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Se crescer exige investimento, a pergunta que move economistas, governos e empresas é inevitável: de onde virá o dinheiro para financiar o futuro do Brasil?
Em um cenário de orçamento público pressionado, mudanças na economia global e aumento da demanda por crescimento sustentável, essa discussão deixa de ser técnica e passa a ocupar o centro das decisões estratégicas do país.
É nesse contexto que Brasília recebe, nos dias 1º e 2 de abril, a 11ª edição do Fórum do Desenvolvimento, promovido pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).
Promovido na Arena do Banco do Brasil, o encontro reúne autoridades, economistas e representantes de instituições financeiras para discutir como o Brasil pode ampliar a capacidade de investir em infraestrutura, inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional mesmo diante de restrições fiscais.
“Vivemos um momento em que as transformações tecnológicas se aceleram, as desigualdades se aprofundam e a crise climática já não bate à porta: ela entrou. Diante dessa realidade, a inação não é uma opção neutra — ela tem custo, e esse custo cresce a cada dia que passa”, afirma Maria Fernanda Coelho, presidente da ABDE.
“Por isso, eventos como o Fórum do Desenvolvimento importam. Porque é lá que o debate sai do papel e encontra os agentes que têm o poder e a responsabilidade de transformá-lo em ação”, completa.
Mais do que um debate econômico, o fórum trata de um tema que impacta diretamente o cotidiano: crédito para empresas crescerem, financiamento de obras públicas, apoio a pequenos negócios e investimentos que geram emprego e renda.

O dinheiro que move o país
Por trás de grandes obras, políticas públicas e projetos empresariais existe uma engrenagem pouco visível, mas decisiva: o sistema de financiamento ao desenvolvimento.
No Brasil, essa estrutura é representada pelo chamado Sistema Nacional de Fomento (SNF), um conjunto de 35 instituições financeiras entre bancos públicos, agências de fomento e cooperativas responsável por cerca de 70% do crédito destinado a investimentos no país.
Na prática, isso significa que grande parte do dinheiro que financia estradas, energia, inovação, indústria e agronegócio passa por esse sistema.
E é justamente esse modelo que está sendo colocado em discussão.
Com o tema “Da Arquitetura Financeira Internacional aos Fundos Públicos Nacionais: Caminhos para o Desenvolvimento”, o fórum propõe analisar desde o cenário global marcado por incertezas e mudanças geopolíticas até os mecanismos internos que permitem transformar recursos em investimentos concretos.
A analogia é simples: se o crescimento econômico fosse uma obra, os fundos públicos seriam a base estrutural, e o crédito, o concreto que permite que ela saia do papel.
Fundos públicos
Apesar do nome técnico, os fundos públicos fazem parte do dia a dia da economia.
São instrumentos que direcionam recursos para áreas consideradas estratégicas, como infraestrutura, educação, inovação e sustentabilidade. Funcionam como uma espécie de “reserva organizada” de recursos para financiar projetos que, muitas vezes, não teriam apoio suficiente apenas do mercado.
Mas, o desafio atual é tornar esses mecanismos mais eficientes.

Em um cenário de restrição orçamentária, cada decisão de investimento precisa ser mais precisa, mais transparente e com maior impacto. Além disso, cresce a necessidade de combinar recursos públicos com capital privado, o chamado financiamento híbrido, para ampliar a capacidade de investimento do país.
Outro ponto central são os fundos garantidores, que ajudam a reduzir riscos e facilitam o acesso ao crédito, especialmente para micro, pequenas e médias empresas.
Sem esses instrumentos, muitos negócios simplesmente não conseguiriam financiamento.
Quem decide como o Brasil investe
Um dos principais diferenciais do fórum é reunir, no mesmo espaço, atores que influenciam diretamente o financiamento da economia brasileira.
Entre eles, está Aloizio Mercadante, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), uma das principais instituições de crédito de longo prazo do país.
Ao lado dele, Maria Fernanda Coelho, responsável por articular o sistema de fomento e também diretora no BNDES.
Também está confirmada Tarciana Medeiros, que lidera uma instituição com papel essencial na oferta de crédito para empresas e produtores rurais em todo o país, o Banco do Brasil.
O debate ganha ainda dimensão internacional com a presença de Annette Kilmer, ligada ao Banco Interamericano de Desenvolvimento, e de Jochen Quinten, que atua em projetos de cooperação voltados ao desenvolvimento sustentável.
Completa o grupo Luiz Antonio Elias, presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), instituição responsável por financiar pesquisa, inovação e tecnologia em áreas cada vez mais estratégicas para o crescimento econômico.
São essas lideranças que, na prática, ajudam a definir como o dinheiro circula na economia brasileira.
Desenvolvimento
O fórum também dialoga com um cenário global mais complexo.
Mudanças climáticas, tensões geopolíticas, transformações tecnológicas e novas dinâmicas de comércio internacional estão redesenhando a forma como países financiam o próprio crescimento.
Nesse contexto, temas como financiamento climático ganham espaço. A discussão passa a incluir não apenas o custo de investir em soluções sustentáveis, mas também o custo de não agir especialmente diante de eventos extremos e impactos ambientais.
Outro ponto relevante é a inserção do Brasil no comércio internacional. Ampliar a competitividade da produção nacional depende, em grande parte, da capacidade de oferecer crédito, garantias e suporte financeiro ao setor produtivo.

Uma agenda estratégica
Promovido em Brasília, o fórum ganha peso adicional por ocorrer no centro das decisões políticas do país.
A capital reúne os principais formuladores de políticas públicas, órgãos de controle e instituições financeiras. Isso transforma o evento em um espaço não apenas de debate, mas de articulação.
A programação inclui painéis sobre orçamento público, sustentabilidade fiscal, crédito, fundos garantidores e financiamento climático, além do lançamento de iniciativas voltadas à qualificação da gestão financeira, como o Centro de Qualidade do Crédito e o Selo Gestão de Fundos.
Fórum do Desenvolvimento ABDE 2026
Tema: Da Arquitetura Financeira Internacional aos Fundos Públicos Nacionais: Caminhos para o Desenvolvimento
Data: 1º de abril de 2026 — das 8h30 às 18h — e 2 de abril — das 8h30 às 12h
Local: Arena do Banco do Brasil (Quadra 5, Lote B, SAUN, s/n, Asa Norte – Brasília/DF)
Inscrições gratuitas: www.forumdodesenvolvimento.com.br

