anos, esse costume vem da conveniência. “Eu peço delivery mais pela praticidade. Gosto de cozinhar, mas trabalho home office e muitas vezes estou em reunião e não tenho tempo de preparar uma refeição. Então o delivery é uma ótima alternativa.”
Ela conta que pede por serviços de entrega cerca de quatro vezes por semana. Atualmente, tem preferido refeições de restaurantes de comida caseira, mas recorre ao hambúrguer quando sente vontade de comer fast food.
E essa praticidade não atraiu só a Giovanna. Segundo uma pesquisa divulgada pela Ticket, a Geração Z foi responsável por 51% dos pedidos de delivery feitos no Brasil em 2024.
Entre os entrevistados, 46% afirmaram preferir receber a comida em casa do que buscar o pedido no estabelecimento ou utilizar o drive-thru.
Outro levantamento, desta vez da Serasa Experian, aponta que aproximadamente 5,3 milhões dos consumidores de delivery pertencem à Geração Z.
Variedade entre as plataformas
Morador de São Paulo, Arthur Fascina, de 25 anos, comemora que existem diferentes plataformas de entrega de comida para escolher.
“Meu consumo dentro das plataformas de delivery aumentou nos últimos tempos e a diversidade de plataformas também. Eu utilizo vários aplicativos, entre eles o 99, que está entrando agora no mercado, e que oferece descontos e cupons. Sempre olho qual está mais barato para pedir”, admite.
Arthur afirma que costuma pedir comida entre três e quatro vezes por semana, principalmente no almoço e no jantar. “Foco bastante em comidas saudáveis. Se eu for pegar meu histórico nos deliveries, 80% são aqueles pokes”, relembra.
Para ele, a informação também é importante. “Prezo por lugares que colocam a quantidade de gramas de cada coisa e assim eu consigo ter maior controle sobre a ingestão de calorias e de macronutrientes”, pondera.
Embora atualmente priorize refeições consideradas saudáveis, Arthur conta que a relação com o delivery mudou ao longo dos anos. Durante a faculdade, o fast food aparecia com mais frequência nos pedidos. “Era uma forma de me presentear depois de uma prova difícil ou de algum momento complicado na faculdade.”

Comportamento
Especialista em comportamento alimentar, o nutricionista César Moraes aponta que um dos motivos para os jovens da geração Z consumirem cada vez mais alimentos pelo delivery está na perda das habilidades culinárias, presente em outros grupos como da Geração X (nascidos entre 1965 e 1980) e Baby Boomers (1946 a 1964).
“A busca pelo delivery está em todas as gerações. No entanto, no consultório, percebo que, quando o paciente é mais jovem, a busca por uma alimentação mais prática aumenta. É uma geração que não tem tanto tempo para fazer uma refeição e acaba consumindo mais fast food e alimentos ultraprocessados”, aponta César.
Além disso, de acordo com o nutricionista, é um perfil que tem um grande engajamento nas redes sociais. “O padrão alimentar também é moldado a partir do que se consume nas redes sociais, pelos influenciadores e toda a publicidade presente nesses ambientes digitais”, explica.
“Existe essa mudança de influência corporal, estética e até na busca por saudabilidade, mas, na prática, o que vemos é um aumento no consumo de ultraprocessados, de bebidas açucaradas e refrigerante zero e as barrinhas de cereais e proteicas”, completa.
Proteína em alta
Snacks proteicos, barrinhas, suplementos e bebidas enriquecidas com proteína estão entre os produtos que despertam o interesse desse público.
Segundo dados da Kantar, cerca de 25% dos jovens procuram alimentos com alto teor proteico ou relacionados a uma dieta vegana. A pesquisa também mostra que 74% preferem alimentos que possam ser preparados em até 20 minutos.
Para a nutricionista comportamental Mariana Bueno, a procura está muito mais ligada à praticidade do que necessariamente à composição de uma refeição completa. “Eles já têm instalados os aplicativos de entrega e já têm salvos os restaurantes de preferência.”
Um hábito que começa em casa
O comportamento alimentar dos jovens também está relacionado à rotina familiar. Segundo Mariana, a falta de tempo para cozinhar e fazer refeições em família contribuiu para que muitos tivessem maior contato com alimentos industrializados desde cedo.
“Isso vem de um comportamento familiar. Por conta da rotina, muitos pais não têm o hábito de cozinhar para os filhos, fazer uma refeição em família. A Geração Z é muito mais exposta aos alimentos industrializados e fast food do que as gerações anteriores, como os millennials”, frisa.
Para ela, enfrentar esse cenário exige uma mudança que ultrapasse as escolhas individuais. “Para mudar esse cenário, é necessária uma mudança de ambiente familiar, com comidas menos industrializadas, mais leguminosas e variedade proteica, e não transferir para os suplementos ou barrinhas proteicas.”
Delivery pode ser parte da solução
As próprias plataformas podem ser utilizadas para facilitar escolhas mais equilibradas.
O relato de Arthur mostra como essa possibilidade já faz parte da rotina de alguns consumidores. Ao escolher pokes, ele consegue personalizar ingredientes e controlar melhor a composição da refeição.
Além de oferecer outras opções, como saladas e refeições de comida brasileira, que podem agregar na rotina de uma alimentação saudável.
Nesse sentido, a 99 Food chega como uma grande aliada ao reunir em um só aplicativo restaurantes de diversos nichos.
