Escolhido por Flávio como ministro discursou em ato de teor anti-Bolsonaro
Cláudio Lottenberg discursou no mês passado em evento pró-democracia, que teve a participação de Marina Silva, Márcio França e Simone Tebet

Anunciado por Flávio Bolsonaro (PL) como futuro ministro da Saúde caso seja eleito presidente da República, o médico Cláudio Lottenberg discursou, em 3 de agosto deste ano, em um ato promovido pelo grupo Direitos Já – Fórum Pela Democracia, realizado no teatro da PUC, em São Paulo.
Criado em 2019 como reação ao governo de Jair Bolsonaro (PL), o movimento reúne entidades da sociedade civil, movimentos sociais e lideranças políticas para atuar na defesa de pautas como democracia, direitos humanos e soberania nacional.
O evento reuniu diversos oradores, a grande maioria ligada a partidos ou movimentos de esquerda, e teve como mote enfatizar a importância das eleições de 2026 na defesa da democracia no País, especialmente a disputa pelo Congresso Nacional.
Anunciado dias depois na sabatina do Jornal Nacional como o “escolhido” por Flávio para o Ministério da Saúde, Lottenberg esteve presente no ato do Direitos Já como presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib) e do Conselho Deliberativo da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO médico foi um dos primeiros convidados a discursar, sucedendo a presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Bianca Borges.
Gritos de “Palestina Livre”
Antes de começar a falar, Lottenberg foi recebido por gritos de “Palestina Livre” e “do Rio ao Mar” por parte da plateia, lemas associados à busca pelo Estado Palestino e à condenação do conflito com Israel.
“Vivemos uma época marcada pela velocidade da informação, pela polarização e a tentação de transformar adversários em inimigos. E não somos inimigos. Justamente por isso precismos reafirmar que o diálogo não é sinal de fraqueza, é uma demonstração de maturidade democrática. A diversidade de ideais nunca deve ser vista como uma ameaça, mas como uma das maiores riquezas das sociedades livres”, disse o médico no discurso.
Os gritos pró-Palestina continuaram depois que Lottenberg encerrou sua fala. Ele não retornou ao seu assento no palco e deixou o evento logo após o discurso. Em nota, a assessoria de Lottenberg negou que sua saída do ato tivesse relação com os gritos e informou que ele tinha um compromisso previamente agendado.
“Sobre o episódio em si, o Dr. Lottenberg registra que manifestações desse tipo, em um fórum dedicado à democracia, revelam justamente o desafio que temos pela frente: preservar espaços de diálogo em um tempo de crescente polarização. A defesa da democracia exige a capacidade de conviver com o contraditório sem transformar o debate em hostilidade”, afirmou em nota enviada à época.
Entre os participantes, estiveram o vice na chapa de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo de São Paulo, Márcio França (PSB), e as candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).
Críticas a Bolsonaro
No início do ato, o coordenador e idealizador do Direitos Já, o advogado Fernando Guimarães, leu um manifesto no qual alertou que nos últimos anos “voltaram a ganhar espaço ideias que que relativizam a democracia, atacam a ordem constitucional, e apresentam a ruptura institucional como solução legítima para os conflitos próprios da vida pública”.
“Mais grave ainda, essas ideias deixaram e circular apenas nas margens e passaram a encontrar representantes, palanques e votos”, disse.
O texto ainda fazia referência à gestão de Bolsonaro na pandemia de Covid-19 que, segundo o manifesto, “demonstrou de forma dolorosa os riscos de entregar o poder a representantes que desprezam e ciência, deslegitimam autoridades sanitárias, disseminam desinformação e transformam medidas de proteção coletiva em disputas ideológicas”.
Em discurso feito pouco antes de Lottenberg, Marcio França (PSB), ex-ministro de Lula, disse que a eleição de 2026 “talvez seja a mais importante do mundo neste momento”.
“Porque uma eventual derrota no Brasil significaria dizer que praticamente um dos últimos lugares grandes teria uma regressão nessa lógica da democracia”, alertando que o bolsonarismo tem buscado se apresentar em formatos mais jovens – em referência a Flávio – e mais técnicos – em alusão a Tarcísio de Freitas.
Já Marina Silva afirmou ter “saudade quando a oposição era entre PT e PSDB”.
“Só na democracia o capitão pode ser eleito presidente da República. Na ditadura, quem é o presidente é o general. Então não me venham sabotar a nossa democracia. Fernando Henrique era um democrata. Tenho saudade quando a oposição era entre nós, o PT e o PSDB. Agora, não é oposição, é legítima defesa da democracia e da soberania”, disse sob aplausos dos presentes.




