“Atacarejo” abre vagas no DF e interessados fazem fila quilométrica

Empresa espera receber 12 mil currículos e selecionar 300 trabalhadores para diversas funções. A contratação será imediata

Luísa Guimarães/MetrópolesLuísa Guimarães/Metrópoles

atualizado 10/01/2019 8:56

Uma fila quilométrica, com centenas de pessoas, chama a atenção desde as primeiras horas desta quarta-feira (9/1) na cidade do Itapoã. São candidatos a vagas de emprego em um “atacarejo”. Muitos dormiram na porta da empresa para estar entre os primeiros a entregar o currículo. Uma faixa colocada na entrada do estabelecimento informa que o documento deve ser entregue entre 9h e 16h. Não há informações detalhadas sobre cargos, salários e exigências de escolaridade ou experiência.

Segundo Antônio José Pereira, gerente do “atacarejo”, a expectativa é que sejam entregues 12 mil currículos. Desses, serão selecionados 300. Açougueiro, padeiro, caixa e fiscal estão entre as funções. A divulgação foi feita há uma semana. Os selecionados passarão por avaliação e devem começar a trabalhar imediatamente. De acordo com ele, o local começará a funcionar em cerca de 45 dias.

Além do “atacarejo”, o gerente informou que está sendo construído um shopping no mesmo local. Para as lojas, deverão ser selecionados mais mil currículos.

 

Luana Barbosa, 20 anos, está atrás do primeiro emprego. Na fila desde as 23h de terça (8), ela disse que precisa muito da oportunidade: “Não importa o cargo nem o salário”.

As primeiras pessoas chegaram por volta das 18h. Marcos Edmundo Soares, 17, foi pego de surpresa pela quantidade de interessados na fila e não esperava ter que dormir no local. Porém, segundo ele, precisa muito do trabalho: “É a prova de que muitos estão desempregados”.

Os noivos Lucas Salles e Pollyana Silva, ambos de 25 anos, chegaram ao local por volta de 6h desta manhã. Sabiam que a disputa seria concorrida, porém não imaginavam o tamanho da fila. Para ambos, moradores do Itapoã, a maior facilidade é a proximidade do lugar. “Foi uma coisa muito boa terem construído um “atacarejo” aqui. Assim, não precisamos pegar ônibus e nos deslocar até o Plano Piloto para trabalhar”, explicou Pollyana.

Islaine de Oliveira, 24, não conseguiu nenhum emprego desde que terminou o ensino médio. Na fila desde 5h30, a jovem afirma que espera finalmente poder trabalhar, “qualquer que seja a função”.

O Metrópoles está no local e aguarda falar com representantes da empresa.

Desemprego
De acordo com o último boletim divulgado pelo GDF, a taxa de desemprego total no Distrito Federal passou de 18,4%, em outubro, para 18,5%, em novembro. Segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), o contingente de desempregados foi estimado em 310 mil pessoas.

Na análise por regiões administrativas, a pesquisa aponta que a menor taxa de desemprego é encontrada no grupo de que tem renda média/alta. Em outubro, essa categoria acumulava 17% de desemprego. Agora, a taxa é de 16,3%.

O grupo engloba Águas Claras, Candangolândia, Cruzeiro, Gama, Guará, Núcleo Bandeirante, Sobradinho, Sobradinho II, Taguatinga e Vicente Pires.

Já a maior taxa de desemprego está no grupo de regiões que possuem menor renda – Fercal, Itapoã, Paranoá, Recanto das Emas, Estrutural e Varjão.

O estudo ainda aponta o perfil dos afetados pelo desemprego no DF. Entre os desempregados, a maior parte é de mulheres, 55%. Quando considerada a idade, os jovens de 16 a 24 anos representam 43%. No atributo pessoal de cor, 74,3% são negros.

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