Tácio Lorran

PF prende dono de concessionária de luxo usada por Careca do INSS

Coluna revelou que o Careca do INSS comprou 21 carros de luxo da Aielo Motors em 2 anos, o que levou a PF a suspeitar de lavagem de dinheiro

atualizado

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Victor Aielo, dono da Aielo Motors, foi alvo da Operação Sem Desconto | PF
1 de 1 Victor Aielo, dono da Aielo Motors, foi alvo da Operação Sem Desconto | PF - Foto: Reprodução/ Instagram

A Polícia Federal (PF) prendeu o dono da concessionária de luxo Aielo Motors, Victor Aielo (foto em destaque), por suspeita de ser um dos principais operadores da lavagem de dinheiro de uma organização criminosa que movimentou R$ 165 milhões em fraudes financeiras. A Justiça determinou o congelamento do patrimônio dele, incluindo dinheiro, investimentos, imóveis, criptoativos e previdência privada, e a apreensão dos carros de luxo da loja comprados a partir de outubro de 2024.

Segundo a investigação, obtida pela coluna, o empresário usou a Aielo Motors para receber R$ 15 milhões de envolvidos e empresas que aplicavam golpes em investidores de falsos projetos de usinas de energia solar. A PF chamou a atenção para o “enorme risco de reiteração delitiva”: Victor Aielo e a concessionária já haviam sido alvo da Operação Sem Desconto, que investiga a fraude contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Como a coluna revelou em setembro, o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, apelidado de Careca do INSS, adquiriu 21 carros de luxo na Aielo Motors em 2 anos. A corporação concluiu que a compra e a venda desses automóveis – que ultrapassam R$ 11,1 milhões – integrou um esquema de lavagem de dinheiro.

Veja imagens de carros comprados pelo Careca do INSS:

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“Ressalte-se, como já narrado, que o investigado e sua empresa Aielo Motors foram alvo de mandados de buscas e apreensões no bojo da Operação Sem Desconto (apura fraudes milionárias por meio de descontos associativos fraudulentos em detrimento de aposentados e pensionistas do INSS), onde se constatou fortes indícios de que Victor Aielo utilizava sua empresa para ocultação patrimonial de forma semelhante à apurada neste inquérito”, escreveu a PF em relatório.

Ao todo, a corporação estima que a organização criminosa tenha movimentado R$ 165 milhões em fraudes financeiras. A descoberta desse novo esquema ocorreu em investigação sobre a Alpha Energy Capital, com sede em Natal (RN). Essa empresa de fachada do ramo de energia solar atraiu investidores com a promessa de construir usinas, o que levaria a um rendimento de cerca de 5% ao mês, acima da média do mercado.

A Alpha Energy Capital não detinha sequer autorização de autoridades financeiras para captar recursos, tampouco investiu o montante. Com o desvio de dinheiro das vítimas, vinha a ostentação: as lideranças do esquema compraram carros de luxo, como Ferraris e Porsches, imóveis, joias, relógios e criptomoedas.

Nesse ponto, a Aielo Motors agia como o “principal braço de blindagem patrimonial e lavagem de capitais da organização criminosa” desde outubro de 2024, segundo a PF. Os envolvidos a usavam para misturar o dinheiro sujo com as vendas legítimas de veículos de luxo. Também havia bens e contas bancárias em nome de parentes e de “laranjas”.

A Superintendência Regional da PF em São Paulo também apreendeu um Iphone 17 Pro Max e R$ 9,6 mil em dinheiro vivo guardados na mochila do proprietário da concessionária. “A participação de Victor Infante Aielo transcende a mera relação comercial de um revendedor de veículos”, atestou a corporação.

A estimativa é de que a fraude tenha atingido 6,3 mil investidores aproximadamente. De acordo com a PF, a produção de energia solar ocorria num patamar mínimo – uma espécie de fachada para manter o esquema fora de suspeita.

A Justiça bloqueou até R$ 244 milhões de cada um dos envolvidos. Além de interromper o ciclo da lavagem de dinheiro, o objetivo é ressarcir as vítimas e pagar multas, custas processuais e penas pecuniárias, ou seja, de sanções financeiras nas quais o desembolso em dinheiro pode substituir a prisão em crimes de menor potencial ofensivo.

Aielo foi alvo da segunda fase da Operação Pleonexia da PF – a primeira ocorreu em fevereiro de 2025. A prisão preventiva dele ocorreu na capital São Paulo em 5 de fevereiro, com base em decisão da 14ª Vara Federal do Rio Grande do Norte.

“Vê-se, portanto, que, além da autoria e materialidade delitivas serem incontestes, há, pelos elementos fartamente abordados, fundamento hábil para a decretação da prisão preventiva de Victor Infante Aielo, para a garantia da ordem pública, haja vista a sua liderança dentro do Núcleo de Lavagem do grupo criminoso e o enorme risco de reiteração delitiva, motivo pelo qual a sua prisão preventiva se faz necessária”, complementou a PF.

A coluna procurou a defesa de Victor Aielo e a equipe da Aielo Motors. Não houve retorno até a publicação desta reportagem.

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