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Vinicius Passarelli

Breque dos Apps: "Motoboy de Lula" acusa prática antissindical no MPT

Candidato do PSol, motoboy aciona MPT e diz que aplicativos tentaram diminuir adesão a paralisação ao conceder bônus em corridas

01/09/2026 16:14
Reprodução/Instagram
JR Freitas, líder do movimento autônomo dos motoboys em São Paulo

O líder do movimento dos motoboys e candidato a deputado estadual pelo PSol, JR Freitas, entrou com uma Notícia de Fato no Ministério Público do Trabalho (MPT) acusando as empresas de aplicativo 99 e Keeta Delivery de suposta prática antissindical.

O documento relata que trabalhadores denunciaram a oferta de bônus por entrega durante a paralisação de entregadores que ocorre nesta terça-feira (1º/9). De acordo com o psolista, que tem feito campanha com a alcunha de “Motoboy de Lula”, a medida coincidiu com as horas de protesto e teria como objetivo diminuir a adesão de trabalhadores ao movimento.

No documento protocolado no MPT, os entregadores registraram ofertas instantâneas de bônus por corrida que variavam entre R$ 3 e R$ 9 ao longo da manhã, o que é apontado pelo candidato como um esvaziamento digital e financeiro da mobilização coletiva, uma espécie de “fura-greve” algorítmico.

A ação também cita decisão judicial de Sorocaba, de 13 de março de 2026, que determinou que as empresas se abstivessem de tais práticas sob pena de multa.

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O que dizem as empresas

Em nota, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa as empresas, afirmou que os aplicativos respeitam o direito à realização de manifestações pacíficas e que mantêm canais de diálogo com os profissionais parceiros.

A entidade ainda disse que as associadas operam sob modelos que “buscam equilibrar as demandas dos usuários com a oferta de entregadores”.

“O preço das entregas é influenciado por fatores como tempo e distância dos deslocamentos, nível de demanda no horário e local específico, entre outros. A depender destes fatores, os valores podem ter variação dinâmica alinhados com as estratégias comerciais de cada plataforma para manter a confiabilidade no serviço, a atratividade nas receitas financeiras e a competitividade no mercado no qual atuam”, afirmou a Abomitec.

A associação disse também que entregadores, motociclistas e motoristas têm “papel fundamental nos serviços intermediados por plataformas. As empresas associadas trabalham continuamente para fortalecer as oportunidades de geração de renda com autonomia e aprimorar as condições de atuação desses profissionais”.

“A Amobitec apoia uma regulação equilibrada para o trabalho por meio de plataformas tecnológicas, visando a garantia de proteção social dos trabalhadores e a segurança jurídica da atividade, em compromisso firmado desde 2022 em sua Carta de Princípios”, completou o entidade.