Reeleito no 1º turno, Tarcísio consolida "luz própria" iniciada em 2024
Com 62,8% dos votos, Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi reeleito em primeiro turno com a maior votação da história do Estado de SP
05/10/2026 04:30

A vitória tranquila neste domingo (4/10), confirmando as projeções que indicavam a reeleição já no primeiro turno, consolida Tarcísio de Freitas (Republicanos) como um político com musculatura própria, após se eleger em 2022 contando com a benção e a popularidade do padrinho Jair Bolsonaro (PL).
Tarcísio foi reeleito neste domingo com 62,85% dos votos válidos, contra 36,2% de Fernando Haddad (PT). O resultado é levemente superior ao alcançado pelo aliado Flávio Bolsonaro (PL) em São Paulo na disputa pela Presidência da República. Foi também a maior votação de um governador em São Paulo na história. Tarcísio ainda venceu em 37 das 39 cidades da região metropolitana.
Para aliados, a consolidação de Tarcísio como personagem político capaz de promover articulações e definir tendências se iniciou em 2024. No pleito municipal, o governador teve papel importante na campanha à reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB), mantendo o apoio ao emebebista e se engajando pessoalmente na corrida.
É quase unânime a análise entre aliados de que, em um momento em que o bolsonarismo torcia o nariz para o emedebista e flertava com o apoio ao ex-coach Pablo Marçal, o empenho de Tarcísio foi fundamental para evitar a desidratação de Nunes.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesAgora, após ser preterido por Bolsonaro, que decidiu agraciar o filho mais velho como candidato mesmo com o amplo apoio dos partidos do Centrão e do PIB a uma candidatura Tarcísio para o Palácio do Planalto, o governador paulista consolida um projeto político próprio e com suas digitais.
Aliados não escondem que, nos próximos anos, o mandatário tentará pavimentar novo caminho para tentar a Presidência da República. Com Flávio Bolsonaro à frente no primeiro turno e com reais chances de ser eleito, no entanto
Articulações de Tarcísio
Em torno de sua candidatura, Tarcísio atraiu oficialmente nove partidos, incluindo grandes legendas como PL, PP, União Brasil, PSD, algo que Flávio não conseguiu. Além disso, demonstrou poder de articulação ao emplacar o aliado André do Prado (PL) como candidato ao Senado, à revelia do grupo de Eduardo Bolsonaro (PL), que pretendia indicar um “bolsonarista raiz” para a vaga.
O PL também queria ter a vice de Tarcísio, com o próprio André do Prado, mas o governador conseguiu com que a legenda se “contentasse” com uma das vagas ao Senado.
Tarcísio também se impôs na disputa com Gilberto Kassab (PSD), seu antigo “homem forte”, ao barrar a candidatura do presidente do PSD como vice de sua chapa e mantendo o atual vice-governador Felício Ramuth (MDB) na vaga. Para isso, articulou pessoalmente a ida do auxiliar ao MDB, mesmo contra a vontade do aliado Ricardo Nunes.
Sem o PSD na estrutura direta da campanha, como ocorreu em 2022, Tarcísio se apegou à expertise do MDB e do grupo de Nunes para estruturar sua candidatura, dando a coordenação da campanha a homens de confiança do prefeito, como Diogo Soares e Vitor Arruda.
Outro movimento crucial da campanha, já na reta final, foi a articulação de Tarcísio para a retirada da candidatura de Ricardo Salles (Novo) ao Senado, o que eliminou uma possível divisão de votos na direita e propiciou a vitória de André do Prado e Guilherme Derrite.
Próximo mandato
De acordo com interlocutores, no próximo mandato, Tarcísio deve tentar blindar a montagem do governo de indicações meramente políticas e barrar apadrinhados que não considerar aptos para os cargos.
O governador tentou fazer isso na primeira gestão, mas nomeou quadros políticos como Derrite (Segurança Pública), Kassab (Governo e Relações Institucionais), Roberto de Lucena (Turismo) e Guilherme Piai (Agricultura). A interlocutores, já admitiu se arrepender de alguns desses nomes. No próximo mandato, a tendência é que haja um espaço menor para o grupo de Kassab, após os atritos ocorridos em meio às negociações das chapas para o pleito desse ano.
Um dos movimentos que aliados acreditam que o governador deve tentar no próximo ano é tirar o PL da presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). O entendimento é que Tarcísio não enxerga nos nomes especulados para o posto, como o deputado Alex de Madureira, a mesma confiança que tinha em André do Prado.
Com isso, existe a possibilidade de uma articulação para que legendas como o Republicanos, MDB ou a federação União Progressista assuma o comando da assembleia.




