
Desempenho de Flávio em SP vira peça-chave em plano de Nunes para 2030
Ricardo Nunes (MDB) se aproximou do bolsonarismo ao coordenar a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) em São Paulo e na região metropolitana

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), vê no desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) na capital e na região metropolitana de São Paulo um fato decisivo para os seus planos políticos. Isso porque Nunes atuou como um espécie de coordenador da campanha de Flávio, organizando agendas e mobilizando sua base no engajamento ao candidato do PL.
Aliados do prefeito avaliam que ele se busca se cacifar como home de confiança do bolsonarismo em São Paulo, de olho na candidatura ao Governo de São Paulo em 2030. Em 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) perderam na Grande São Paulo para Lula e Fernando Haddad, respectivamente.
Uma reversão nesse cenário em 2026, segundo correligionários, será creditada em parte à atuação de Ricardo Nunes na campanha, o que lhe colocará em uma posição de maior importância dentro do arco de alianças no entorno do bolsonarismo em São Paulo.
Um dos receios dentro do grupo de Nunes é que o PL opte por ter um candidato próprio para a sucessão de Tarcísio, o que atrapalharia os planos do emedebista. Neste momento, no entanto, o prefeito se vê bastante próximo de Flávio e com o apoio de Tarcísio para as suas pretensões eleitorais.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesOutro ponto acompanhado com atenção por Nunes e seu entorno é a sucessão na Prefeitura de São Paulo. O prefeito deseja eleger alguém de seu grupo político. Um dos nomes mais comentados neste momento é o vereador e candidato a deputado federal Sidney Cruz (MDB), cuja campanha foi uma das principais apostas do MDB e foi feita em dobrada com candidatura de Regina Nunes (MDB), esposa do prefeito, a deputada estadual.
Aliados de Nunes afirmam que, para pavimentar uma candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, é importante que o prefeito consiga emplacar alguém do seu núcleo político na prefeitura.
Um movimento, no entanto, ligou o alerta em Nunes: a reaproximação do deputado federal Ricardo Salles (Novo) com Tarcísio e Flávio Bolsonaro, após sua desistência da candidatura ao Senado. A decisão foi considerada crucial para as campanhas de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), os candidatos da chapa de Tarcísio.
Nos bastidores, há especulações sobre que tipo de espaço Salles e o Novo podem ganhar após o aceno. Aliados falam em possíveis cargos ao grupo de Salles dentro do próximo governo Tarcísio, o que é negado pelo entorno do governador. Outro cenário comentado é um possível apoio de Tarcísio e Flávio a uma candidatura de Salles à Prefeitura da Capital, o que seria trágico para os planos de Nunes.
“De jeito nenhum. Não teve sequer esse assunto cogitado. Ele desistiu porque poderia dar uma vaga para a esquerda e teve um ato de grandeza para que esse risco não tivesse”, disse Nunes à coluna ao ser questionado sobre a possibilidade.
Antes de desistir, Ricardo Salles não escondia a interlocutores que, caso perdesse a eleição para o Senado, passaria a mirar na disputa municipal.



