Custo Brasil: saiba quais entraves encarecem a vida do brasileiro

Campanha alerta sobre como o Custo Brasil está comendo a competitividade e os empregos no país

Michael Melo/Metrópoles
imagem colorida moeda de um real com gráfico no segundo plano
1 de 1 imagem colorida moeda de um real com gráfico no segundo plano - Foto: Michael Melo/Metrópoles

atualizado

metropoles.com

Uma campanha da Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta os principais vilões presentes na economia brasileira. O chamado Custo Brasil reúne um conjunto de fatores estruturais, burocráticos e econômicos que tornam produzir, investir e empregar mais caro e complexo no país. 

Segundo estimativas da CNI, esse peso atinge R$ 1,7 trilhão por ano e consome cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para o vice-presidente da entidade, Leo de Castro, o valor não pode ser encarado como uma estatística distante da realidade da população. “Não adianta falar apenas de macroeconomia, temos que mostrar que esse custo está comendo a competitividade e os empregos dentro da fábrica”, afirma. 

Embora pareça um termo técnico, os efeitos são totalmente concretos. Ele pode ser sentido nos preços mais altos no supermercado, na dificuldade de encontrar emprego e no crescimento econômico mais lento. 

 

Ver esta publicação no Instagram

 

Uma publicação partilhada por CNI (@cnibr)

Um “imposto invisível” 

Na avaliação da entidade, o Custo Brasil funciona como um imposto que ninguém vê na etiqueta, mas que está embutido em tudo o que se consome. “Ele é repassado ao consumidor final, encarecendo produtos essenciais e corroendo o poder de compra das famílias”, aponta Castro. 

O reflexo também chega ao mercado de trabalho. “A insegurança jurídica e os encargos trabalhistas elevados criam uma barreira à contratação formal. Mais da metade das indústrias empregaria mais se tivéssemos regras parecidas com as de países desenvolvidos”, afirma o vice-presidente da CNI. 

Onde estão os maiores custos

Embora atinja toda a economia, a indústria sente o impacto de forma mais intensa. De acordo com levantamento feito pela Nexus/CNI, cerca de 70% dos empresários industriais consideram o sistema tributário o principal entrave. 

Em segundo lugar, aparece a mão de obra, citada por 62%, evidenciando tanto o custo dos encargos trabalhistas quanto a escassez de mão de obra qualificada. O acesso ao crédito, com juros elevados e exigências rígidas, completa a lista: cerca de 27% veem o financiamento como fator crítico à expansão.

 

Ver esta publicação no Instagram

 

Uma publicação partilhada por CNI (@cnibr)

Para o superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, esses números têm reflexo direto na capacidade competitiva do país.

“Gastamos mais de 1.500 horas por ano apenas para cumprir obrigações tributárias. A conta de luz pesa mais do que deveria e as estradas ruins encarecem o frete. Isso tudo sai do caixa da empresa e chega ao consumidor”, pontua.

De acordo com Silveira, esse custo atua como um freio de mão puxado. “Ele retira a competitividade do produto nacional frente ao importado e pune o consumidor final, que paga esse valor embutido no preço de tudo, do pão ao medicamento”, reforça.

Reforma tributária

A reforma tributária aprovada pelo Congresso é considerada uma oportunidade histórica, mas a CNI alerta que os efeitos dependerão da regulamentação em curso no PLP nº 68/2024.

A entidade defende a não cumulatividade plena dos tributos e a devolução ágil de créditos tributários para evitar que impostos pagos se transformem em custo adicional às empresas.

Mesmo assim, o setor produtivo avalia que a simplificação não garante, por si só, a redução da carga total. “Sem controle dos gastos públicos e sem uma reforma administrativa, continuaremos com um Estado caro, ainda que mais organizado”, pondera Leo de Castro.

Risco de fechamento e estagnação

A avaliação da CNI é a de que o atual cenário é preocupante. “Nossa pesquisa mostra que, se o Custo Brasil não cair, 24% dos empresários temem o fechamento de empresas e falências, e 19% preveem recessão ou colapso econômico”, alerta Leo de Castro. “Não é alarmismo. É a realidade de quem compete com países que não carregam esse fardo.”

Além disso, o Brasil corre o risco de perder oportunidades estratégicas, como a atração de empresas que buscam produzir mais perto dos mercados consumidores e os investimentos ligados à transição energética.

“Se continuarmos estagnados, perderemos a janela de oportunidades do nearshoring e da transição verde”, afirma o vice-presidente da entidade.

Comunicação acessível 

Diante desse cenário, a CNI tem apostado em uma campanha para aproximar a população desse tema que impacta diariamente a vida das pessoas, trazendo para o lado mais lúdico os personagens que atuam diretamente na economia do país.

 

Ver esta publicação no Instagram

 

Uma publicação partilhada por CNI (@cnibr)

“A ideia foi dar nome e forma aos inimigos invisíveis. O ‘Tributácio’, por exemplo, representa a insanidade do nosso sistema fiscal atual, a ‘Infradonha’ escancara nossa logística deficiente e o ‘Burocratus’ é a insegurança jurídica que amarra decisões”, explica Silveira.

Já o “Jurássico”, materializa o sistema de crédito arcaico e caro que impede 77% das empresas de investirem mais. E o “Custo Circuito” dá cara aos penduricalhos na conta de luz que fazem a energia ser caríssima, mesmo com matriz limpa.

Conheça mais sobre esses vilões no Raio X do Custo Brasil

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?