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Conteúdo especial

A engenharia é a pedra fundamental da evolução das sociedades

No terceiro dia da 79ª SOEA, especialistas debatem inovação, viagem ao espaço e poder transformador da mente

Ricardo Borges
Fotografia colorida mostrando auditório lotado-Metrópoles
09/10/2024 19:09, atualizado 09/10/2024 19:35

Para abrir o painel “Tecnologia e Inovação Mudam a História” no terceiro dia da 79ª Semana Oficial da Engenharia e Agronomia (SOEA), o Fórum Jovem/Crea-JR Nacional anunciou os grandes vencedores do prêmio Crea Jovem, iniciativa que testa os conhecimentos dos participantes de cada conselho em temas como legislação e novidades tecnológicas.

O Crea Júnior Espírito Santo conquistou o ouro, seguido pelo Crea Júnior Goiás, que levou a prata, e pelo Crea Júnior Paraná, que ficou com o bronze.

Na sequência, o espaço Arena Inovação foi palco da apresentação de projetos como o protótipo desenvolvido pela Equipe Run, vencedora do 1º Hackathon do Sistema Confea/Crea.

A equipe Run apresentou um sistema que promete desburocratizar a emissão dos registros profissionais de engenheiros e agrônomos.

Entre as inovações propostas, destaca-se a integração via API com as faculdades, permitindo que as instituições façam o registro dos estudantes nos Creas assim que se formarem.

Essa solução visa a dinamizar e agilizar um processo tradicionalmente longo e burocrático, segundo os membros da equipe.

Revolução digital

Em seguida, ao abordar o tema “Transformando a Vida dos Engenheiros”, o gerente técnico para a América Latina da Dassault Systèmes, Thiago Amorim, ressaltou a importância da engenharia, que, para ele, é a pedra fundamental do desenvolvimento e da evolução das sociedades.

“A tecnologia e a inovação estão tornando os processos mais ágeis e eficientes. A gente nem imaginava tecnologias como as dos carros elétricos, como a Tesla fez e hoje foi superada pela BYD. O mundo hoje tem que se voltar para a economia circular. Tudo passa por ela”, ponderou.

Amorim destacou o papel das inovações ao longo do tempo e na vida das pessoas e chamou a atenção para o que ele apontou como grandes revoluções da tecnologia, que são a Midjourney, a Grammarly e a Generative IA.

Viagem ao espaço

Já o engenheiro de produção Victor Hespanha, que é cofundador da Psyche Aerospace, abordou o vasto mercado aeroespacial no Brasil que, para ele, é muito pouco explorado.

“Fui treinado pelo astronauta Charles Duke, da Apollo 16. Foi um grande privilégio para mim. Isso começou quando fui para o Texas e vi pela primeira vez um foguete. Foi uma experiência muito legal. Já no espaço, o the overview efects, que é a visão que os astronautas têm do espaço é a coisa mais incrível, fiquei emocionado. E já adianto que a Terra é redonda”, contou ao apresentar o tema “Empreendedorismo espacial”.

“Antes contávamos de dedos a quantidade de astronautas no país. A partir de 2020, tivemos a ascensão de empresas privadas e isso influenciou muito, tanto que já temos uns 40 astronautas. O mercado aeroespacial faz parte de nossa vida. Todos precisam de infraestrutura, satélites, da ascensão do espaço aeroespacial. É caro ainda, mas é possível”, afirmou.

Durante o painel, Hespanha apresentou Gabriel Leal, o baiano que inventou o maior drone agrícola de pulverização do mundo, chamado de O Harpia P-71.

O equipamento revolucionário, com tecnologia inteiramente brasileira tem sido testado em Mato Grosso. “Mas, a ideia é de difundir e fabricar mais mil drones desses. Temos que pensar na inovação, na verticalização e na retomada da indústria no Brasil, principalmente a indústria aeroespacial.”

Em consonância com Leal, Hespanha relembrou que o Brasil é celeiro do mundo também pela força do agronegócio e da Amazônia. “Mas, precisamos investir em infraestrutura. Infraestrutura é a chave para o desenvolvimento. E nesse contexto, olhem para o espaço. Existe viabilidade no espaço. Precisamos de pessoas fora da curva para termos grandes conquistas. E a engenharia nos proporciona isso.”

“Tudo é possível”

Para finalizar o painel, com o tema “Mindset Inovador”, Andrea Iorio, especialista em transformação digital, ex-diretor do Tinder na América Latina e chief digital officer da L’Oréal, abordou o poder da mente e de como é preciso se desconectar, desaprender para se transformar.

“Sempre ouvia a frase motivacional ‘voa porque foguete não tem ré’ e achava muito boa, usava sempre. Até que, em 2017, o foguete de Elon Musk mostrou que essa frase estava errada e foi quando percebi que precisamos mudar nosso pensamento”, ressaltou.

“Tudo é possível se, quando olhamos para futuro, olhamos com a mente de iniciante, que é quando estamos abertos ao novo. Mas, não se joga nenhuma experiência no lixo, tudo é importante”, acrescentou. “Hoje, os dados precisam ser refinados, assim como o petróleo, e precisamos nos transformar a todo tempo.”