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Tácio Lorran

Sindnapi movimentou R$ 6,5 milhões em espécie, diz Coaf

Montante movimentado em dinheiro vivo pelo Sindnapi chamou atenção do Coaf; relatório foi enviado à CPMI do INSS

atualizado

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Sede do Sindnapi no Centro de São Paulo; sindicato é investigado na Farra do INSS
1 de 1 Sede do Sindnapi no Centro de São Paulo; sindicato é investigado na Farra do INSS - Foto: Reprodução/GoogleStreetView

Uma das entidades envolvidas na Farra do INSS, o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi) movimentou R$ 6,5 milhões em espécie nos últimos seis anos. O valor considera depósitos e saques feitos a partir de uma conta bancária do sindicato entre janeiro de 2019 e junho de 2025.

As informações constam em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) enviado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e obtido pela coluna. No total, o Sindnapi girou R$ 1,2 bilhão no período analisado.

O montante movimentado em dinheiro vivo pelo Sindnapi chamou a atenção do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). “Esse tipo de movimentação é considerado complexo, dada a dificuldade de rastreamento da origem primária dos recursos e da identificação dos beneficiários finais”, explica o relatório do órgão.
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Tonia Galleti, coordenadora jurídica do Sindnapi, foi alvo da operação de hoje
Sede do Sindnapi no Centro de São Paulo, entidade foi alvo da nova fase da Operação Sem Desconto nessa quinta-feira (9/10)
Presidente da CPMI Carlos Viana (Podemos_MG) e o relator Alfredo Gaspar (União-AL)
Frei Chico, irmão de Lula e vice-presidente do Sindnapi
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Frei Chico, irmão de Lula e vice-presidente do Sindnapi

Ricardo Stuckert/ PR
Tonia Galleti, coordenadora jurídica do Sindnapi, foi alvo da operação de hoje
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Sede do Sindnapi no Centro de São Paulo, entidade foi alvo da nova fase da Operação Sem Desconto nessa quinta-feira (9/10)
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Sede do Sindnapi no Centro de São Paulo, entidade foi alvo da nova fase da Operação Sem Desconto nessa quinta-feira (9/10)

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Presidente da CPMI Carlos Viana (Podemos_MG) e o relator Alfredo Gaspar (União-AL)
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Presidente da CPMI Carlos Viana (Podemos_MG) e o relator Alfredo Gaspar (União-AL)

Na sequência, o Coaf diz ainda que foram observadas diversas transações envolvendo pessoas físicas e jurídicas distintas. “Sem que fosse possível estabelecer uma relação clara entre essas partes e o sindicato, dificultando a compreensão do propósito e da legitimidade dessas movimentações”.

O Relatório de Inteligência Financeira revela ainda que empresas de familiares de dirigentes do Sindnapi receberam R$ 8,2 milhões da entidade no período analisado. Os repasses foram feitos pelo sindicato a companhias que têm como donos os parentes do atual presidente da entidade, Milton Baptista de Souza Filho, o Milton Cavalo; e o ex-presidente, antecessor de Milton, João Batista Inocentini, o João Feio, morto em agosto de 2023. Essa informação foi publicada pela coluna Andreza Matais, do Metrópoles.

Entre os investigados na “Farra do INSS”, o Sindnapi está, ao lado da Contag, entre as entidades que mais se beneficiaram dos descontos aplicados aos aposentados. Segundo o relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), o Sindnapi não conseguiu apresentar a documentação completa de nenhum associado dentro de uma amostra aleatória selecionada pelo órgão.

Investigação contra o Sindnapi

  • Ligado à Força Sindical, o Sindnapi é investigado pela Polícia Federal (PF) no escândalo da farra de descontos do INSS, revelado pelo Metrópoles.
  • O inquérito serviu de base para a Operação Sem Desconto, deflagrada no último dia 23 de abril e que culminou na demissão do ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e do ex-ministro Carlos Lupi.
  • A entidade tem autorização para descontos associativos há mais de 10 anos. Entre 2021 e 2023, auge da farra dos descontos, o número de cerca de 170 mil filiados saltou para 420 mil associados.
  • No mesmo período, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), o faturamento do sindicato foi de R$ 41 milhões para R$ 149 milhões.
  • O Sindnapi, porém, não foi incluído na investigação aberta pelo INSS, assumida pela Controladoria-Geral da União (CGU) e que motivou ação da Advocacia-Geral da União (AGU) contra entidades que já eram alvo da PF.
  • O INSS afirma que a ação mirou associações com indícios de pagamento de propina ou “tidas como fantasmas e que não tinham condições mínimas para sua existência”, o que não é o caso do Sindnapi.
Frei Chico, irmão do Lula: CPMI do INSS quer quebrar sigilo dele
O sindicalista Frei Chico, irmão do presidente Lula

O que diz o Sindnapi

Após publicação desta reportagem, o Sindnapi enviou a seguinte nota, reproduzida na íntegra:

“Após a quebra do sigilo fiscal do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos) no âmbito da CPMI do INSS, foram vazadas na imprensa informações de transações bancárias o Sindicato e seus dirigentes, obtidas a partir de Relatório de Inteligência Financeira expedido pelo COAF.

A esse respeito, o Sindicato, apesar de ter seu sigilo bancário exposto, direito conferido constitucionalmente a todos os cidadãos e organizações da sociedade civil, não vê qualquer problema, dado que, desde o início da deflagração da Operação Sem Desconto, vem se colocando à disposição das autoridades.

Contudo, os dados vêm sendo distorcidos e divulgados de forma irresponsável e mal intencionada, procurando atingir a imagem e respeitabilidade do Sindicato e seus dirigentes, o que merece reparo, além de nosso repúdio.

As cifras, frequentemente mencionadas na casa dos bilhões de reais, consistem na soma de entradas e saídas ao longo de diversos anos, o que artificializa o real fluxo de caixa da entidade. Isso faz com que a população seja exposta à percepção, falsa, de que o Sindicato movimenta uma verba que não é compatível com a sua atividade e os serviços prestados no melhor interesse de seus associados e de toda a sociedade, dada a incansável luta da entidade em defesa da proteção social dos aposentados do Brasil.

Vejamos, no período de janeiro de 2021 a abril de 2025, o Sindnapi teve receitas de pouco mais de R$ 387 milhões oriundas dos descontos associativos e mais R$ 41 milhões de recebimentos de empréstimos e outras entradas, resultando num total geral de pouco mais de R$ 428 milhões. Considerando o mesmo período, o Sindnapi teve despesas de aproximadamente R$ 458.131.000,00, plenamente justificadas, contabilizadas e auditadas sendo que os principais itens correspondem ao programa Viver Melhor (60,30%), folha de pagamento (11,39%), honorários advocatícios (7,43%), impostos (4,44%) e repasses para as 56 subsedes espalhadas pelo país (3,63%). A diferença de cerca de R$ 30 milhões entre receitas e despesas foi suportada pela poupança e investimentos que giraram na ordem de R$ 70 milhões. Planilhas contábeis, balancetes, auditorias e contas bancárias estão à disposição da Suprema Corte do país, o que ratifica o interesse do Sindnapi em esclarecer os fatos para que se separe entidades idôneas das verdadeiras organizações criminosas.

Por fim, manifestamos também repúdio à estratégia que foi mobilizada de vazar na imprensa informações que nem o Sindnapi e tampouco os seus advogados do Sindicato tiveram prévio acesso. Trata-se de expediente dedicado única e exclusivamente a confundir e depreciar o Sindnapi, e que em nada se coaduna com o exercício das liberdades comunicativas, essenciais para o Estado Democrático de Direito.”

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