
Tácio LorranColunas

Sócio oculto do Careca do INSS deve multa de R$ 7,7 milhões por corrupção
CGU puniu empresa de Tiago Schettini por fraude em contrato no Ministério do Trabalho e Emprego; empresário é alvo da PF na Farra do INSS
atualizado
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Sócio oculto do Careca do INSS e alvo da Polícia Federal (PF) nas investigações da farra dos descontos indevidos, o empresário Tiago Schettini Batista é dono de uma empresa de T.I. que acumula mais de R$ 13,5 milhões em dívida ativa com a União. Parte desse valor, o equivalente a R$ 7,7 milhões, se deve a uma multa aplicada pela Controladoria-Geral da União (CGU) como punição por envolvimento em um caso de corrupção no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
A Business to Technology Consultoria e Análise de Sistemas LTDA, cujo nome fantasia é B2T Consultoria, também ficou impedida de licitar e ser contratada pela administração pública federal pelo prazo de cinco anos. As duas punições foram aplicadas após a conclusão, em 2023, de um Processo Administrativo de Responsabilização (PAR).
Investigação conduzida pela CGU e PF, ainda em 2017, colocou a empresa de Schettini no centro de uma fraude em um contrato com o MTE. Agentes identificaram superfaturamento e direcionamento em licitações de soluções tecnológicas.
Não é a primeira vez que o nome de Schettini e da B2T Consultoria estão envolvidos em fraudes e corrupção. Em 2020, ele chegou a ser alvo da PF no curso da operação Circuito Fechado, que mirou contratações fraudulentas e desvio de dinheiro, da mesma empresa de T.I., só que dessa vez no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Schettini foi blindado pelo Careca do INSS, diz PF
Schettini foi alvo de mandado de prisão em razão da Farra do INSS, mas se encontra nos Estados Unidos. A defesa dele tenta, junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), que revogue a prisão preventiva, decretada em dezembro, na última fase da Operação Sem Desconto.
Pelo envolvimento nesses escândalos envolvendo o Dnit e o Ministério do Trabalho e Emprego, a PF viu indícios de que, antes da deflagração da primeira fase da Operação Sem Desconto contra o escândalo do INSS, em abril do ano passado, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, blindou Schettini.
Os dois, segundo os investigadores, eram sócios ocultos e controlavam a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca (CBPA), investigada por fraudar os descontos de mensalidade nas aposentadorias do INSS. Além de exercer função operacional no esquema, Schettini recebia parte dos lucros, como um sócio.

Schettini não era mencionado de forma ostensiva nas mensagens e não aparecia nos negócios. “Esse comportamento demonstra não apenas a intenção de blindá-lo, mas, também, o reconhecimento de que sua posição dentro do grupo demandava ocultação para evitar detecção por órgãos de persecução penal”, afirmou a PF.
Segundo os investigadores, uma das empresas usadas pelo Careca do INSS “para dar aparência de legalidade às operações financeiras” e atender a aposentados lesados pelo esquema, chamada ACDS Call Center, tinha participação direta de Tiago Schettini, sustentada por um contrato de gaveta.
“O próprio Antonio [Carlos Antunes, o Careca do INSS] confirma, em áudio, que dividiria com Tiago [Schettini] dois terços das cotas destinadas ao ramo, evidenciando que este não apenas participava dos lucros, mas era coproprietário de fato de uma estrutura montada para reciclar os valores indevidos apropriados pela organização.”




