
Debate de SP tem risadas de Derrite e "intervenções" de Ricardo Nunes
Presentes na plateia, Nunes e Derrite foram mais mencionados pelos candidatos do que Flávio e Jair Bolsonaro

Os bastidores do primeiro debate eleitoral da corrida ao Governo de São Paulo, realizado nesse domingo (9/8), teve reações do ex-secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), e “intervenções” do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB).
Presentes na plateia, os dois aliados do candidato à reeleição Tarcísio de Freitas (Republicanos) foram mencionados em diferentes momentos pelos candidatos e tiveram “participação” nos embates maior até mesmo que Flávio e Jair Bolsonaro (PL).
Ex-secretário de Segurança Pública de Tarcísio e candidato ao Senado na chapa do governador, Derrite foi um dos principais alvos de Fernando Haddad (PT), que elegeu a segurança pública como foco de críticas à gestão Tarcísio. O petista subiu o tom ao citar a piora em índices como feminicídio e disse que o Comando Vermelho e milícias têm se infiltrado no estado.
Haddad ainda afirmou que houve envolvimento de membros da alta cúpula da Polícia Militar com o crime organizado. Lembrou ainda de notícias de bastidores que afirmam que Tarcísio já afirmou a interlocutores ter se arrependido de ter nomeado Derrite para comandar a pasta de segurança. O candidato do PT ainda citou o ex-secretário como um indicado de Eduardo Bolsonaro e questionou: “o Derrite é técnico?”.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesCandidato ao Senado na chapa de Tarcísio ao lado de André do Prado (PL), Derrite tem contado com um apoio tímido do governador nos bastidores. Aliados da dupla afirmam reservadamente que o “candidato de Tarcísio” ao Senado é André do Prado.
Da plateia, o ex-secretário reagiu aos ataques de Haddad com risadas irônicas e com comentários a aliados que estavam sentados ao lado. Ele chegou a publicar um vídeo em suas redes sociais enquanto o debate acontecia, chamando Haddad de “mentiroso”.
“Estou aqui no debate na Band, acompanhando esse mentiroso do Haddad tomar um coro do governador Tarcísio de Freitas. Fraquíssimo, não tem argumento, despreparado. Tomou uma lavada em vários quesitos. Quando foi falar de segurança pública, acho que o sonho dele é ter um secretário como o Derrite, que foi nomeado umas quatro vezes aqui”, afirmou o ex-policial no vídeo.
Ricardo Nunes
Outro personagem que “roubou a cena” no debate foi o prefeito Ricardo Nunes. No intervalo do primeiro bloco, o emedebista tentou ficar junto de Tarcísio para participar da conversa do candidato com os marqueteiros.
Um funcionário da produção o informou que ele não poderia ficar ali e ele se retirou. Depois, o prefeito depois ficou conversando com os marqueteiros fora do palco.
Nunes queria sugerir que Tarcísio rebatesse uma crítica feita por Haddad ao programa de monitoramento por câmeras Smart Sampa, da prefeitura de São Paulo. O petista afirmou que metade das pessoas presas por meio do programa é de não pagadores de pensão, em uma tentativa de diminuir a importância do impacto da iniciativa no combate à violência.
O prefeito alegou para os marqueteiros que Tarcísio deveria rebater dizendo que a prisão de homens que não pagam a pensão também é importante. O Smart Sampa é a principal vitrine de Nunes na área da segurança e tem servido de inspiração para o plano de governo de Flávio Bolsonaro, que já afirmou que, caso eleito, replicará o programa em âmbito nacional.
Outra cena que chamou atenção foi logo após o fim do debate. Nunes saiu da plateia e foi em direção a Haddad para cobrar explicações do petista pelas declarações que faziam críticas à gestão atual da Prefeitura de São Paulo. A cena foi presenciada por diversos assessores e jornalistas.
O prefeito ficou especialmente irritado pelo fato de Haddad ter ironizado a fala de Tarcísio de que Nunes é o “melhor prefeito da história” da cidade. No momento do debate, a declaração foi recebida por risadas dos assessores do petista e do próprio candidato.
Como resposta, Haddad chamou a declaração de “coisa incrível” e disse que Nunes está endividando a cidade tendo a recebido com R$ 80 bilhões em caixa.
Na sequência, o ex-ministro da Fazenda citou o contrato de R$ 108 milhões da prefeitura com a entidade Instituto Conhecer Brasil (ICB) para a implantação de pontos de wi-fi na cidade. A entidade é da mesma proprietária da produtora responsável pelo filme sobre a vida de Jair Bolsonaro (PL). Diante das suspeitas de desvio, o contrato passou a ser investigado.
“Esse que você chama de melhor prefeito de São Paulo, realmente é uma coisa incrível. Com R$ 80 bilhões em caixa, com o fim da dívida, o cara já está endividando a cidade. E ainda com um contrato de wi-fi para ser desviado dinheiro para PCC em uma parte e para fazer o filme do Bolsonaro por outra (parte). Então, vai com calma, pega leve, não abusa da retórica. Porque eu não te desrespeitei e não gostaria de ser desrespeitado”, disse Haddad.
Após ter sido flagrado indo cobrar Haddad ao término do debate, Ricardo Nunes explicou a situação para os jornalistas.
“Eu fui falar com ele que não foi correto relacionar a questão do contrato de wi-fi comigo. Falei: ‘Você não deve fazer isso porque você sabe que não tem nada errado da minha parte, você me conhece’. É importante a gente poder ter esse posicionamento”, disse o prefeito.
Acho que o debate deve acontecer, cada um vai demonstrar ali as suas ideias, cada um vai demonstrar a sua capacidade ou não, no caso dele, não”, completou Nunes, ainda ressaltando que Haddad não conseguiu ser reeleito prefeito da cidade, “perdendo para brancos e nulos” na eleição de 2016.



