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Vinicius Passarelli

Após Carbono Oculto, 14 de 25 postos seguem abertos de forma irregular

Metrópoles visitou 25 postos ligados à investigação e encontrou 14 operando de forma irregular, alguns com autorização revogada pela ANP

Enzo Marcus/Metrópoles
Após Carbono Oculto, 14 de 25 postos seguem abertos de forma irregular

Mais de um ano depois da deflagração da Operação Carbono Oculto, postos ligados aos alvos da investigação continuam funcionando mesmo sem estar regularizados. O Metrópoles visitou 25 estabelecimentos e constatou que 14 seguem operando de forma irregular: constam como desativados na Agência Nacional do Petróleo (ANP), mas estão de portas abertas.

Em um deles, na zona sul de São Paulo, a equipe abasteceu o tanque duas vezes. Nas duas ocasiões, funcionários avisaram que só aceitavam dinheiro. “Dinheirinho? A maquininha está sem sistema”, disse uma frentista. No sistema da ANP, o posto aparece como bandeira branca e com a autorização de funcionamento revogada desde março de 2025. Quem para para abastecer, no entanto, não desconfia de nada.

Essa e outras histórias sobre os impactos e desdobramentos da Carbono Oculto no setor de combustíveis estão na série especial do Metrópoles “Do canavial à Faria Lima”. O segundo capítulo foi publicado nesta quarta-feira (28/10).

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Posto que segue ativo em Praia Grande, na Baixada Santista, pertence à GGX Global, alvo da Carbono Oculto
Posto em Campinas, no interior de São Paulo, é mais um da rede societária de Furtado e da GGX e segue operando
Posto em Catanduva faz parte da rede de estabelecimentos apontada pelo MPSP como uma das engrenagens da lavagem de dinheiro
Postos ligados à rede Boxter, como esse em Guarujá, no litoral paulista, também foram alvos da Carbono Oculto
Posto na zona sul de São Paulo opera de forma clandestina e só aceita dinheiro vivo como pagamento
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Posto na zona sul de São Paulo opera de forma clandestina e só aceita dinheiro vivo como pagamento

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Posto que segue ativo em Praia Grande, na Baixada Santista, pertence à GGX Global, alvo da Carbono Oculto
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Posto que segue ativo em Praia Grande, na Baixada Santista, pertence à GGX Global, alvo da Carbono Oculto

Posto em Campinas, no interior de São Paulo, é mais um da rede societária de Furtado e da GGX e segue operando
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Posto em Campinas, no interior de São Paulo, é mais um da rede societária de Furtado e da GGX e segue operando

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Posto em Catanduva faz parte da rede de estabelecimentos apontada pelo MPSP como uma das engrenagens da lavagem de dinheiro
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Posto em Catanduva faz parte da rede de estabelecimentos apontada pelo MPSP como uma das engrenagens da lavagem de dinheiro

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Postos ligados à rede Boxter, como esse em Guarujá, no litoral paulista, também foram alvos da Carbono Oculto
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Postos ligados à rede Boxter, como esse em Guarujá, no litoral paulista, também foram alvos da Carbono Oculto

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Postos em funcionamento

Entre os endereços visitados pela reportagem estão também  um posto em Praia Grande, um em Campinas e outro em Catanduva, que a investigação do Ministério Público de São Paulo relaciona à holding GGX Global Participações. A empresa é apontada pelas investigações como uma das engrenagens da estrutura de lavagem de capitais mantida por Mohamad Hussein Mourad, o Primo, e Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco.

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A autorização dos três postos foi revogada pela ANP em 2025. Em Guarujá, um posto da rede Boxter, também alvo da Carbono Oculto, seguia aberto mesmo com restrição no sistema da agência por vício de qualidade do combustível.

Para o presidente do Instituto Combustível Legal, Emerson Kapaz, operar sem autorização é sinal de que “tem alguma coisa errada” e pode indicar desde fraudes até ligação com o crime organizado.

O que dizem os envolvidos

Nota da defesa de Mohamad Hussein Mourad:

A defesa de Mohamad Mourad esclarece que as recentes veiculações na imprensa sobre suas atividades empresariais contêm narrativas especulativas que não encontram respaldo nos autos do processo.

​A reportagem publicada pelo portal Metrópoles extrapola o próprio objeto da acusação formalizada pelo Ministério Público. Cabe destacar que a denúncia recém-oferecida sequer imputa ao investigado qualquer vínculo com organizações ou facções criminosas — tema sobre o qual a referida matéria insiste em construir ilações infundadas.

​A defesa repudia tentativas de criar um julgamento público antecipado e reforça que todas as atividades empresariais de Mohamed Mourad foram exercidas com estrita regularidade e respaldo documental. A legalidade de suas condutas e sua inocência serão devidamente comprovadas no âmbito do processo judicial.

Nota da defesa de Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, o Beto Louco:

“A defesa do empresário Roberto Leme esclarece que ainda não teve acesso à íntegra das investigações e responderá a todas as acusações no momento processual oportuno. 

E rejeita a disseminação de informações parciais e incompletas, uma prática que ataca a reputação dos empresários e prejudica sua defesa antes de serem apresentadas as contestações. 

Por exemplo, é um erro grave tentar estabelecer alguma relação entre o empresário e a facção criminosa PCC. Não há nenhuma evidência que confirme essa falsa afirmação em nenhuma das investigações em curso”.

Do Canavial à Faria Lima

O Metrópoles publica nesta semana uma série de reportagens sobre as consequências da operação Carbono Oculto, considerada a maior ação de combate à infiltração do crime organizado na cadeia de combustíveis do país.

Deflagrada em agosto de 2025 pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), a operação expôs um grupo criminoso que controlava canaviais, usinas, distribuidoras de combustíveis e postos de gasolina – eram centenas de empresas enredadas em uma teia complexa de fraudes, sonegação de impostos e ocultação de patrimônio. A rede se estendia dos canaviais do interior paulista às fintechs da Faria Lima.

A estimativa dos investigadores é que o império comandado por Primo e Beto Louco tenha movimentado R$ 54 bilhões entre 2019 e 2024, sendo que ao menos R$ 8,4 bilhões foram desviados em fraudes fiscais e lavagem de dinheiro. Em muitos pontos, os negócios da dupla se cruzam com os de personagens acusados de pertencer ao Primeiro Comando da Capital (PCC). As defesas, entretanto, negam que haja essa ligação.

A apuração do Metrópoles mergulhou em milhares de páginas de processos judiciais e inquéritos do MPSP e da Polícia Federal (PF) para entender os impactos da rede criminosa. Também entrevistou usineiros, agricultores, empresários do setor de combustíveis e autoridades públicas para detalhar os prejuízos causados à sociedade pelo crime organizado.

Pouco mais de um ano depois da Carbono Oculto, Primo e Beto Louco seguem foragidos, trabalhadores rurais tentam receber indenizações, alguns postos ligados ao grupo seguem funcionando sem autorização. O que mudou foi a expertise gerada na Carbono Oculto aos investigadores, que permitiu desvelar outras fraudes financeiras. Além disso, a arrecadação dos estados com combustíveis cresceu em todo o país, mostrando que a operação conseguiu, ao menos em parte, coibir a criminalidade no setor.