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Empresas com conta de luz superior a R$ 5 mil por mês, que sejam de média e alta tensão (Grupo A), já podem optar pela contratação de energia no mercado livre, modelo que permite negociar preços, prazos e condições diretamente com fornecedores.
A migração traz previsibilidade de custos, economia no longo prazo e pode aumentar a eficiência na gestão do negócio. A decisão, no entanto, exige planejamento e escolha criteriosa do fornecedor de energia a fim de evitar riscos.
A abertura gradual do mercado livre de energia para o chamado Grupo A tem ampliado as opções para pequenas e médias empresas em diversas regiões do país.
Para negócios com consumo relevante, como supermercados, restaurantes, indústrias de cerâmicas, empresas do varejo, prédios e condomínios comerciais, entre outros, a possibilidade de firmar contratos de energia por vários anos representa uma mudança importante na gestão financeira.
O ambiente de contratação livre permite ao cliente negociar valores e estabelecer condições contratuais mais adequadas ao respectivo perfil de consumo.
Isso significa reduzir a exposição às oscilações provocadas por fatores como o regime de chuvas, que impacta a geração hidrelétrica e, consequentemente, os preços da energia no país.
A previsibilidade proporcionada por contratos de médio e longo prazos tem sido um dos principais atrativos para as empresas.
Ao fixar condições previamente acordadas, é possível projetar custos com mais segurança e manter o foco no negócio, sem surpresas que afetem o fluxo de caixa ao longo do ano, a estabilidade financeira da empresa ou que gere riscos operacionais para o negócio.
Veja aqui as principais vantagens de migrar para o mercado livre:
- Previsibilidade de custos no longo prazo – contratos estruturados permitem maior controle orçamentário e proteção contra oscilações tarifárias.
- Potencial de redução de despesas ao longo do contrato – a negociação direta com o fornecedor possibilita condições comerciais mais competitivas e alinhadas ao perfil de consumo da empresa.
- Segurança na contratação – fornecedor que possua geração própria, modelos sólidos de governança e capacidade financeira comprovada reduz risco de ruptura de contrato e aumenta a estabilidade do negócio.
- Assessoria especializada – acesso a equipes técnicas que analisam o perfil de consumo e estruturam soluções personalizadas para maximizar eficiência e desempenho no mercado livre.
- Energia renovável certificada (I-REC) – possibilidade de contratar energia com certificação internacional, contribuindo para metas de descarbonização e fortalecimento da agenda ESG.
Lições internacionais e os riscos da abertura acelerada
Especialistas alertam, porém, que a migração exige cuidado por parte dos empresários na hora de fazer a contratação da comercializadora.
Isso porque a entrada acelerada de novos agentes no mercado livre ampliou as opções disponíveis, mas também trouxe desafios à gestão de risco das empresas.
Comercializadoras com estrutura financeira limitada ou pouca experiência na gestão de risco podem ter dificuldade para cumprir contratos em momentos de maior instabilidade, o que pode gerar insegurança e prejuízos para o consumidor.
Muitas vezes essas comercializadoras oferecem também energia a preços irrealistas e, com muita frequência, não conseguem cumprir os contratos.
“Muitas vezes, na busca por reduzir custos no curto prazo, o empresário, diante de ofertas irreais, toma a decisão sem avaliação adequada. Isso pode colocar o negócio em risco, porque algumas comercializadoras acabam não conseguindo cumprir os contratos firmados e, em casos extremos, deixam de entregar a energia contratada. A empresa tem então que recontratar a energia emergencialmente, pagando valores muito superiores.”
Rita Knop, diretora comercial da Neoenergia
Experiências internacionais mostram que a ampliação da concorrência, quando ocorre de forma acelerada e sem mecanismos adequados de proteção, pode gerar efeitos negativos.
No Reino Unido, por exemplo, a crise energética entre 2021 e 2022 levou 29 fornecedores à falência, afetando quase 4 milhões de clientes.
Relatório da National Audit Office apontou que a entrada de empresas pouco capitalizadas tornou o sistema mais vulnerável, e parte dos custos acabou sendo arcado pelos consumidores.
Na França, cerca de 20 comercializadoras deixaram o mercado no mesmo período, incapazes de sustentar os preços ofertados em um cenário de forte volatilidade.
Os episódios têm pontos em comum: capital insuficiente, modelos de negócio excessivamente agressivos e estrutura de governança frágil. Em mercados abertos, agentes com menor capacidade financeira tendem a ser os primeiros a sair, e os impactos recaem diretamente sobre quem contratou.
No Brasil, o setor também já registrou casos de comercializadoras que entraram em recuperação judicial ou encerraram as atividades, acumulando débitos expressivos.
Para as empresas, isso pode significar necessidade de recontratação emergencial, perda de previsibilidade orçamentária, exposição a condições de mercado de energia menos favoráveis e comprometimento de margens – que já são apertadas, sobretudo em setores como varejo e alimentação.
Para negócios, cujas margens muitas vezes variam entre 1% e 2% do faturamento, qualquer variação inesperada na conta de energia pode comprometer de forma irremediável o capital de giro e inviabilizar planos ou investimentos das empresas.
Por isso, especialistas recomendam que a decisão de migrar para o mercado livre seja acompanhada de avaliação da solidez financeira, histórico de atuação e estrutura de gestão de risco da comercializadora. É sempre importante assegurar a entrega da energia, o produto principal.
Mercado livre dá novo impulso às empresas
Para as empresas, a decisão de ingressar no mercado livre passou a fazer parte da estratégia financeira do negócio. A possibilidade de escolher o fornecedor e definir condições contratuais mais alinhadas ao perfil de consumo permite maior controle sobre custos e mais clareza no planejamento de médio e longo prazo.
Esse foi o caso do restaurante Ta San Yuen. Em 2024, a companhia buscou alternativas no mercado livre e formas de melhorar a gestão da energia. Depois de analisar propostas de diversas comercializadoras, optou por estruturar a portabilidade para o mercado livre de energia com a Neoenergia.
O processo começou com um diagnóstico detalhado do consumo, incluindo análise de sazonalidade, horários de maior demanda e condições da infraestrutura existente.
A partir desse levantamento, foi desenhado um contrato de fornecimento com horizonte de 3 anos, permitindo projetar uma economia estimada de 30% ao longo de todo o período.
Os resultados foram além da redução gradual do custo da energia.

“A migração nos levou a revisar processos e a adotar uma gestão mais eficiente do consumo. Ganhamos previsibilidade no fornecimento, reduzimos custos ao longo do tempo e conseguimos produzir mais com menor gasto de energia, investindo, por exemplo, parte da economia na reforma do restaurante”, afirma Breno Chuang Chan, dono do restaurante.
Assessoria energética durante todo processo de migração
A combinação entre geração própria, gestão de risco consolidada e solidez financeira permite à Neoenergia sustentar contratos mesmo em cenários de alta volatilidade. A companhia estruturou-se para este novo momento de expansão do mercado livre brasileiro.
O ingresso das grandes e agora as pequenas e médias empresas com conta acima de R$ 5 mil no mercado livre permitiu um crescimento importante desse segmento em 2025, e a expectativa é que essa forma de contratação deverá acelerar entre 2026 e 2028.
Apenas em 2025, o número de empresas no mercado livre de energia cresceu 41% em 12 meses, alcançando o número de 82,5 mil clientes no país.
Para atender empresas que buscam o mercado livre, a Neoenergia tem consultores especializados no tema.
Esses profissionais orientam o consumidor para esse novo modelo de contratação de energia e identificam os riscos envolvidos, as alternativas contratuais e as possibilidades disponíveis para as empresas, sempre considerando os aspectos de previsibilidade de fornecimento e de custo ao longo do tempo.
“Trata-se de uma decisão estratégica para a empresa, algo que vai mudar a relação dela com um insumo essencial para o negócio”, afirma a diretora comercial. “Partimos sempre dessa perspectiva. Entendemos que é fundamental oferecer consultoria especializada para que o empresário tenha todos os elementos necessários para uma escolha estratégica para o seu negócio.”

