Ibrae culpa candidatos por “ato de vandalismo” e anulação de concurso

Banca organizadora do certame da Sedestmidh afirmou que cometeu "um engano" ao enviar malote a local errado, o que seria corrigido

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atualizado 25/03/2019 9:11

Em comunicado divulgado na noite desse domingo (24/3), o Instituto Brasil de Educação (Ibrae) disse que cometeu um “engano” ao mandar malote de provas para a faculdade errada, mas afirma que o cancelamento do certame da Secretaria de Desenvolvimento Social do Distrito Federal (Sedest) ou antiga Sedestmidh se deu por conta de atos de vandalismo de alguns candidatos.

No texto, a banca organizadora explica ter constatado que um único malote de provas destinado para a Universidade Paulista (Unip) foi enviado para a Upis. Esse “engano”, segundo o Ibrae, atrasaria em 27 minutos o início da prova em cinco salas da Unip.

O instituto detalha que a distância entre as universidades é de menos de 1 km, e o “engano” foi  solucionado. “O único malote de provas trocado chegou corretamente à Unip, inviolado, às 8h27”, frisa o texto. A banca ressalta que o tempo extra seria acrescido ao total de prova, para que nenhum candidato das cinco salas fosse prejudicado.

O que seria uma simples troca de malote transformou-se em um verdadeiro ato de vandalismo praticado por alguns candidatos que estavam na Unip

Trecho da nota do Ibrae

“Contudo, um único fato impediu o reinício da prova. Quatro homens deixaram juntos uma das salas, contrariamente à instrução da coordenação do concurso. Eles foram reiteradamente informados que
deveriam retornar para o local de provas, mas se negaram a fazê-lo. Em seguida, os vândalos prenderam seis coordenadores do concurso na Sala de Coordenação da Unip, durante mais de duas horas, inviabilizando que as provas corretas fossem enfim levadas às salas”, comunicou o Ibrae, que trata o caso como ato de vandalismo.

A banca examinadora salientou, ainda, que vai tomar as medidas criminais cabíveis contra os candidatos que, de acordo com eles, praticaram os crimes de constrangimento ilegal, cárcere privado  e fraude em certames de interesse público. “Uma pequena minoria não nos abaterá. Pedimos que todos os milhares de estudantes sérios e comprometidos continuem estudando e não desanimem”, finaliza. As novas datas das provas ainda não foram divulgadas.

Confira a nota na íntegra:

Comunicado Ibrae by Metropoles on Scribd

 

Investigação
Em entrevista à coluna Grande Angular, o diretor-geral da Polícia Civil do Distrito Federal, Robson Cândido, garantiu que a PCDF vai abrir uma investigação nesta segunda (25) para verificar se houve o cometimento de algum crime no certame.

Cândido determinou que a apuração seja conduzida pela Coordenação Especial de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e aos Crimes contra a Administração Pública (Cecor). Vários candidatos prestaram queixas em delegacias do DF denunciando uma série de irregularidades.

Os concurseiros relataram problemas como atraso na entrega das provas, possível extravio de um malote com os exames, falha na fiscalização interna e falta de folha de respostas, de detector de metais na entrada das salas e de policiamento.

“Determinei que seja investigado, no tempo mais breve possível, se houve algum ilícito criminal envolvendo a aplicação do concurso ou se a confusão tem natureza apenas administrativa, o que estaria portanto a cargo da instituição responsável pelo concurso. Vamos dar uma resposta rápida aos cidadãos”, disse o diretor-geral da PCDF.

O concurso foi lançado em novembro do ano passado, com 314 vagas imediatas e formação de cadastro de reserva de 1.570, para os cargos de especialista em assistência social e técnico em assistência social. A banca registrou 53.748 inscritos: 27.297 de ensino médio e 26.451 com ensino superior.

Tumulto
Na manhã de domingo (24), a confusão foi geral. O certame estava previsto para as 8h, mas os candidatos que estavam na Universidade Paulista (Unip), na 913 Sul, só receberam as questões por volta das 9h.

 

Revoltados, os concurseiros ficaram nos corredores e pediram a suspensão do certame. Em imagens enviadas ao Metrópoles, foi possível ver pessoas com as provas na mão discutindo as questões e tirando foto das páginas.

Às 10h, muitas pessoas desistiram e foram embora indignados, levando a avaliação para casa. Quanto aos problemas apontados pelos participantes da seleção pública, o candidato Paulo Mesquita resumiu da seguinte forma: “Não tinha fiscal nos corredores nem mesmo no banheiro. O que é de praxe em todos os concursos. Foi uma bagunça generalizada”.

“A minha esposa concorre à vaga de pedagogia. Ela foi informada de que houve uma falha na entrega de um lote de provas, que não chegou à unidade. Vou ter de buscá-la, pois muitas pessoas foram embora e as questões já estão na internet”, relatou Carlos Eduardo Bontempo, 40 anos.

No Twitter, um candidato desabafou: “O Ibrae não tem noção o quão está prejudicando as pessoas. Não vai ter reembolso das horas que fiquei estudando, das noites em claro, dos almoços em família que perdi pra me dedicar a esse concurso.”

Um empresário que se inscreveu no certame contou que os candidatos foram informados de que o atraso no começo da prova teria sido provocado pelo desvio do malote para outro prédio, onde também seria aplicada a prova pela manhã. Por volta das 9h, o material chegou, só que, revoltados, muitos concurseiros deixaram a Unip.

Quando chegaram do lado de fora, viram que concorrentes saíram com as provas antes das quatro horas permitidas pelo edital. “Uma bagunça generalizada. Não vou querer mais fazer o concurso. Quero que devolvam meu R$ 150 de inscrição. É o mínimo que devem fazer. Virou piada”, disparou o empresário.

Candidatos que estavam no prédio da União Pioneira de Integração Social (Upis), na 712/912 Sul, também foram embora com as avaliações. O advogado Kailo Resende, 38, disse que eles chegaram a receber as questões por volta das 8h15. Pouco depois, começaram ouvir a confusão na porta da faculdade. Em seguida, a coordenadora entrou na sala em que ele estava e avisou que não precisavam continuar a responder as questões, pois vários locais não tinham recebido as folhas de respostas, “entre outros problemas”, conforme a própria funcionária do Ibrae enfatizou.

“A gente saiu em seguida com a prova. Tem de mudar a banca”, defende o advogado, que pagou R$ 120 de inscrição para o cargo de especialista em assistência social, na categoria Direito e Legislação. Candidatos que fazem provas em outros pontos, como as unidades da Unieuro, de Águas Claras e da L4 Sul, estavam em sala de aula respondendo as questões por volta das 11h30. Muitas pessoas vieram de outros estados para o concurso.

 

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