Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Eleições 2026Vinicius Passarelli

"Falhamos em atrair eleitor de 2022", diz deputado após se reunir com Lula.

Entre os 20 deputados mais bem votados, Guilherme Cortez (Psol) diz que campanha de Lula decidiu mudar forma e conteúdo no 2º turno

09/10/2026 08:00
Carol Jacob e Marco A. Cardelino/Alesp
O deputado estadual Guilherme Cortez (PSol-SP)

Após participar em Brasília de uma reunião com a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o deputado federal eleito Guilherme Cortez (Psol) diz que um dos diagnósticos tirados do encontro é de que houve uma falha na mobilização de parte do eleitorado que votou no petista em 2022 e que a estratégia para o segundo turno contra Flávio Bolsonaro será outra.

“Há uma compreensão de que é vital que a gente tenha uma mudança de rumo, de forma e conteúdo, no segundo turno. E fazer uma campanha mais mobilizada, mais ativa e engajada. Porque um dos diagnósticos é que nós falhamos em atrair o eleitor de 2022 para ir votar. E, para atrair, você tem que fazer uma série de coisas”, disse em entrevista à coluna.


Com 275,4 mil votos, Cortez foi o nono deputado mais votado em São Paulo e o quinto da esquerda no país. Na última quarta-feira (7/10), o parlamentar foi um dos que participaram de um encontro com Lula em Brasília que reuniu jovens políticos de esquerda que conseguiram votação expressiva na votação do último domingo (4/10).

O deputado disse ter voltado otimista do encontro. Segundo ele, a reação inicial da esquerda ao resultado do primeiro turno foi de choque, e sua maior preocupação era que esse sentimento contaminasse a campanha. Ele avalia, porém, que houve uma mudança rápida, tanto na militância, com manifestações em diferentes lugares do país, quanto no comando da campanha.

O deputado afirma que a campanha lulista deu abertura para que os eleitos da nova geração influenciem na campanha do segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL).

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

“Claro que estamos atrasados, claro que é pouco tempo, mas ainda é tempo para ganhar”, disse. Cortez diz que a direita leva vantagem no algoritmo, mas que a esquerda tem “um time muito qualificado”, citando nomes da esquerda com forte presença digital e que tiveram sucesso nas urnas, como Jones Manoel (Psol-PE) e Ana Elisa (PT-MG), eleitos deputados federais em seus estados.

Mudança de conteúdo

Cortez diz ainda que, no encontro, também houve consenso de que a defesa do legado dos governos Lula, estratégia predominante no primeiro turno, não basta. Na sua avaliação, isso é sintoma do mundo atual.

“Hoje em dia não basta você ter um bom balanço de um governo para ser reeleito”, afirma, citando o caso do ex-presidente dos Estados Unidos Joe Biden, cujo governo, segundo ele, teve balanços superiores aos de Donald Trump e mesmo assim perdeu. “Porque, através da rede social e da disputa ideológica, a extrema-direita consegue criar um mal-estar social onde não há”, diz.

O parlamentar de 28 anos defende que a campanha fale também de futuro e de outras insatisfações, como a crise das instituições democráticas e a desconfiança na República. Citou ainda pautas como o custo de vida, preço da moradia, da comida e da passagem de ônibus, fim da escala 6×1 e combate à “pejotização descontrolada”.

Para o deputado, a defesa de temas abstratos, como a “democracia por si só”, não mobiliza num momento em que as pessoas enfrentam problemas mais palpáveis e estão desconfiadas. “Isso não é suficiente para mobilizar elas. Agora, viver além de trabalhar, reduzir o preço da moradia e ter uma vida em que vale a pena viver são suficientes”.