O atacado e varejo no Itapoã que ofereceu 300 vagas de emprego, atraindo centenas de pessoas em uma fila quilométrica nessa quarta-feira (9/1), recebeu cerca de 18 mil currículos em um período de apenas sete horas.

A informação é do gerente do “atacarejo”,  Antônio José Pereira. De acordo com ele, o local começará a funcionar em aproximadamente 45 dias.

A estimativa inicial era de 12 mil currículos. “A pré-seleção dos funcionários já começou e devemos iniciar entrevistas na semana que vem”, explica o gerente. “Estamos buscando profissionais das áreas mas ofereceremos um curso preparatório.”

Açougueiro, padeiro, caixa e fiscal estão entre as funções a serem preenchidas. A divulgação foi feita há uma semana. Após a avaliação, os selecionados devem começar a trabalhar imediatamente. Além do “atacarejo”, o gerente informou que está sendo construído um shopping no mesmo local. Para as lojas, deverão ser selecionados mais mil currículos.

 

Esperança
Na esperança de conseguir um emprego fixo, muitos madrugaram na fila. Luana Barbosa, 20 anos, está atrás do primeiro emprego. Na fila desde as 23h de terça (8), ela disse que precisa muito da oportunidade: “Não importa o cargo nem o salário”.

As primeiras pessoas chegaram por volta das 18h. Marcos Edmundo Soares, 17, foi pego de surpresa pela quantidade de interessados na fila e não esperava ter que dormir no local. Porém, segundo ele, precisa muito do trabalho: “É a prova de que muitos estão desempregados”.

Os noivos Lucas Salles e Pollyana Silva, ambos de 25 anos, chegaram ao local por volta de 6h de quarta (9). Sabiam que a disputa seria concorrida, porém não imaginavam o tamanho da fila. Para ambos, moradores do Itapoã, a maior facilidade é a proximidade do lugar. “Foi uma coisa muito boa terem construído um “atacarejo” aqui. Assim, não precisamos pegar ônibus e nos deslocar até o Plano Piloto para trabalhar”, explicou Pollyana.

Islaine de Oliveira, 24, não conseguiu nenhum emprego desde que terminou o ensino médio. Na fila desde 5h30, a jovem afirma que espera finalmente poder trabalhar, “qualquer que seja a função”.

Desemprego
De acordo com o último boletim divulgado pelo GDF, a taxa de desemprego total no Distrito Federal passou de 18,4%, em outubro, para 18,5%, em novembro. Segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), o contingente de desempregados foi estimado em 310 mil pessoas.

Na análise por regiões administrativas, a pesquisa aponta que a menor taxa de desemprego é encontrada no grupo de quem tem renda média/alta. Em outubro, essa categoria acumulava 17% de desemprego. Agora, a taxa é de 16,3%.

O grupo engloba Águas Claras, Candangolândia, Cruzeiro, Gama, Guará, Núcleo Bandeirante, Sobradinho, Sobradinho II, Taguatinga e Vicente Pires.

Já a maior taxa de desemprego está no grupo de regiões que possuem menor renda – Fercal, Itapoã, Paranoá, Recanto das Emas, Estrutural e Varjão.

O estudo ainda aponta o perfil dos afetados pelo desemprego no DF. Entre os desempregados, a maior parte é de mulheres, 55%. Quando considerada a idade, os jovens de 16 a 24 anos representam 43%. No atributo pessoal de cor, 74,3% são negros.