Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Tácio Lorran

TCE-RJ emprega e paga até mestrado para mulher e cunhada de deputado

O presidente do TCE-RJ é o ex-deputado Márcio Pacheco, réu por rachadinha e aliado de Rodrigo Amorim

20/08/2026 04:00, atualizado 20/08/2026 13:24
Rodrigo Amorim e a esposa, nomeada no TCE-RJ
Rodrigo Amorim e a esposa, nomeada no TCE-RJ

A mulher e a cunhada do deputado estadual Rodrigo Amorim (PL-RJ) são nomeadas no gabinete do presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Márcio Pacheco. As advogadas Fernanda Braga Mendes e Bianca Vasconcelos Pires de Amorim também ganharam pós-graduação no exterior completamente custeada pelo TCE-RJ. O mestrado custa cerca de R$ 100 mil, para cada uma, segundo o site da Washington & Lincoln University.

Fernanda Braga Mendes é mulher de Rodrigo Amorim, que é candidato pelo PL à Câmara dos Deputados. Ela é nomeada desde 2022 no gabinete de Márcio Pacheco e recebe R$ 28,4 mil fixos por mês.

Somado ao salário mensal, Fernanda Braga Mendes recebe ainda gratificação por acúmulo de cargo de R$ 7,6 mil por mês, e R$ 3,1 de vale-refeição. Ou seja, a remuneração final chega a R$ 39.100. Ela foi nomeada por Márcio Pacheco para comissão de jurisprudência e súmulas, o que fez com que acumule cargos na corte.

TCE-RJ emprega e paga até mestrado para mulher e cunhada de deputado - destaque galeria
3 imagens
Rogério Amorim e sua mulher, a advogada Bianca Vasconcelos Pires de Amorim
Rodrigo Amorim e Rogério Amorim são candidatos pelo PL do Rio de Janeiro à Câmara dos Deputados e à Alerj, respectivamente
Rodrigo Amorim e sua mulher, a advogada Fernanda Braga Mendes
1 de 3

Rodrigo Amorim e sua mulher, a advogada Fernanda Braga Mendes

Rogério Amorim e sua mulher, a advogada Bianca Vasconcelos Pires de Amorim
2 de 3

Rogério Amorim e sua mulher, a advogada Bianca Vasconcelos Pires de Amorim

Rodrigo Amorim e Rogério Amorim são candidatos pelo PL do Rio de Janeiro à Câmara dos Deputados e à Alerj, respectivamente
3 de 3

Rodrigo Amorim e Rogério Amorim são candidatos pelo PL do Rio de Janeiro à Câmara dos Deputados e à Alerj, respectivamente

Márcio Pacheco é réu no Superior Tribunal de Justiça por prática de rachadinha quando era deputado da Alerj. Seu irmão, o deputado Fred Pacheco, é um dos grandes aliados de Rodrigo Amorim na casa legislativa.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles

Bianca Vasconcelos Pires de Amorim, mulher do vereador Rogério Amorim e cunhada de Rodrigo Amorim, também está nomeada no gabinete do presidente do TCE-RJ. A advogada recebe salário de R$ 16,9 mil por mês e eventuais gratificações de licença retributiva, que aumentam sua remuneração mensal para R$ 19 mil.

A gratificação de licença retributiva foi medida aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em maio de 2025, endossada pelo deputado Rodrigo Amorim, que era relator do projeto de lei que foi denominado como “pacote de bondade” para o Ministério Público do Rio de Janeiro e Tribunal de Justiça. Na emenda, apoiada por Amorim, o Tribunal de Contas foi incluído entre os beneficiários da proposta. Sua mulher também recebeu valores de licença retributiva.

rodrigo amorim e marcio pacheco
Rodrigo Amorim e o presidente do TCE-RJ, Márcio Pacheco

Em nota à coluna, o deputado Rodrigo Amorim, que quebrou a placa de Marielle Franco e foi condenado, em 2024, por violência política de gênero, disse que “querer insinuar qualquer tipo de favorecimento para melhorar a posição profissional de uma mulher pode constituir, além de difamação, crime de misoginia”.

“Atualmente ela exerce função de coordenação de uma equipe com dezenas de servidores e, ao que me consta, é uma das funcionárias de maior produtividade no Tribunal. Em seu currículo profissional irretocável consta a atuação como procuradora de dois municípios, entre outros trabalhos de destaque. Querer insinuar qualquer tipo de favorecimento para melhorar a posição profissional de uma mulher pode constituir, além de difamação, crime de misoginia. É triste que parta de um órgão de imprensa essa associação vil. O lugar de uma mulher é onde ela merece estar. Lamentável que uma mulher, em pleno século XXI, ainda precise lutar por seus direitos e pela equiparação profissional aos homens, e não possam construir uma carreira de sucesso profissional por meritocracia sem que lhes sejam atribuídas à influência de um homem. Quanto ao auxílio-educação, até onde sei, é algo previsto em Lei para todos os servidores e é adotado também na Assembleia Legislativa, bem como em outros órgãos”, disse.

O vereador Rogério Amorim alegou que não há qualquer ilegalidade ou imoralidade na nomeação de sua mulher no gabinete de Márcio Pacheco.

“Causa-me estranheza ter que emitir um posicionamento sobre algo que não apresenta qualquer ilegalidade ou imoralidade. Minha esposa é advogada e servidora pública federal concursada, com atuação profissional efetiva e um currículo que a credencia a ocupar a posição profissional atual — não é funcionária “fantasma”.
Mulheres podem alcançar suas posições por méritos profissionais próprios. Questionar isso de forma a denegrir as imagens delas é, no mínimo, misoginia”, afirmou.